PUBLICIDADE

Topo

Política

Aliado tenta impedir perda de direitos políticos de Arthur do Val

Arthur do Val (União Brasil-SP) renunciou ao mandato de deputado estadual em 20 de abril - Estadão Conteúdo
Arthur do Val (União Brasil-SP) renunciou ao mandato de deputado estadual em 20 de abril Imagem: Estadão Conteúdo

Rute Pina

De Universa, em São Paulo

03/05/2022 17h59

A Comissão de Constituição e Justiça da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) aprovou, nesta terça-feira (3), a continuidade do processo de pedido de cassação de Arthur do Val (União Brasil-SP), mesmo após a renúncia do cargo pelo ex-deputado.

A Casa analisa a quebra de decoro de Do Val após falas sexistas sobre mulheres ucranianas, com a divulgação de áudios no início de março deste ano, depois da viagem do ex-deputado ao país em guerra.

Durante a reunião da CCJ, o deputado Milton Leite Filho, do mesmo partido de Arthur do Val, pediu apenas uma suspensão, o que geraria a perda temporária do mandato.

Na defesa de seu argumento, Leite Filho comparou o caso do aliado ao episódio de assédio do deputado Fernando Cury (Cidadania) contra a deputada Isa Penna (PCdoB), quando ele apalpou o seio da parlamentar no meio do plenário em dezembro de 2020. Cury foi suspenso do exercício parlamentar por 180 dias.

Segundo Leite, com uma punição diferente, os deputados demonstraram "dois pesos e duas medidas", o que seria injusto com o aliado.

No entanto, outros membros da comissão não seguiram a sugestão do deputado do União Brasil e, por 9 votos a 1, decidiram encaminhar o processo contra o ex-deputado com relatório favorável à cassação. A CCJ analisa os aspectos técnicos do processo e o plenário da Alesp vai decidir qual será, de fato, a punição de Do Val.

Isa Penna considerou a movimentação de Leite como uma manobra para tentar aliviar a pena do aliado e manter os direitos políticos de Do Val em ano de eleição. Caso seja cassado, ele perde o direito de se candidatar por oito anos.

"Houve, sim, uma nítida injustiça: injustiça contra mim, que fui publicamente assediada, que tenho nome e mandato ativo e eleito", disse a deputada por meio de sua assessoria.

A parlamentar rejeitou a comparação entre os casos. "Não vamos mais tolerar corporativismo", disse. "Quase todas as mulheres brasileiras já passaram por algum tipo de violência e sentem na carne, como eu sinto, toda a dor e o trauma que são tratados com deboche por esses homens eleitos para nos representar."

Na avaliação da deputada, a movimentação dos aliados de Arthur do Val deve continuar, no plenário, no sentido de proteção ao ex-deputado.

Universa entrou em contato com a assessoria de Milton Leite Filho, que não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para quando ele quiser se manifestar.

Política