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'Fiquei 35 anos sem vê-lo': casais que se reconectaram, como JLo e Affleck

"Depois de oito meses juntos, tivemos a decisão alucinada de casar", diz Kika que reencontrou o Alberto - Acervo pessoal
'Depois de oito meses juntos, tivemos a decisão alucinada de casar', diz Kika que reencontrou o Alberto Imagem: Acervo pessoal

Rafaela Polo

De Universa, São Paulo

27/04/2022 04h00

Estamos acompanhando a volta apaixonada de Ben Affleck e Jennifer Lopez, casal ícone do começo dos anos 2000 e primeiro a ter um nome "shippado": Bennifer anunciou noivado, quase vinte anos após o término do antigo relacionamento. Mas não é só no mundo das celebridades que rolam umas figurinhas repetidas. Longe dos holofotes, alguns casais também se afastam por anos e voltam a se encontrar para viver uma grande história de amor.

Jessica não chegou a namorar com Gabriel, ele foi sua primeira decepção amorosa. Kika teve duas oportunidades para ficar com Alberto, mas foi depois de 35 anos e de enfrentar um câncer que ele voltou para sua vida pra ficar. Já no caso da Roseni, um namoro de quando ela tinha 20 anos voltou com tudo após os 50. Universa conversou com mulheres que deram uma segunda chance para o amor.

'Depois de oito meses juntos, tivemos a decisão alucinada de casar'

' Fiquei 24 anos casada e tive duas filhas. Ele se casou três vezes e teve três filhos, com duas mulheres', conta Kika sobre experiências que ela e Alberto tiveram nesse intervalo de 35 anos  - Acervo pessoal  - Acervo pessoal
' Fiquei 24 anos casada e tive duas filhas. Ele se casou três vezes e teve três filhos, com duas mulheres', conta Kika sobre experiências que ela e Alberto tiveram nesse intervalo de 35 anos
Imagem: Acervo pessoal

"Conheci o Alberto na escola. Eu com 15 anos e ele com 18. Ele era o bad boy e ficou na escola por só um ano. Já eu era muito certinha. Tivemos um romance nessa idade, que, apesar de intenso, foi bobinho: mão na mão, cartinhas, encontros no cinema, andar na praia... Cotidiano de jovens na década de 1970. Isso durou 8 meses.

Acabou, o tempo passou, eu namorei outras pessoas. Aos 18 anos, fui estudar na Inglaterra e, desde que ele tinha saído do colégio, nunca mais tinha ouvido dele. Quando cheguei na escola e entrei no refeitório, adivinhem quem estava lá? Ele mesmo!

Nessa época, que éramos mais crescidos, tivemos um tórrido romance. Fazíamos sexo todos os dias e dormíamos juntos no dormitório feminino. Uma amiga que acordava muito cedo ajudava ele a sair de lá bem cedo de manhã.

Ele ficou três meses por lá, eu o ano todo. No período que ficamos juntos, foi intenso. Mas, quando ele foi embora, nos separamos e nunca mais o vi. Fiquei 35 anos sem saber dele. Fui casada por 24 anos e tive duas filhas. Ele se casou três vezes e teve três filhos, com duas mulheres.

Antes de reencontrá-lo, em 2012, tive um câncer de endométrio. Fiz uma operação e retirei seis órgãos e minha quimioterapia era feita por dentro da vagina: usava-se um cilindro dentro do órgão para colocar o medicamento e matar o câncer.

Usei prótese peniana por dois anos e meio para não fechar o canal vaginal, já que nesse tratamento uma das sequelas é o atrofiamento da uretra. Quando descobri o câncer e contei para o meu marido que estava doente, ele foi jogar tênis.

Não vivíamos um relacionamento perfeito, mas deu uma piorada horrorosa. Terminamos e vivi coisas muito difíceis: fui despejada, tive mil problemas com dinheiro, fui morar com a minha mãe. Quando me separei, e com o câncer, me despedi da cena erótica de vez.

Há sete anos, um amigo em comum que tínhamos na escola postou no Facebook que queria comemorar o aniversário e fazer um encontro com a turma do colégio. E Alberto apareceu comentando na postagem. Eu, na maior cara de pau, mandei uma mensagem para ele pedindo uma carona. Ele veio me buscar e o clima estava meio frio. Não tinha nada rolando.

Na reunião do colégio, começamos a conversar sobre quem namorou quem. E lembraram da nossa relação. Ele começou a relembrar momentos que vivemos juntos e era como se eu tivesse sofrido uma amnésia da vida, não me lembrava de nada. Enquanto ele sabia detalhes: cor de esmalte, meu penteado, o suéter que ele me deu... Ouvindo tudo aquilo, fui guiada pelas memórias que nunca mais tinha ativado e entrei em um mundo paralelo. Aí comecei a sentir algumas coisas por ele.

Nessa época, tinham se passado quatro anos da minha quimioterapia. No dia seguinte, ele mandou uma mensagem dizendo que era bom me reencontrar. Mas demorei 15 dias só para topar encontrá-lo para um café.

Eu estava como uma menina assustada diante de várias circunstâncias: tinha saído de um relacionamento longo, de uma químio, a sensação de ir morrer ou não. Qual era o sentido de entrar em uma relação dessa?

Começamos a namorar e minhas filhas ficaram atônicas. Eles nunca tinham me visto em um relacionamento que não fosse com o pai delas.

Depois de oito meses juntos, tivemos a decisão alucinada de casar. Como ele já tinha se casado três vezes e eu uma, decidimos ir para Miami para oficializar a relação. Tinham apenas cinco pessoas: nós dois, um casal de amigos e o cerimonialista. Voltamos para o Rio de Janeiro, alugamos um apartamento e minhas filhas moram com a gente", Kika Gama Lobo. 57 anos, jornalista, vive um relacionamento com Alberto Levier, 60 anos, gerente de logística, no Rio de Janeiro.

'É como se nunca tivéssemos nos separado'

"É como se nunca tivéssemos nos separado", diz Jessica sobre o relacionamento que aconteceu após 10 anos  - Acervo pessoal  - Acervo pessoal
"É como se nunca tivéssemos nos separado", diz Jessica sobre o relacionamento que aconteceu após 10 anos
Imagem: Acervo pessoal

"Eu e Gabriel nos conhecemos quando éramos jovens. Fomos amigos, mas não chegamos a nos relacionar. Eu tinha 13 anos e ele tinha 15 quando estávamos na mesma escola e éramos melhores amigos. Convivíamos bastante, saímos com a turma e como uma boa adolescente, eu me apaixonei por ele - e tive meu coração partido. Não ficamos juntos na época, mas só depois que nos reencontramos eu fui entender o motivo: o melhor amigo dele gostava de mim. E ele achava errado trair essa amizade e ficar comigo sabendo desse crush do amigo.

Eu entrei em um relacionamento no final da minha adolescência e nossa vida seguiu. Ele foi fazer faculdade em outra cidade e, quando chegou minha vez de ir, ele voltou para a nossa cidade natal. Em 2016, quando eu tinha 24 e ele 26 anos, resgatamos a nossa amizade. Eu estava em um momento bem delicado, de fim de um relacionamento conturbado.

Nesse reencontro, conversamos e foi aí que ele me contou porque não ficamos quando éramos jovens. Eu estava bem triste, total na fossa com o fim da minha relação, e ele me dizia que não ia deixar eu ficar nessa bad vibes. Me chamava pra sair e até que me convidou para passarmos o Ano Novo juntos. Foi nessa viagem que ficamos e não nos desgrudamos mais.

Como nos conhecemos há mais de uma década, tudo entre nós aconteceu muito rápido. Em oito meses já estávamos morando juntos. Isso já faz cinco anos. Nós casamos e abrimos uma empresa. Nos conectamos quando nos reencontramos de uma maneira bem forte. É como se nunca tivéssemos nos separado", Jessica Lopes, 29 anos, influenciadora digital, vive um relacionamento com Gabriel Cozza, 30 anos, empresário, em Campo Bom (RS).

'Como eu não tinha nada a perder, resolvi dar uma chance'

?Quando a gente é jovem e apaixonada abre mão de tudo. Na maturidade não é mais assim?, diz Roseni sobre seu relacionamento - Acervo pessoal  - Acervo pessoal
"Quando a gente é jovem e apaixonada abre mão de tudo. Na maturidade não é mais assim", diz Roseni sobre seu relacionamento
Imagem: Acervo pessoal

"Eu e Marcos namoramos quando tínhamos cerca de 20 anos. Ele adorava farra na época e depois de pouco mais de um ano, nos separamos. Comecei um outro relacionamento e me casei com essa segunda pessoa.

Moramos na mesma cidade, fiquei casada por 20 anos, me separei, namorei outras pessoas. Nunca pensei nele.

Um certo dia, do nada, ele me chamou no WhatsApp - e nunca me contou como conseguiu meu número. A desculpa que ele usou é que queria anunciar no jornal que eu tinha na cidade. Ele não precisava da propaganda, sabe? Já tinha um escritório consolidado.

Começamos a conversar e logo disse para ele não se iludir que eu não era a Roseni que ele conheceu há 40 anos. Mesmo assim, ele me chamou para sair. Como eu não tinha nada a perder, resolvi dar uma chance.

Depois do primeiro papo, saímos mais e mais até que começamos a namorar. Não era tudo novo entre nós porque já tínhamos ficado na juventude. Estamos juntos há cinco anos. Apesar dele ter ficado casado por 30 anos, ele diz que nunca me esqueceu. Inclusive, ele quer se casar de novo. Mas acho que o relacionamento entre nós é bom assim.", Roseni Maria Rodrigues, 64 anos, aposentada, vive um relacionamento com Marcos Benedito Carvalho, 64 anos, contador, em Atibaia.

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