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Mulheres inspiradoras

Carolina e Clementina: quem são as homenageadas no Carnaval de São Paulo

A escritora Carolina Maria de Jesus é tema da Colorado do Brás, que desfila nesta sexta (22) - Arquivo Público do Estado de São Paulo/Última Hora
A escritora Carolina Maria de Jesus é tema da Colorado do Brás, que desfila nesta sexta (22) Imagem: Arquivo Público do Estado de São Paulo/Última Hora

Rafaela Polo

de Universa, São Paulo

22/04/2022 18h31Atualizada em 26/04/2022 16h19

O Carnaval finalmente voltou, pelo menos para as escolas de samba. Depois de um 2021 sem samba no pé, os desfiles retornaram ao Sambódromo do Anhembi. Com dois anos de preparação, as escolas puderam pensar e repensar seus enredos, buscando os temas que vão levantar a plateia e emocionar os jurados. E duas delas trazem mulheres fortes como referências em suas músicas.

A Colorado do Brás, a segunda escola do Grupo Especial a ganhar a avenida nesta sexta-feira (22), fará uma homenagem a Carolina Maria de Jesus, escritora, mulher negra e favelada que deixou obras marcantes na literatura nacional. Já a Mocidade Alegre, a terceira escola do Grupo Especial a entrar na avenida no sábado (23), falará sobre Clementina de Jesus, cantora brasileira que ajudou a popularizar o samba.

Se você conhece pouco sobre essas mulheres, que coincidentemente faleceram no ano de 1977 e têm Jesus no sobrenome, Universa as apresenta abaixo.

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus 1961 no Aeroporto de Viracopos - Arquivo/Estadão Conteúdo - Arquivo/Estadão Conteúdo
Carolina Maria de Jesus em foto de 1961, no Aeroporto de Viracopos
Imagem: Arquivo/Estadão Conteúdo

A escritora que nasceu na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, morreu há 45 anos, mas o peso de sua obra segue até hoje. Ela escreveu o livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada" (ed. Ática), que foi publicado em 1960, traduzido para diversas línguas, disponibilizado em 40 países e vendeu mais de um milhão de cópias. Na trama, ela descreve sua vida na favela, como o nome já diz, e seu esforço para vencer a fome e criar seus filhos.

Em entrevista a Universa, sua filha, a professora Vera Eunice de Jesus, que busca recuperar alguns manuscritos de sua mãe que estão perdidos pelo Brasil, disse que Carolina pediu a ela antes de morrer que não deixasse seu nome ser esquecido. "Ela queria que eu propagasse sua obra", contou. Na conversa, Vera falou que pouco mudou na vida de quem é favelado desde quando sua mãe lançou a obra, há mais de 60 anos. "Meus alunos chegam com fome. Exatamente como eu chegava na escola quando era criança. São minha cópia. Por mais que tenha Bolsa Família, pouca coisa mudou", diz.

Clementina de Jesus

Clementina de Jesus é o tema do samba enredo da Mocidade Alegre em São Paulo - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Clementina de Jesus é o tema do samba enredo da Mocidade Alegre em São Paulo
Imagem: Reprodução Instagram

Existem muitos nomes marcantes da música que cruzaram o caminho de Clementina, neta de escravizados que nasceu em Valença, no interior do Rio de Janeiro, em 1901. Entre eles estão Cartola, Caetano Veloso (que produziu seu disco em 1973), Milton Nascimento e Paulinho da Viola. Mas sua carreira musical demorou muito para acontecer.

Foi apenas com 60 anos, depois de ter passado a vida toda trabalhando como empregada doméstica, que o compositor Hermínio Bello de Carvalho a viu cantar e a ajudou em sua estreia nos palcos. Ela cantou no Festival de Cannes, na França, e no Festival de Arte Negra, no Senegal. Sempre representando o Brasil e levando em sua música toques de sua ancestralidade, algo que aprendeu com sua família desde menina.

Apesar de ter sido escolhida como musa do samba enredo da Mocidade Alegre deste ano, Clementina já foi destaque na Beija-Flor de Nilópolis e na Escola de Samba Lins Imperial.

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