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Gaslighting de Arthur: especialistas citam crime de violência psicológica

Público criticou comportamento de Arthur Aguiar no Jogo da Discórdia de segunda-feira (21)  - Reprodução / Internet
Público criticou comportamento de Arthur Aguiar no Jogo da Discórdia de segunda-feira (21) Imagem: Reprodução / Internet

Gabriela Forte

Colaboração para Universa

22/03/2022 14h28

Os participantes da casa do BBB 22 parecem ter começado a perceber o que o público que acompanha o reality desde as primeiras semanas já vinha comentando aqui fora: a argumentação e modo de se posicionar nas discussões de Arthur Aguiar seguem a cartilha do gaslighting - forma de abuso e violência psicológica na qual informações são distorcidas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria sanidade.

No Jogo da Discórdia da última segunda-feira (21) os participantes tinham que criar um ranking com os colegas de acordo com um adjetivo sorteado. Durante a dinâmica, a médica Laís Caldas afirmou que Arthur era arrogante em suas falas e que ele aproveitou seu discurso de indicação ao paredão para diminuir sua atuação no jogo e suas percepções e críticas sobre as articulações dele na casa e ainda assim se colocando como vítima das situações.

O ator já foi criticado dentro e fora da casa por ser uma pessoa que usa as pausas nas argumentações dos adversários para quebrar a fluência de raciocínio e a análise de cada palavra em discussões corriqueiras para se posicionar como alvo constante da casa.

Gaslighting de Arthur no BBB: professora de direito e psicóloga comentam

O gaslighting não é um termo jurídico ou classificado como um crime no código penal brasileiro mas, segundo a professora de Direito Penal na Unifesp Maira Zapater, pode corresponder a um caso de violência psicológica, esse sim tipificado do código penal em 2021.

"O código penal deixa claro que tentativas de causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica é um crime de violência psicológica. Não importa o contexto em que ele aconteça, se em um relacionamento ou em uma vivência social" Maira Zapater, professora de direito da Unifesp

Maira lembra que mesmo antes de ser reconhecida e colocada no código penal, a questão do constrangimento psicológico já era contemplada na Lei Maria da Penha "Não era crime por si só, mas poderia ser reconhecida como uma violência doméstica e ajudar a proteger a mulher vítima desse abuso em um relacionamento."

Para a psicóloga Mara Leme Martins essa diminuição das atuações da sister usada por Arthur é uma ferramenta de manutenção de poder.

"É uma dinâmica de implementação de culpa, medo e desconstrução de identidade. Você não precisa atacar alguém fisicamente para feri-la. Se você fizer ela duvidar de uma atitude ou caminho escolhido, o estrago já está feito" Mara Leme Martins, psicóloga

Mara ainda afirma que a interrupção e da distorção usada por Arthur quando acuado na dinâmica ainda envolve e distorce a visão do público. "Você faz quem está nessa dinâmica se perguntar se está sendo o vilão, enquanto quem manipula o discurso e a narrativa é o mocinho. Nesse caso, com uma mulher como alvo, pinta ela como desequilibrada e errada dentro e fora da casa, com ele sempre certo em suas argumentações e ela sempre errada".

A advogada Maíra Zapater ainda reforça que, em casos de denúncias de abusos psicológicos, a palavra da vítima tem o mesmo peso de registros por escritos ou outros materiais. "A palavra da vítima é meio de prova e tem de ser levado em consideração também tanto em um processo penal de violência psicológica quando em um processo civil de danos morais. Toda forma de registro dessa situação, até mesmo com testemunhas, pode ser usada para responsabilizar o abusador nas esferas jurídicas, com a situação sempre sendo mais grave quando falamos de violência doméstica".