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Ela faliu 2 vezes até fundar marca própria: 'Achei que não fosse para mim'

Amanda Santos, proprietária da AMD Moda Feminina, sua marca de roupas - Divulgação
Amanda Santos, proprietária da AMD Moda Feminina, sua marca de roupas Imagem: Divulgação

Caroline Marino

Colaboração para Universa, em São Paulo

28/02/2022 04h00

Se tem algo que Amanda Santos, 28, que nasceu e foi criada na Cohab II, conjunto habitacional da periferia de São Paulo, sabe fazer é ir atrás do que deseja. Na adolescência, fazia trufas, pães de mel e bijuterias ao lado da mãe, para vender no colégio e já conseguir seu próprio dinheiro. "Mas pensava não ser possível viver de um negócio próprio, por não ter condições financeiras e morar na periferia. Achei que trabalharia sempre para outras pessoas", diz.

O tempo passou, ela estudou e conseguiu uma bolsa para cursar gestão financeira — sua primeira graduação —- e iniciou a carreira no mundo corporativo. Mas o sonho de empreender nunca saiu de sua cabeça. Depois de tentar abrir dois negócios que faliram, ela abriu, em 2020, sua própria marca: a AMD Moda Feminina, que vende 1.200 peças por mês e cresceu 76% em janeiro deste ano. Aqui, ela fala sobre as dificuldades do início no empreendedorismo e sobre como tem conseguido manter o atual negócio em pé.

Primeira loja quebrou em seis meses e deixou dívida de R$ 20 mil

Amanda construiu sua trajetória na área comercial e atuou em grandes empresas. Ela decidiu comercializar roupas para ter uma renda extra. "Vendia na hora de almoço da empresa, nas estações de metrô e, aos finais de semana, ia até a casa de minhas clientes, sempre com um carrinho cheio de mercadorias", conta.

Com as vendas indo bem, ela decidiu abrir uma loja no Brás, bairro de São Paulo famoso pelo comércio de roupas. Mas deixou de lado um detalhe importante para uma empresa dar certo: realizar um planejamento financeiro e de gestão. "Não durou seis meses e quebrei", conta Amanda.

Ela acumulou uma dívida de R$ 20 mil, e o sonho foi deixado de lado. Teve que voltar ao mercado corporativo para quitar o que devia. "Foi uma fase difícil, de muita frustração", diz. Com o tempo, surgiu a oportunidade de expor suas peças em um espaço colaborativo, e lá foi Amanda. "Mas quebrei de novo. Um certo dia fui trabalhar e haviam roubado tudo. Só sobraram os manequins. Perdi mais de R$ 30 mil em mercadoria", diz.

Amanda entrou em depressão e cogitou desistir. "Pensava: por que estou tentando algo que não é para mim? Empreender exige dinheiro". Com a ajuda da família e de amigos, ela se recuperou e começou a estudar mais sobre gestão de empresas para, na hora certa, tentar novamente.

Até que a pandemia chegou, e os planos mudaram. "Fiquei sem comissão e com só metade do salário. Era o momento de arriscar de novo e montar algo meu. Mas, agora, usando tudo o que aprendi com duas falências e com planejamento financeiro e de gestão".

Banco rejeitou empréstimo para abrir negócio

Amanda decidiu pedir demissão e convidou seu cunhado para abrir uma empresa. Ele entrou com uma ajuda de R$ 400 para começar o negócio. Mas, reforça, fez tudo com muita cautela e planejamento. "Sabia que, se caísse, não teria uma cama elástica para me salvar", afirma. Segundo ela, nem empréstimo no banco a dupla conseguiu para começar. "Quando você não tem histórico de possuir muito dinheiro, é difícil conseguir crédito. Nenhum banco liberou". Porém, Amanda pôde contar com uma rede de apoio forte. "Alguns amigos e clientes fizeram uma vaquinha online para eu retomar meu sonho, e comecei, também, a vender roupas usadas em um brechó", diz.

Pensando na diversidade de corpos femininos, Amanda percebeu a carência em atender tamanhos maiores e, assim, nasceu a AMD Moda Feminina, uma marca de roupas inclusivas, focada na mulher brasileira e no bem-estar dela. "Esse é o diferencial: confeccionamos roupas do 36 ao 52 e a ideia é expandir até o 60, além de disponibilizar também 34. Produzimos roupas para corpos reais".

"A vontade de vencer me guiou. Me arrisquei pela terceira vez e sei que poderia ter dado errado, mas não ficaria satisfeita sem tentar", afirma. Segundo ela, sentir medo ao empreender é normal, ainda mais quando se tem poucos recursos, mas ela aprendeu a andar com o sentimento ao seu lado, não à sua frente.

Planejamento financeiro e de gestão foi imprescindível

Amanda ressalta três pilares importantes para o sucesso da empresa. O primeiro é o planejamento financeiro e de gestão. "É essencial saber onde se quer chegar e os recursos necessários para isso, pensando no curto, médio e longos prazos", diz. Segundo a empreendedora, por não poder contratar uma empresa para ajudá-la nessa tarefa, ela foi em busca de conhecimento, tanto por meio de cursos quanto conversando com outros empresários. "Estudei finanças, marketing e gestão e busquei ajuda de pessoas que já estavam no mercado", afirma.

O segundo é ter consciência da necessidade de inovar sempre. "Temos de pensar, todo o dia, como podemos melhorar o serviço. Se eu divulgar um produto e não vender, por exemplo, tenho que pensar no que posso fazer para reverter a situação", diz. Ela usa um pensamento comum no Vale do Silício, região dos Estados Unidos onde foram fundadas algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo: o de errar rápido. Isso quer dizer que o mais importante não é não errar, mas identificar rápido o erro para consertá-lo o quanto antes.

Já o terceiro pilar é o relacionamento com o cliente e a geração de conteúdo nas redes sociais. "Construí um contato próximo com minhas clientes e nunca deixamos de responder a dúvidas e questionamentos", diz. Além disso, Amanda trabalha para sempre oferecer conteúdos de qualidade no Instagram, que hoje conta com mais de 80 mil seguidores. "Além de mostrar as novidades, falamos de autoestima, empoderamento e outros assuntos sobre bem-estar e autoestima feminina, que tem tudo a ver com a marca", completa.

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