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Um olhar diferente sobre o que bomba nas redes sociais


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Ascensão do 'hétero top', 'macholândia': afinal, existe um novo tipo homem?

BBB 22: Gustavo é bacharel em Direito e trouxe à tona a discussão sobre ser homem "hétero" - Reprodução / Globoplay
BBB 22: Gustavo é bacharel em Direito e trouxe à tona a discussão sobre ser homem "hétero" Imagem: Reprodução / Globoplay

Nathália Geraldo

De Universa, em São Paulo

27/02/2022 04h00

No humor, na TV e nas redes sociais, o homem heterossexual está sob o escrutínio de quem convive e precisa se relacionar com ele ou simplesmente tem a sensibilidade de reparar como o "hétero" vive em sociedade. Com o BBB 22, um "novo tipo" ganhou evidência: o participante Gustavo afirmou que é um "hétero top", antes mesmo de entrar na casa.

O anúncio ganhou espaço na cabeça de outros da mesma turma. Dentro do reality, Lucas perguntou a Linn da Quebrada se ele poderia ser visto como um deles. Com a confirmação de sua própria identidade, ainda tentou entender: "Isso é negativo ou positivo?". Linn fez uma breve consideração, antes de explicar mais sobre o tema: "Isso é heterotop".

Nas redes sociais, não é só o perfil de Lucas e Gustavo que está em análise. Os integrantes da "macholândia", composta pela dupla ao lado de Paulo André, Pedro Scooby, Arthur Aguiar e Douglas Silva, também têm seu quinhão de contribuição no debate. Isso porque parte da audiência se pegou surpresa pelo fato de sentir afinidade com os homens do BBB, já que eles entregam entretenimento e parceria dentro do jogo.

Mas, afinal, as definições do homem heterossexual foram atualizadas?

Homem "hétero": o que está por trás do conceito

Tanto alvo de críticas como de defesa, o homem heterossexual tem condutas que o agrupam em diferentes perfis.

O "hétero top" é aquele que segue um padrão: geralmente um homem branco, de até 40 anos que, nas relações, tem autoestima elevada e praticamente inabalável. Linn explicou para Lucas que o vê numa conotação negativa. "Eu não me relaciono tão facilmente com héteros tops. Porque na maioria das vezes esses héteros tops me tratam com preconceito, me subestimando".

Há também o "esquerdomacho", termo usado por Maria, inclusive, dentro do BBB, para aquele que se mostra "desconstruído", mas segue repetindo atitudes de "macho", com base no viés do machismo. Entre outros perfis, está ainda o de quem percebe seus privilégios por ser homem e resolve revisitar a masculinidade tóxica e os padrões de comportamento que prejudicam ele mesmo e os outros.

Na internet, o termo "hétero top" é uma forma de debochar do "homem padrão" que, entre outras práticas, valoriza mostrar o corpo (geralmente, sarado), busca alcançar o "padrão de beleza" e mantém rotinas que envolvem reuniões apenas entre homens, churrasco, cerveja e outros símbolos da masculinidade hegemônica. Vale dizer que a experiência para homens negros e homens brancos, neste sentido, pode ser bem diferente.

Revisitar ou reafirmar valores?

Se você é homem, "hétero" e guardou para si o mesmo questionamento feito por Lucas, agora é a hora de saber a verdade: respondendo a algumas perguntas feitas pela colunista de Universa Cris Guterres em um texto sobre o assunto, é capaz que você descubra mais sobre seu "nível hétero top".

Outra forma de se reconhecer é reparar como outros "hétero top" se comportam e, principalmente, como não se comportam, o que tem sido revisitado até pelos próprios homens.

Um exemplo é o ex-BBB Marcelo Dourado que, na última semana, reviu a ideia de celebrar o "orgulho hétero" por entender que, entre pessoas LGBTQIA+, falar sobre ter orgulho da sexualidade é uma forma de resistência à opressão que sofrem. O campeão da décima edição do BBB fez um vídeo a respeito de uma declaração que deu sobre o tema, há 12 anos, dentro do reality.

"Eu falei "orgulho hétero" e "resistência heterossexual', dentro de um reality show, sob condições isoladas e específicas, sofrendo muita pressão psicológica e provocações diárias dos meus adversários. Mas nada disso apaga o fato de que eu era um cara muito mais ignorante 12 anos atrás do que sou hoje", explica Dourado, na publicação.

A frase que meu adversário falava, 'O mundo é gay', era de inclusão. Não percebia a importância dela para quem é constantemente vítimas de violência. A resistência pertence às minorias. E nenhum 'hétero' foi espancado até a morte por sua sexualidade, diferente das pessoas LGBTQIA+.

Do mesmo modo, um vídeo do Porta dos Fundos toca na questão e coloca homens para pensar. Com o título "Tribo Top", o material trata de forma irônica um grupo de homens heterossexuais "cumprindo seu ritual" jogando futebol e usando roupas de homem "hétero".

"A gente pode reparar que eles não tiveram contato com a moda a vida inteira. Olha lá, a canela fina daquele num sapatênis", brinca o personagem do ator "Esse Menino", Rafael Chaloub.

Nos comentários, o público afirmou que vê "espécies" assim no dia a dia e entrou na brincadeira. "Me espanto com a precisão desses perfis que o porta mostra nessas esquetes. Tenho amigos que são desse jeito. Desde a vestimenta até o vocabulário. Como toda grande comédia, é engraçado porque é verdade", escreveu um seguidor. "Diga não à heterofobia! Tenho até amigos que são", disse, com ironia, outro.

'Macholândia' e a parceria entre homens

Para além dos jeitos de ser homem, o conceito de "macholândia" também ganhou outro contorno nas redes sociais, por causa do BBB.

Apesar de ser um termo para os homens que se mantêm em grupo reproduzindo aspectos e comportamentos machistas, agora é a forma com que o público se direciona ao fato de os participantes, como PA, Douglas Silva, Pedro Scooby, serem muito próximos e carinhosos uns com os outros.

Qualquer que seja o perfil do homem, é fato que vivemos em uma sociedade machista e patriarcal: ou seja, que tolera e, por vezes, incentiva a ideia de que o masculino é superior ao que é feminino. Piadas, comentários machistas e violências contra mulheres e pessoas LGBTQIA+ ainda existem. Será que um "novo homem" pensará sobre isso também?

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