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Mulheres se unem para viajar a Abu Dhabi e ver o Palmeiras no Mundial

As amigas palmeirenses Bruna Batagim, Juliana Camarini, Natália de Sá e Vitória Iwaki viajaram para Abu Dhabi para ver a final do Mundial de Clubes. - Arquivo pessoal
As amigas palmeirenses Bruna Batagim, Juliana Camarini, Natália de Sá e Vitória Iwaki viajaram para Abu Dhabi para ver a final do Mundial de Clubes. Imagem: Arquivo pessoal

Rafaela Polo

Colaboração para Universa

11/02/2022 16h20

A presença feminina é cada vez maior nos estádios do Brasil. Afinal, lugar de mulher é onde ela quiser. Essa repórter, como sócia torcedora do próprio time (coincidentemente o protagonista desta reportagem), pode afirmar com propriedade: nós multiplicamos a cada dia nas arquibancadas.

As amigas Bruna, Juliana, Natália e Vitória fazem parte desse grupo de mulheres apaixonadas por futebol. Mayara e Laura também. Quando descobriram que o time para qual torcem, o Palmeiras, disputaria a final Mundial de Clubes da Fifa elas quebraram cofrinhos, parcelaram compras, usaram dinheiro das férias e do décimo terceiro salário para não perder a oportunidade de acompanhar o time do coração em mais um momento histórico.

Direto de Abu Dhabi, elas conversaram com Universa sobre expectativas para o jogo deste sábado (12), como estão sendo tratadas nas ruas e nos estádios nos Emirados Árabes e suas histórias de amor com o Palmeiras.

"Quando você está em um momento ruim, o futebol é um alento"

Vitoria contoucom a ajuda de alguns familiares, férias, décimo terceiro e parcelou no cartão os custos para ver o Palmeiras na final do Mundial da FIFA - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Vitoria contoucom a ajuda de alguns familiares, férias, décimo terceiro e parcelou no cartão os custos para ver o Palmeiras na final do Mundial da FIFA
Imagem: arquivo pessoal

"Nós queríamos ter ido para a Libertadores, mas não deu. A viagem estava muito cara, então desistimos. Mas quando fomos campeões, uma das minhas amigas, a Bruna, levantou a possibilidade de ir para o Mundial. Na hora, neguei. Achei que ia ficar muito caro e que não ia rolar. Mas quatro horas depois do primeiro convite eu já estava concordando e agitando outras amigas para irem junto. Afinal, essa é uma experiência única e nem sempre temos a oportunidade. Não era uma viagem muito barata, não. E nem tínhamos muito tempo para nos organizar porque só faltavam dois meses para o campeonato.

Contei com a ajuda de alguns familiares, férias, décimo terceiro e parcelei no cartão. Me surpreendi positivamente, pois achei que gastaria bem mais por aqui. Eu e a Bruna conseguimos comprar o ingresso na pré-venda por um preço bom: 170 reais para assistir a final. Na Libertadores, por exemplo, o ingresso mais barato saia por 1100. Até no próprio Allianz nos deparamos com preços maiores que esse. Então, viemos! Mas perdemos o jogo da semifinal porque compramos a passagem para o dia errado. Achávamos que o jogo seria dia 9 de fevereiro, mas confirmou que seria dia 8. Ouvimos toda a partida de dentro do voo, com outros palmeirenses, em uma rádio que conseguimos sintonizar.

A cultura aqui é diferente, então os homens nos olham de outra forma, encaram demais quando passamos na rua. Mas, honestamente? Nada que não passamos no Brasil. Como estou em um grupo só de mulheres, acho que se tivesse apenas um homem com a gente as pessoas se dirigiram a ele e não a nós, mulheres.

O Palmeiras é o responsável por nortear meu humor, mas também é responsável pelas minhas maiores felicidades. Eu estava em São Januário, no jogo contra o Vasco, que nos premiou como Campeões Brasileiros em 2018. Quando você está em um momento ruim da vida, o futebol é um alento.

Sou palmeirense desde sempre por causa do meu irmão e é difícil explicar esse amor. Nesse momento, estou vivendo essa situação diferente que é estar na final. Temos a esperança e o desejo de ganhar, mas sabemos que o Chelsea não é qualquer coisa. O Abel e o time estão passando confiança para os torcedores. Mas indiferente do resultado, estar aqui e ver essa cidade do outro lado do mundo tomada por palmeirenses é muito legal. Vou levar para a vida". Vitória Iwaki Martins, 27 anos, consultora tributária/advogada

"Gostaria que o futebol no Brasil tivesse esse clima amistoso que vi em Abu Dhabi"

Natalia de Sá, de 26 anos, é bancária - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Natália chegou ao jogo da semifinal sozinha e se sentiu muito segura.
Imagem: Arquivo pessoal

"Decidi que viria para o mundial em Dezembro, muito por causa de uma amiga. Sempre vamos ao estádio juntas e quando ela falou para virmos, topei na hora. Não rolou muito tempo para economizar, sabe? Eu tenho sempre um dinheiro reservado para viagens, então contei com ele e com o parcelamento do cartão para as passagens. O ingresso, por exemplo, não consegui comprar no site da FIFA e nem no do Palmeiras. Quando esgotou a pré-venda, rolou aquele desespero. Ainda mais porque eles disponibilizaram o ingresso só cinco dias antes do meu embarque. Imagina? Estou em alguns grupos de WhatsApp do Palmeiras e consegui comprar de um torcedor que tinha ingressos a mais.

Cheguei em Abu Dhabi antes das minhas amigas e assisti ao jogo da semifinal sozinha e no estádio. Eu conheço alguns palmeirenses que também vinham e tenho um amigo árabe. Fiquei hospedada na casa dele por alguns dias. Meu amigo me trouxe ao estádio, mas não pode ficar porque tinha que trabalhar. Não consegui encontrar os palmeirenses porque a internet não estava muito boa e o local muito cheio. Então, entrei sozinha. O ambiente era bem familiar.

A torcida do Al-Ahly estava cheia de crianças. Eu me senti em casa e foi tudo muito tranquilo. A revista é por raio-x e tentei ser o mais educada possível com quem dava informação. Fui tratada da mesma forma. Quando entrei, tinham muitos palmeirenses. Não fazia ideia do tamanho da torcida que viria.

No estádio, não senti nenhum impacto cultural. Na volta, quando estava chegando no apartamento que estava hospedada, alguns taxistas buzinaram e fizeram sinal, mas não respondi. Passamos por isso no Brasil também. Quando sai com as minhas amigas, os homens olhavam muito e senti os vendedores mais irônicos. Mas sozinha, foi tranquilo.

No estádio, vivi momentos únicos. Me marcou muito chegar cedo e ver tanto palmeirense. Uma hora antes do jogo, a torcida já estava cantando. Na saída, as torcidas do Brasil e do Egito se encontraram e os torcedores do Al-Ahly começaram a bater palmas pra gente. Gostaria muito que o futebol tivesse esse clima amistoso no Brasil. Para a final, acredito no Abel e no seu esquema tático. Já sonho com a minha reação quando o juiz apitar o final do jogo e, se tudo der certo, o Palmeiras ser campeão.

Sou palmeirense desde que me conheço por gente. Sempre morei perto do Allianz Parque e meu pai é palmeirense desde criança também. Nós íamos cedo ao estádio porque antes era muito fácil chegar ao gramado. Tenho várias camisetas autografadas por jogadores das antigas como Marcos, Gamarra, Valdívia... Sempre foi nosso ambiente de prazer e de demonstrar essa paixão. O Palmeiras me acompanha há muitos anos. Pra mim, meu time significa não só uma conexão com meu pai, que é uma pessoa muito importante na minha vida, como com outras pessoas muito queridas também". Natalia de Sá, 26 anos, bancária, de São Paulo (SP)

"Estou aqui por mim e pelo meu pai"

Juliana Camarini Santos, de 26 anos, é analista de mercado - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Juliana foi para Abu Dhabi com outras três amigas palmeirenses
Imagem: Arquivo pessoal

"Decidi vir ao mundial junto com as minhas amigas. Também tenho um Instagram de viagem, então uni o útil ao agradável. Como não rolou tempo para economizar, contei com décimo terceiro e ajuda de familiares para tornar esse sonho realidade. E ainda tive sorte na hora de comprar o ingresso e até que consegui com um pouco mais de facilidade: fiquei atualizando o site até que uma hora, rolou!

Só de pensar que estou aqui, vendo o Palmeiras jogar um mundial, algo que meu pai não teve oportunidade de fazer, quase choro. Meu pai faleceu em 2011 e em 2012 comecei a me aproximar mais do time. Não é só futebol para mim. É um mix de emoções quando vou ao jogo, porque sei que vou representá-lo. Nem sei explicar a sensação.

Não fui ao jogo da semifinal, mas estou pronta para a final desde quando ganhamos a Libertadores. Estou bem nervosa, mas quero viver essa experiência porque eu mereço e meu pai também. É inexplicável o que o Palmeiras vai me proporcionar. É bem legal ver que mais pessoas estão aqui com o mesmo sentimento que você, parece que todo mundo se conhece quando se encontra". Juliana Camarini Santos, 26 anos, Analista de inteligência de mercado, de São Paulo (SP)

"Sempre estou com o Palmeiras, não importa o destino e o resultado do jogo"

Mayara - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Mayara está feliz de ver o jogo ao lado de outras mulher e confiante no desempenho do time
Imagem: Arquivo pessoal
Mayara - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

"Eu sempre estou com o Palmeiras, não importa o destino e o resultado do jogo. Então, não tinha dúvidas de que viria para Abu Dhabi. Eu estava no Uruguai, e quando ganhou a Libertadores eu sabia que ia gastar o que fosse preciso para estar aqui. Tenho minhas reservas, claro. E estou aqui!

Sempre tive o costume de ir aos jogos de futebol no estádio acompanhada por amigos homens, mas dessa vez, uma amiga veio também. Estamos em voos diferentes e eu cheguei antes, mas estou achando muito legal essa companhia feminina por aqui. Aliás, é sempre bom ver mulheres no estádio e o número só vem aumentando com o passar dos anos.

Os árabes ficam surpresos por aqui por eu ser tão palmeirense e ir aos jogos. Acham bem legal. A experiência aqui está sendo bem tranquila e parecida com o que vivemos no Brasil.

O que me marcou e chamou a atenção mesmo foi assistir a semifinal misturada com a torcida adversária e não ter mulheres entre os egípcios. O Palmeiras é o amor da minha vida. Assim como o meu pai, torço para o time e sempre fui louca por futebol, mas gosto de assistir ao jogo in loco, meu pai não é tão fã. A final será um jogo bem duro, mas estou confiante e pé no chão". Mayara Bertani Oliveira, 35 anos, analista de planejamento, de São Paulo (SP)

"Tinha certeza de que viria para Abu Dhabi"

Laura, Bruna e Lili - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Laura, Bruna e Lili: paixão pelo Palmeiras passando pelas gerações
Imagem: Arquivo pessoal

"No momento que o juiz apitou o final do jogo da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo no Uruguai eu tinha certeza que viria. Não posso dizer que aquele foi o melhor dia da minha vida porque também estava presente no Maracanã quando conquistamos o bi. E vim!

Tenho uma amiga, a Bruna Miyuki, que também é palmeirense e mora nos Emirados Árabes Unidos há oito anos. Trouxe na mala um presentinho para Lili, filha dela: um vestidinho do Palmeiras.

Eu viajo bastante, então estou acostumada com o choque de cultura. Por aqui, as coisas são mais rígidas, mas é uma questão cultural mesmo. Nós temos a nossa, eles têm a deles. Minha experiência tem sido 100% positiva e satisfatória. Por isso, não posso dizer que sofri machismo. Tenho a sensação que eles entendem que viemos de uma cultura diferente. Está rolando um respeito mútuo. Aliás, tem tanto palmeirense por aqui que está difícil conseguir enxergar diferenças com o Brasil. A única mudança é que não podemos beber na porta do estádio, de resto, nada de diferente. Estava muito ansiosa para a semifinal e esperançosa para final.

Lili - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Lili
Imagem: Arquivo pessoal

A maioria das pessoas da minha família são corintianas, mas tive influência da minha avó paterna, que faleceu no final de 2016, na hora de escolher o verdão como time. Me lembro, em 1999, quando o Palmeiras ganhou a Libertadores nos pênaltis, de ter apenas 10 anos e chorar com a vitória. Eu me lembro de ligar para minha avó muito emocionada para comemorar, porque só ela entenderia a felicidade que eu estava sentindo.

Comecei a ir ao estádio relativamente tarde, aos 16 anos, e foi como encontrar o meu habitat natural, minha tribo. Me sentia acolhida e confortável na arquibancada. hobby, minha válvula de escape é onde gosto de estar. O Palmeiras esteve presente em todos os momentos cruciais na minha vida.

Já vivemos tantas coisas. Eu estava no estádio Couto Pereira em 2012 comemorando a vitória da Copa do Brasil com gol do Betinho no mesmo ano que também fomos rebaixados no Brasileirão. Dez anos depois, estou em Abu Dhabi para ver meu time disputar o mundial." Laura Cadaval, de 32 anos, bancária, de São Paulo (SP)

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