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'Vou sair rolando' e mais: frases do 'BBB' sobre autoimagem pra não repetir

Bárbara tem falas e posturas polêmicas no reality - Reprodução/Globoplay
Bárbara tem falas e posturas polêmicas no reality Imagem: Reprodução/Globoplay

Ana Bardella

De Universa

09/02/2022 04h00

Desde o início do programa, o elenco do "BBB 22" tem gerado diversos debates sobre alimentação e autoimagem. Os participantes Arthur Aguiar e Bárbara Heck são alguns dos que mais contribuem para isso: ele por ter abandonado uma dieta iniciada antes de ingressar no reality, ela por ser adepta de períodos de jejum e ter uma alimentação bastante restrita.

As frases polêmicas, no entanto, não ficam só por conta dos dois. Assim como nos grupos de trabalho e nas reuniões familiares, ideias distorcidas sobre o ato de comer e uma supervalorização do corpo magro estão presentes em diversos momentos do programa. A seguir, nutricionistas comentam falas sobre o tema selecionadas por Universa e explicam por que elas deveriam ser evitadas:

1. "Fome é psicológica"

Tiago Abravanel disse, quando estava no VIP, que "fome é psicológico" - REPRODUÇÃO/TV GLOBO - REPRODUÇÃO/TV GLOBO
Tiago Abravanel disse, quando estava no VIP, que "fome é psicológico"
Imagem: REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A frase foi dita por Tiago Abravanel para se referir à quantidade de alimentos disponível para seus colegas que estavam na chamada "xepa" — para eles, o volume e a variedade de alimentos naquela semana era restrita. Segundo a nutricionista Priscila de Andrade, a expressão é problemática por dois motivos.

A profissional explica que existem dois tipos de fome: a física, que acontece quando o corpo dá sinais de que precisa de energia, e a emocional, na qual a busca pela comida se dá apenas para aplacar algum desejo ou contornar a ansiedade e outras emoções.

"Quando dizemos que fome é algo psicológico, ignoramos os sinais físicos que a fome emite, tais como o roncar do estômago e uma diminuição significativa da energia corporal", opina. Além disso, Priscila relembra que atualmente 19 milhões de pessoas estão vivendo em situação de insegurança alimentar no Brasil. "São pessoas que não têm, de fato, o que comer", afirma. Por isso a expressão pode soar ofensiva.

2. "Não vou passar na porta"

Bárbara faz jejum e segue uma dieta restritiva - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
Bárbara faz jejum e segue uma dieta restritiva
Imagem: Reprodução/Globoplay

A frase foi dita por Bárbara Heck após comer alimentos "proibidos" em sua dieta. Fernanda Imamura, nutricionista comportamental, explica que, por trás da afirmação está a ideia de que uma refeição ou um alimento é capaz de engordar imediatamente — o que está equivocado. "Mesmo se o consumo de um determinado alimento for excessivo, o ganho de peso não acontece na mesma hora. Normalmente, o aumento do peso corporal está associado a diversos fatores e não acontece porque a pessoa consumiu um chocolate ou uma pizza", afirma.

3. "Não como jujuba porque é puro açúcar"

Arthur Aguiar virou meme ao se contradizer: ele formulou a frase enquanto comia um pacote de jujubas — atitude mais tarde criticada pela esposa, Maíra Cardi. O cantor já fez o mesmo com pães, afirmando que a farinha branca o deixa "lento e pesado", apesar de estar consumindo o alimento diariamente no reality.

Se a ideia é ter uma relação mais saudável com a comida, Fernanda nos convida a não reduzir um alimento a um ingrediente. "Esse hábito pode gerar uma relação disfuncional, que leva ao sentimento de culpa. A jujuba ou qualquer outra comida pode ser inserida em uma alimentação saudável, seja porque a pessoa tem vontade, seja porque ela tem uma relação afetiva com o doce, ou simplesmente porque gosta", aponta.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, Priscila alerta para os perigos de classificar um alimento como "vilão", "proibido", "veneno", "lixo" ou outros adjetivos negativos. Esse pensamento pode levar a uma restrição forçada da comida sem indicações clínicas, o que só desperta na pessoa a vontade de comê-lo em demasia, ocasionando até episódios de compulsão alimentar.

4. "Minha pele está muito flácida, preciso dar um jeito nisso"

A frase foi dita por Brunna Gonçalves a Maria, enquanto as duas discutiam sobre ir à academia. A própria dançarina chegou a dizer, em outros momentos, que por estar muito presa à ideia de que precisava malhar e fazer dietas, acabou sofrendo e até ganhando peso — e que hoje procura ser mais suave com relação ao assunto.

Para Priscila, a estética deveria ser a última motivação para que um indivíduo fosse treinar. "Os benefícios para a saúde física, mental e social são bem maiores do que 'controlar a flacidez'. Normalmente quem visa apenas um resultado estético acaba abandonando o treinamento, já que as mudanças físicas demoram para acontecer, o que acaba desmotivando a pessoa", alerta.

5. "Daqui a pouco vou sair rolando"

Quem disse a frase acima foi Bárbara, após comer um doce. Para Fernanda, a declaração tem um fundo gordofóbico. "Frases desse tipo reforçam o estereótipo de que as pessoas gordas são gordas porque comem muito, o que não é verdade", diz.

Priscila complementa: "Essa relação conturbada com a comida, junto da distorção da imagem corporal é um quadro propício ao desenvolvimento de transtornos alimentares. As pessoas que se identificam com esse sentimento (como medo excessivo do ganho de peso e culpa por ter ingerido algum alimento calórico) devem procurar acompanhamento de uma equipe multidisciplinar".

Transtornos alimentares requerem atenção

Transtornos alimentares, tais como bulimia, anorexia e compulsão alimentar requerem atenção e tratamento com profissionais especializados. À Universa, a psiquiatra Roberta Catanzaro explica que a melhor forma de evitar um transtorno alimentar é não fazer comentários sobre o corpo dos outros, nem sobre o seu próprio corpo na frente dos outros.

"Nenhum pai ou mãe deveria dizer ao filho que ele engordou, que está com uma barriguinha. As pessoas também deveriam evitar falar sobre seus próprios corpos pejorativamente na frente dos outros. O comportamento gera sofrimento, pode causar traumas e contribui para o principal fator de manutenção dos transtornos: a insatisfação corporal", diz.

No caso de aparecimento dos sintomas, a psiquiatra recomenda que as famílias ou o paciente busquem uma ajuda especializada. "O tratamento correto de um transtorno alimentar é feito em conjunto com psiquiatra, psicólogo e nutricionista, todos especialistas no tema", conclui.

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