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Não é para só elogiar corpo, nem sumir: o que queremos dos homens em 2022?

Para Thamiris, 2022 precisa ser o ano da "honestidade" nas relações entre homens e mulheres - Arquivo pessoal
Para Thamiris, 2022 precisa ser o ano da "honestidade" nas relações entre homens e mulheres Imagem: Arquivo pessoal

Nathália Geraldo

De Universa

02/01/2022 04h00

Com a vacina no braço, os encontros para sexo casual, conhecer o contatinho do aplicativo de relacionamento ou dar uma chance a quem já passou pela vida amorosa se tornaram mais comuns para algumas mulheres. Apesar de o retorno à rotina de dates ser motivo de alegria para algumas, as preocupações com o comportamento dos homens, em relações heterossexuais, parecem ter o mesmo tom do período anterior à pandemia.

Será que é possível que eles mudem a postura para um 2022 com menos sumiço, menos "Zé IML" nas fotos das redes sociais e mais atenção ao prazer feminino na transa?

Mulheres entrevistadas por Universa contam o que esperam para relações afetivas e sexuais serem mais saudáveis nos futuros encontros.

Relacionamentos 'héteros' do futuro: como serão?

Na pesquisa "O futuro do date será fluído", do aplicativo de relacionamento Tinder, a primeira tendência para os próximos anos é a de que as pessoas serão mais honestas e autênticas quando estiverem em busca de um par amoroso.

"A pandemia ajudou muitos a colocarem as coisas em perspectiva. Isso levou os membros do Tinder a serem mais verdadeiros e vulneráveis sobre quem são, sua aparência e o que estão passando", diz a empresa, no relatório.

O quanto os homens estão dispostos a viver esse tipo de relação? Para a coach em relacionamentos afetivos Claudia Dem, a análise começa em uma mudança de padrão comportamental masculino. "Eles precisam se livras dos 'jogos da conquista' e assumirem o que realmente desejam da mulher, ou seja, se querem apenas sexo ou algo mais sério."

O que não dá para repetir, segundo elas

  • O "ghosting" nosso de cada dia

Comportamento comum especialmente por causa da facilidade de suspender a comunicação pelas redes sociais, o "ghosting"— o chá de sumiço— é algo inaceitável para quem está disposta a voltar a ter um lancinho para chamar de seu, "Esse é um atalho fácil e rápido de descarte, principalmente em tempos de aplicativos e redes sociais, onde os relacionamentos estão superficiais", alerta a especialista em relacionamentos.

Não é tão difícil quebrar o ciclo do "ver a mensagem, não responder e deixar a pessoa no vácuo para sempre (ou até surgir a vontade de responder)". A atriz e cantora Thamiris Lima— que já falou a Universa sobre o medo de voltar a ter dates pós-pandemia— diz que está cansada dessa lógica. Para ela, a expectativa é que os homens sejam mais sinceros sobre o interesse em manter o contato ou partir para o próximo flerte. "Que estabeleçam limites e deixem claro se estão a fim ou não".

  • A falta de responsabilidade afetiva
"Homens têm dificuldade em lidar com sentimentos e, por vezes, fogem de um relacionamento que está acontecendo por medo do desconhecido, que pode tirá-lo do controle da situação", diagnostica Claudia Dem. E, em tese, está tudo bem. O problema é quando esse comportamento reflete em ausência de responsabilidade em relações de afetividade, dificultando o "jogo limpo" e comprometendo a saúde emocional da outra pessoa.
  • O egoísmo em uma relação que deve ser de troca

Para Claudia Dem, a "infantilidade masculina" não precisa estar no pacote de posturas masculinas em 2022. Ela diz que homens com esse perfil, "que se acham a última bolacha do pacote", precisam melhorar as atitudes em relação às mulheres com que se relacionam.

"Agora que passamos isolados por um período, o egoísmo do homem hétero pode ter ficado mais evidente. E aí podem se manter aqueles comportamentos de ser carinhoso e, depois que transa, parar de responder mensagens", analisa a estilista, produtora de eventos e modelo fotográfica alternativa Ivy Pires.

Sem saída para isso? A especialista sugere algumas: "Desconstruir o machismo, que é cultural e faz tanto mal para as mulheres quanto para os próprios homens e procurar por autoconhecimento, o que ainda é tabu para muitos deles".

  • A "cantada" que é assédio

No meio deste ano, o termo "Zé IML" ganhou repercussão no Twitter. A definição: o tipo de homem que sempre que vê fotos de corpo das mulheres nas redes sociais passa a interagir com elas. Hábito que revela objetificação das mulheres, ele não é "cantada". "Meus perfis nas redes são públicos, mas, meu corpo, não. Falar só sobre sexo, sobre como quer me pegar é algo invasivo. Mesmo vindo de alguém com quem estou flertando", diz Ivy.

Tudo bem que, no isolamento social, até o PIX virou ferramenta para dar em cima do @. No entanto, a regra de respeitar a vontade e o espaço da outra pessoa continua válida.

Pelo fim do sexo em que só o prazer dele importa

ivy - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ivy analisa que comportamento masculino de homens 'héteros' nos últimos dates a fez buscar mais encontros com homens bissexuais e transexuais
Imagem: Arquivo pessoal

Considerar a penetração vaginal a única forma de transar, reclamar para mudar de posições que mais agradem a parceira, tirar a camisinha no meio do sexo são algumas das ações que, esperamos, não podem ser replicadas nas relações do futuro; todas elas entram no rol do que é considerado "sexo machista" (a última, inclusive, pode ser reconhecida como violência sexual mediante fraude).

As entrevistadas reforçam uma preocupação elementar: que, em 2022, eles liguem mais para o prazer feminino. "A gente pode conversar sobre sexo, é que o homem precisa se tornar vulnerável para isso", sugere Thamiris.

Ivy diz que a dificuldade de o homem hétero ouvir (e fazer!) o que ela gosta na transa virou motivo para que preferisse se relacionar com homens bissexuais e transexuais. "Para o heterossexual, o prazer é só dele e o pênis é o que importa. Não perguntam o que a gente gosta ou não", avalia.

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