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Política, vacina, racismo e aborto: as principais falas femininas de 2021

Simone Tebet, pré-candidata à presidência pelo MDB, falou a Universa sobre covid e política - Reprodução
Simone Tebet, pré-candidata à presidência pelo MDB, falou a Universa sobre covid e política Imagem: Reprodução

Camila Brandalise

De Universa

31/12/2021 04h00

A pandemia de covid-19, como era de se esperar, foi o grande assunto de 2021. E os temas ligados a ela, envolvendo principalmente o plano de vacinação brasileiro e a administração do governo federal durante a pandemia, deram o tom a grande parte das conversas com mulheres de destaque em suas áreas que Universa publicou em 2021.

Autoestima, diversidade, racismo, aborto e envelhecimento foram outros temas que apareceram por aqui neste ano. Relembre:

Pesquisadora que ajudou a desenvolver vacina: "Mulheres carregam piano da pesquisa contra covid"

 Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emilio Ribas  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emilio Ribas
Imagem: Arquivo pessoal

No início de janeiro, o Brasil começava a ter esperança com os anúncios de que a vacina chegaria em breve. São Paulo saiu na frente, e durante evento para anunciar efetividade da Coronavac, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), incluiu uma mulher na equipe. Mas foi a única. Rosana Richtmann, médica há mais de 35 anos e parte da diretoria clínica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, esteve envolvida com as pesquisas sobre a covid-19 desde o início da pandemia.

"Fiquei muito feliz de ter sido convidada e poder fazer parte disso, mas acho que é uma coisa que a gente precisa refletir. A maior parte das pessoas envolvidas em 'carregar o piano' da pesquisa são mulheres. Mas parece que, na hora de mostrar a vacina, essa proporção foi embora", disse a Universa.

Senadora Simone Tebet: "Mulheres partiram para a luta na CPI da Covid"

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) durante questionamento na CPI da Covid - Jefferson Rudy/Agência Senado - Jefferson Rudy/Agência Senado
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) durante questionamento na CPI da Covid
Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Instalada em 27 de abril, a CPI da Covid tinha como objetivo analisar a administração pública relacionada ao combate à pandemia. Sem ter uma integrante feminina entre os 18 membros da comissão que foram indicados pelos partidos, as senadoras conseguiram um acordo para que uma se pronunciasse a cada audiência.


"Quando percebemos que não teríamos nenhuma cadeira de titular ou suplente no colegiado, partimos para a luta e conseguimos garantir o nosso direito à voz", disse a senadora Simone Tebet (MDB-MS), atual pré-candidata à presidência. "O timbre feminino tem de ser ouvido. Temos demonstrado com resultados o quanto podemos agregar não apenas na situação específica da CPI, mas em todos os espaços da vida pública."

Ela e outras senadoras agarram a oportunidade e foram essenciais na condução das sessões, apesar de terem sofrido ataques machistas e serem alvo de constantes interrupções.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) - Lucas Lima/Universa - Lucas Lima/Universa
Kátia Abreu: "Quando homem fala alto, é macho. Mas se for uma mulher, é nervosa"
Imagem: Lucas Lima/Universa

"É engraçado que quando homem está falando alto, berra, ninguém fala que ele está nervoso. Fala que ele é macho. Quando é a mulher, está nervosa. E nervosa é prima primeira de histeria. Eles querem dizer é isso, que damos ataque, chilique", afirmou a senadora Kátia Abreu (PP-TO), que ouviu do senador Marcos Rogério(DEM-RO) o pedido para que não ficasse nervosa.

"Nossa dedicação que em muitos momentos tensos da CPI fez total diferença. A forma de inquirir, de perguntar... em muitos aspectos a presença feminina fez diferença ali durante os depoimentos", afirmou a senadora Eliziane Gama(Cidadania-MA).

Letícia Sabatella: "É impossível não se posicionar contra Bolsonaro"

Letícia Sabatella - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Letícia Sabatella
Imagem: Reprodução / Internet

Diversas mulheres de outras áreas que não a política também se posicionaram no ano, entre elas a atriz Letícia Sabatella. Ao ser questionada sobre seus diversos pronunciamentos contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que é "impossível não se posicionar contra".

"Não sei se é uma questão de escolha. Porque não tem nada de bom, nada que justifique a gente precisar de um governo genocida com o país que a gente tem. É só ganância. Só poderia ter alguma paz de espírito para dar um passo e respirar, com tudo que isso pode acarretar, me posicionando contra ele", disse.

Zezé Motta - Mariama Prieto/Divulgação - Mariama Prieto/Divulgação
Zezé Motta: "Quem sofre racismo não pode engolir sapo, tem que denunciar"
Imagem: Mariama Prieto/Divulgação

A atriz Zezé Motta também falou sobre o tema. "O que a gente espera de um país que é governado por um genocida? Que nem sequer está preocupado com a situação da vacina. Estamos vivendo um momento muito triste no país, e acho que todo mundo tem que refletir bem nas próximas eleições", disse.

Zezé discutiu ainda a relação entre o racismo e a pandemia, uma vez que a covid faz mais vítimas entre a população negra. "Deve ter a ver a questão sanitária precária, pode ter a ver com falta de informação ou ficar mais exposto porque não pode deixar de sair para prover sua subsistência, dependendo da situação financeira", disse.

"A questão racial tem tantas coisas para serem discutidas, mas uma das denúncias que a gente pode fazer é que existe uma doença chamada anemia falciforme que é incidente nos negros e quase ninguém tem essa informação. Não há campanhas", alertou.

Ativista do movimento negro, Zezé falou ainda sobre a representatividade na mídia. "Você só vê um número expressivo de negros na TV, no cinema ou no teatro quando o tema é escravidão. E não é verdade que todo negro na vida real é subalterno. Nós temos cantores, atores, compositores, médicos, arquitetos", disse. "Quem sofre racismo não pode engolir sapo, tem que denunciar."


Leilane Neubarth: "Antes tinha pavor de envelhecer. Hoje só quero ser feliz"

A jornalista Leilane Neubarth - GNT - GNT
A jornalista Leilane Neubarth
Imagem: GNT


Autoestima foi um tema que aparece constantemente nas nossas entrevistas, e um dos assuntos mais discutidos foi a maneira como as mulheres lidam com a idade, o envelhecimento e a pressão por parecer jovem mesmo com o passar dos anos.

A jornalista Leilane Neubarth foi taxativa quanto ao tema. "Somos um país muito preconceituoso com o velho. O que a gente observa é que todos os adjetivos positivos são para os jovens: ele é o produtivo, o bonito, o que tem capacidade. O velho não, tem que ficar em casa, descansar, é o ranzinza, o que atrapalha", afirmou.

"Estou velha? Sim. Tenho rugas? Sim. E daí? Antes tinha pavor de envelhecer. Hoje, Hoje não estou preocupada com nada além de ser feliz. Tenho amigos, meus filhos, meu neto e minha namorada. Só procuro estar cercada por uma rede de afetos", disse Leilane.

Quem também falou abertamente sobre autoestima foi a atriz Luana Xavier, que levanta a bandeira do movimento corpo livre, para libertar as mulheres dos padrões estéticos. Apesar de dizer que melhorou sua relação com a própria aparência, Luana foi sincera, compartilhando um sentimento de muitas mulheres.

Luana Xavier - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Luana Xavier: "Por mais que levante a bandeira do corpo livre, não significa que todos os dias me olhe e ache a coisa mais linda do mundo"
Imagem: Reprodução/Instagram

"Por mais que eu levante essa bandeira do corpo livre, não significa que todos os dias eu olhe para o meu corpo e ache a coisa mais linda do mundo. Cheguei à conclusão que não odeio meu corpo, mas não estou plenamente satisfeita. A gente tem esses momentos de 'por que esse peito não é um pouco menor', por exemplo", desabafou.


Cris Rozeira: "Você pode ser mãe com outra mulher ou pode ser pai com outro homem"

A jogadora de futebol Cris Rozeira com o filho, Bento, que nasceu em 26 de abril - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A jogadora de futebol Cris Rozeira com o filho, Bento, que nasceu em 26 de abril
Imagem: Arquivo pessoal

Entre nossas entrevistas de maior destaque estão aquelas em que mulheres pediram respeito por ser quem são, e uma em especial chamou a atenção: a da camisa 11 da seleção feminina de futebol, a jogadora Cris Rozeira. Casada com a advogada Ana Paula Garcia, elas se tornaram mães de Bento, gestado por Ana Paula a partir de um óvulo de Cris, e sofreram ataques homofóbicos. Mas não se deixou abalar.

"Mesmo a gente recebendo mensagens como 'Ai, mas cadê o pai?' ou 'Olha, é a cara do pai', conseguimos atingir muitas pessoas e recebemos muitas mensagens positivas. Então eu acho que a gente acaba levando para as pessoas essa mensagem de elas acreditarem que podem encontrar uma pessoa para construir a vida, de acreditar que, sim, você pode ser mãe com outra mulher ou pode ser pai com outro homem", afirmou em entrevista.

"A partir do momento em que você passa a xingar duas mulheres juntas, a dizer que isso não é o correto da família tradicional brasileira, é isso que a criança vai entender. Eu acho que está na hora de a gente mudar um pouco esse tipo de pensamento e respeitar. É só o que a gente quer: respeito."


1ª presidente mulher da OAB-SP: "A lei que proíbe o aborto tem se mostrado pouco eficaz. Deveríamos sentar à mesa e discutir o assunto"

A presidente eleita da OAB-SP, Patrícia Vanzolini - Divulgação - Divulgação
A presidente eleita da OAB-SP, Patrícia Vanzolini
Imagem: Divulgação

Assunto sempre polêmico quando se fala em direitos das mulheres, o aborto apareceu em algumas entrevistas de quem não concorda com uma possível expansão da lei, para se aumentar o acesso. Outras, são a favor da legalização completa. As mais comedidas, porém, acreditam que é necessário, no mínimo, que uma discussão mais aprofundada se inicie com urgência.

Primeira presidente mulher da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo), a jurista Patricia Vanzolini vai por esse caminho. "Aborto é um tabu muito grande. A lei que proíbe tem se mostrado pouco eficaz. A gente sabe que os abortos clandestinos são feitos. É hipocrisia que só se pense no castigo da mulher. Deveríamos sentar à mesa e discutir o assunto", afirmou.

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