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Mulheres não gostam de política? 9 em cada 10 discordam, aponta pesquisa

Mulheres gostam de política, mas sentem falta de apoio dos partidos para disputar cargos, aponta a pesquisa "Políticas de Saia", realizada pelo Instituto Justiça de Saia  - Ponomariova_Maria/Getty Images/iStockphoto
Mulheres gostam de política, mas sentem falta de apoio dos partidos para disputar cargos, aponta a pesquisa "Políticas de Saia", realizada pelo Instituto Justiça de Saia Imagem: Ponomariova_Maria/Getty Images/iStockphoto

Ana Bardella

De Universa

25/11/2021 17h08

Provavelmente você já ouviu a afirmação de que mulheres não gostam de política. No entanto, os primeiros resultados da pesquisa online "Políticas de Saia", realizada pelo Instituto Justiça de Saia com o apoio da organização Justiceiras, mostram que esta premissa está equivocada: 9 em cada 10 mulheres discordam da frase.

Para o estudo foram coletadas respostas de 1.194 pessoas do gênero feminino, entre os dias 8 de outubro e 22 de novembro. 48% delas residem no estado de São Paulo e o restante são moradoras dos outros estados e do Distrito Federal. 73% das mulheres entrevistadas têm ensino superior completo, 60% são mães e a média de idade das participantes é de 42 anos.

O levantamento apontou que 89% das mulheres não se sentem representadas pelos homens na política e 94% delas acreditam que o número de representantes femininas em cargos políticos hoje é insuficiente. 83% são favoráveis às cotas para candidaturas de mulheres e para o fundo partidário.

Entraves no caminho rumo aos cargos

Por que, então, a participação feminina ainda é baixa neste campo? Um dos problemas, segundo o estudo, está na falta de conhecimento dos trâmites eleitorais. Das 155 mulheres que já se candidataram a algum cargo, 145 reclamaram que o partido não ofereceu preparo, capacitação nem as devidas orientações para sua candidatura. 125 delas disseram não ter recebido apoio para realizar a prestação de contas.

Questionada por Universa, a promotora de Justiça Gabriela Manssur, idealizadora da pesquisa e presidente do Instituto Justiça de Saias, afirma que, para solucionar o problema, é preciso cobrar os partidos e seus representantes. "Entendo que o principal ponto é a capacitação para a política. Muitas não sabem termos técnicos ou como resolver situações corriqueiras", afirma.

Gabriela sugere que os partidos assumam um comprometimento por escrito, oferecendo acompanhamento do início ao fim da candidatura feminina. "É necessário que tenham apoio, visibilidade e que fique claro qual o valor a ser investido na campanha e quem será o responsável pela prestação de contas. Isso dá segurança e tira a sensação de que a mulher fica 'largada' a partir do momento em que se candidata", opina.

Além disso, a idealizadora da pesquisa reforça a importância da existência de um canal interno de denúncias a fim de que candidatas e filiadas possam denunciar violências sofridas, como assédio moral ou sexual, ameaças ou agressões físicas. "Os partidos precisam ter um contato prévio com os poderes públicos, para que haja encaminhamento das denúncias. E caso a pessoa que cometeu a violência seja identificada e também faça parte do grupo, que haja uma sanção disciplinar: advertência, suspensão, afastamento ou demissão dos envolvidos", finaliza.

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