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Frequência, ritmo, fantasias: como resolver as DRs mais comuns sobre sexo

Conversar sobre sexo e abrir o jogo sobre o que incomoda é meio caminho andado para a solução - iStock
Conversar sobre sexo e abrir o jogo sobre o que incomoda é meio caminho andado para a solução Imagem: iStock

Heloisa Noronha

Colaboração para Universa

23/11/2021 04h00

Muitas pessoas fogem dela, mas não há nada mais produtivo para resolver as diferenças entre um casal do que uma discussão de relacionamento. Embora seja mais usual que homens e mulheres iniciem uma DR por questões do dia a dia —finanças, organização doméstica, cuidados com os filhos, gostos pessoais—, o sexo também costuma motivar muitos conflitos.

Frequência, ritmo e fantasias sexuais são os fatores que mais levam às desavenças. O ponto positivo é que, apesar da discordância, conversar sobre sexo e abrir o jogo sobre o que incomoda é meio caminho andado para a solução. Infelizmente, nem sempre o papo acontece de uma forma justa e ponderada, abrindo brecha para ressentimentos e, pior ainda, sem chegar a um consenso.

Para ajudar a resolver as DRs mais comuns em relação ao sexo —e melhorar as coisas na cama, claro!— vale a pena acompanhar as dicas compartilhadas por especialistas a seguir.

Frequência

Quando um gosta mais de sexo do que o outro, é importante que combinem um meio-termo. Se um quer transar seis vezes por semana e o outro não, por que não tentarem pelo menos quatro? Sexo gera endorfinas e, quanto mais transamos, mais queremos transar. E mais: se a frequência sofreu uma queda repentina, é importante que o casal converse sobre o que pode ter gerado essa diminuição. Cansaço, alterações hormonais, sobrecarga no trabalho e questões de autoestima são alguns dos problemas que, em geral, afetam a frequência sexual.

A rotina também impacta nos momentos entre quatro paredes, por isso é bom que os dois, juntos, dialoguem sobre o que estão dispostos a fazer para amenizá-la: mudar o cenário, propor brincadeiras eróticas diferentes e criativas, viajar, dormir em um motel ou hotel e transar em outro cômodo da casa são atitudes que podem renovar a relação, afetando positivamente a quantidade de vezes que o casal transa na semana.

Dica extra: é fundamental que as DRs envolvendo a frequência não soem como críticas ou acabem em juízos de valor, do tipo "você é fria", "você vive cansado" ou "você tem preguiça". Acusações só produzem mais desacerto e não chegam a lugar algum.

Ritmo

Por maior que seja a afinidade entre um casal, as personalidades e as maneiras de criação são diferentes, o que pode afetar suas visões de mundo sobre o sexo. Na prática, em se tratando de ritmo, o que isso significa? Alguém que cresceu associando sexo a amor, por exemplo, tende a gostar de um ritmo mais suave na cama, com carícias delicadas e um clima mais romântico. O parceiro ou a parceira, por outro lado, pode entender que sexo é a mais pura manifestação do desejo —e gostar de uma pegada mais selvagem, com movimentos mais fortes e vigorosos na hora H.

Mais do que encontrar um meio-termo, aqui a grande sacada é alternarem as variações. O argumento válido na DR é que, ao vivenciarem todas as formas de ritmo que puderem, terão um repertório muito mais amplo de experiências —e chances elevadíssimas de orgasmos incríveis.

Dica extra: estender a fala sobre sexo para a hora do... Sexo! Perguntas como "Gosta assim?" e frases de incentivo, como "Se eu for um pouquinho mais rápido, acho que você vai amar", podem ser muito encorajadoras, acredite.

Fantasias

Fantasias sexuais são tudo de bom numa relação e praticá-las é importante para renovar a criatividade, mas desde que os dois queiram fazer a mesma coisa. Impor ao outro qualquer prática sexual é desrespeitoso e abusivo. As conversas sobre fantasias se situam num terreno pantanoso permeado por tabus, medos e desejos nem sempre revelados por completo. É importante, no momento da própria DR, perceber além daquilo que é falado.

Às vezes, um dos dois não topa fazer algo de imediato ou por completo, mas pode pensar melhor a respeito e até mesmo colocar em parte pelo menos alguns aspectos da fantasia. E, em alguns casos, apenas falar disso ou investir numa historinha erótica já é o suficiente para saciar a curiosidade. Se o par não aceitar o que você imagina, proponha alternativas para inovar na cama de outra forma. É importante comunicar o que sente para que juntos descubram o que pode ser modificado ou até verbalizar possíveis formas de prazeres.

O diálogo a dois é fundamental nesse sentido, pois aumenta a confiança e o tesão entre o casal. E atenção: menosprezar ou criticar o que outro quer ou sente, nem pensar. Uma pergunta muito boa é: "o que você aceitaria fazer que ainda não fizemos?". Conversar sempre é a melhor solução, é uma forma de checar limites e ainda abre espaço para novas possibilidades.

Dica extra: apelar para o poder erótico de filmes e séries pode ajudar muito a desenrolar essa conversa, porque as cenas quentes são uma expressão mais, digamos, palpável de certas fantasias. O exemplo mais emblemático disso é o sucesso da trilogia "Cinquenta tons de cinza", que despertou um tesão desconhecido e levou o universo sadomasoquista para a cama de vários casais até então "caretas".

Fontes: Breno Rosostolato, psicólogo, educador sexual e cofundador do projeto de imersão para casais LovePlan; Carla Cecarello, psicóloga, sexóloga e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade); Joselene L. Alvim, psicóloga especialista em neuropsicologia pelo setor de neurologia do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e coordenadora do curso de especialização em neuropsicologia da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), e Ricardo Desidério da Silva, educador sexual e sexólogo.

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