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Menina tem tranças cortadas em escola, e mãe denuncia racismo

Menina teve tranças cortadas dentro de sala de aula no sul de Santa Catarina; colega disse que cabelo era "ruim", segundo mãe da vítima - Reprodução
Menina teve tranças cortadas dentro de sala de aula no sul de Santa Catarina; colega disse que cabelo era "ruim", segundo mãe da vítima Imagem: Reprodução

Giorgio Guedin

Colaboração para Universa, em Florianópolis

17/11/2021 15h40Atualizada em 18/11/2021 11h41

A mãe de uma adolescente de 13 anos denunciou nas redes sociais um caso de racismo registrado em uma escola estadual de Pedras Grandes, no sul de Santa Catarina. Cristina Zelma afirma que uma colega da filha cortou as tranças do cabelo da menina, dentro da sala de aula, justificando que a vítima tinha "cabelo de negro e ruim".

Em vídeo publicado no dia 10 de novembro, a mulher desabafou. "A minha filha usa aquelas trancinhas e uma colega cortou as tranças dela. A minha filha virou para trás e perguntou por que ela tinha cortado e a menina falou que quis cortar e que o cabelo da minha filha era de negro e que era ruim. Simples assim", disse.

A mãe detalha ainda que a filha teria pedido à professora para ir a secretaria comunicar o ocorrido, mas a professora negou, mandando a adolescente "sentar e se acalmar". A ação contra o cabelo da estudante teria se repetido no dia seguinte, no ônibus escolar. Diante disso, a menina afirmou à mãe que não iria mais para a escola e que pediu para tirar o restante das tranças do cabelo.

Uma conversa entre a coordenação e a aluna aconteceu na última semana, mas em nenhum momento, segundo a mãe, foi perguntado sobre seu estado diante dos ataques. Cristina finaliza o vídeo pedindo por ajuda.

A reportagem do UOL entrou em contato com a mulher, que preferiu não se manifestar. Duas advogadas que fazem parte de uma instituição que luta a favor de causas raciais, passaram a prestar apoio à família após a publicação do vídeo.

"A família segue muito abalada, buscando ainda resguardar a integridade física e psicológica da menina e de todos os envolvidos. Em decorrência de todo o caso, a menina recusa-se ir à escola" afirmou Alice Reis, a Universa.

As advogadas pediram que as atividades da estudante sejam realizadas em formato remoto, ao menos até o fim do ano letivo de 2021.

A família da menina e as advogadas registraram a ocorrência na delegacia no dia de ontem. A Universa, o delegado responsável pelo caso, Willian Meotti, informou que foi aberto um auto de apuração na Polícia Civil de ato infracional de injúria racial.

A menina suspeita ainda não foi ouvida. Por ser menor de idade, não foi possível ter acesso à sua defesa.

Secretaria de Educação se manifesta

A SED (Secretaria de Estado da Educação) se manifestou por meio de nota, em que afirma que "está ciente e tomando providências em relação à denúncia de racismo envolvendo os alunos". Diz ainda que "também garante todo apoio a vítima e a preservação da identidade dos envolvidos".

Por fim a secretaria afirma que "lamenta e repudia qualquer conduta discriminatória ou preconceituosa e reforça que preza por um ambiente escolar inclusivo e acolhedor, trabalhando para promover uma Educação Básica orientada para os direitos humanos e a igualdade racial."

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