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Ela criou empresa de educação infantil em casa: 'Após ser mãe, vi demanda'

Marcella Cohen fundou a Poppins, escola de educação infantil domiciliar, após perceber a dificuldade de conciliar trabalho e maternidade  - Arquivo pessoal
Marcella Cohen fundou a Poppins, escola de educação infantil domiciliar, após perceber a dificuldade de conciliar trabalho e maternidade Imagem: Arquivo pessoal

Caroline Marino

Colaboração para Universa

09/11/2021 04h00

Há cinco anos, a carioca Marcella Cohen, de 32 anos, viu sua vida mudar com o nascimento da sua filha, Olívia. Na época, ela trabalhava na área de marketing de uma multinacional e a volta da licença-maternidade foi desafiadora.

"Lembro com clareza de conversar com a pediatra sobre o que seria melhor: contratar uma babá ou mandar para a escola. Ela me disse que, até os dois anos, a criança está formando o sistema imunológico e o ideal é que fique em casa. Mas havia dúvida sobre se quem ficasse com ela seria capaz de estimulá-la nessa fase como necessário", lembra.

Marcella conta que foi um dilema doloroso, pois, por um lado, pensava na segurança e na saúde da filha e, por outro, no desenvolvimento necessário. Como na empresa em que trabalhava havia um berçário, ela optou por deixar a filha lá. No entanto, de tempos em tempos, Olívia ficava doente e precisava ir para casa. "Era muito difícil, eu precisava me virar nos 30 para conciliar carreira e maternidade", diz.

Olívia foi crescendo, mas Marcella ficou com essa questão na cabeça. Até que, em 2019, ela começou a estruturar sua empresa. "Eu me questionei se poderia ajudar as mães no desenvolvimento pedagógico de seus filhos ou treinar uma babá para isso. E comecei a testar o serviço com algumas amigas para ver se fazia sentido". Esse período coincidiu com a pandemia e ela viu com clareza que existe essa demanda.

Havia muita gente em home office com dificuldade de conciliar o trabalho com a atenção aos filhos. A pandemia trouxe uma luz para essa questão.

Marcella percebeu que existia mercado, pediu demissão do emprego e criou a Poppins, uma empresa de educação infantil domiciliar. O objetivo é oferecer aos pais uma nova forma de educar as crianças nessa fase da primeira infância, recriando a experiência de uma escola dentro de casa. O negócio, cujo nome foi inspirado no filme clássico da Disney "Mary Poppins", nasceu há seis meses e, segundo Marcella, já faturou R$ 240 mil. A perspectiva é chegar a R$ 700 mil com um ano de empresa e beneficiar ainda mais famílias.

Educação personalizada

Por meio de atividades e planos pedagógicos individualizados, as educadoras potencializam o desenvolvimento de crianças de quatro meses até os quatro anos de idade em suas próprias casas. "Temos muitas atividades sensoriais que exploram os cinco sentidos. Trabalhamos com diferentes texturas, tapetes e painéis para a criança descobrir o mundo", explica Marcella. A Poppins, que já atendeu 50 famílias, também oferece atividades de reforço para crianças que já estão na escola e, até mesmo, um suporte para aquelas que estão na transição.

Todas as educadoras são formadas em pedagogia, psicologia ou letras e passam por um processo seletivo rigoroso, que envolve treinamentos virtuais e presenciais e contam com o apoio de uma diretora e uma coordenadora pedagógica.

Na pandemia, muitas delas tiveram a carga horária reduzida ou foram demitidas. Vi que existia uma mão de obra disponível muito aberta a uma nova forma de ensinar.

A empresa conta com 25 educadoras alocadas em projetos e oferece planos flexíveis, com opções de alguns dias na semana, meio período ou período integral. Um plano individual de duas vezes por semana, 4 horas por dia, custa a partir de R$ 1.640 por mês. Já um plano em grupo de até três crianças por educadora, duas vezes por semana, sai a partir de R$ 820 por mês.

Além de atender nas casas, a empresa tem uma parceria com a B2 Mamys, que capacita e conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia. A Poppins recebe as filhas dessas empreendedoras em um espaço de desenvolvimento, servindo como rede de apoio.

Quebrando paradigmas

O objetivo da empresa é quebrar paradigmas — e não apenas do lado dos pais. Segundo Marcella, muitas das profissionais de educação nunca se imaginaram como educadoras domiciliares, nem que podiam planejar de forma mais estruturada suas carreiras. Nesse sentido, a empreendedora traz alguns temas do mundo corporativo para dentro da Poppins. "Converso muito com elas sobre onde se imaginam daqui alguns anos e qual lacuna querem preencher. Quando falo sobre os benefícios do homeschooling e de olhar de forma individual para cada aluno, elas adoram".

A experiência em grandes empresas também trouxe uma visão de gestão e negócios importante para o desenvolvimento da Poppins. Marcella consegue enxergar o negócio — onde está e onde quer chegar —, com planos estruturados e visão de curto, médio e longo prazos.

Eu trabalhei para desenvolver um mercado que ainda não existia, mas que tem muito potencial. Temos hoje no Brasil 20,6 milhões de crianças de zero a seis anos e metade não está em nenhuma instituição de ensino.

Estar em um segmento novo é um desafio. "Trabalho com uma mudança de pensamento. Tento primeiro convencer meus clientes de que sou uma possibilidade e, depois, de que sou a melhor. Em todo atendimento tenho 30 minutos para explicar o meu negócio. Gasto tempo, energia e dinheiro para explicar quem sou, tanto para as famílias quanto para as educadoras", conta Marcella.

A empresa passa, agora, por um processo de aceleração chamado Pulse 10, realizado pela B2 Mamy e pela Huggies. "Empreender foi o presente que minha filha me deu. A empresa nasceu depois de eu ser mãe e enxergar essa dificuldade. Olhar e ver tudo que evoluímos me faz entender que eu encontrei meu verdadeiro propósito", completa Marcella.

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