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'Uso o pole dance para transformar a vida das mulheres: Não é só de boate'

A professora Vanessa Costa criou a escola de formação de pole dance Ultra no Rio de Janeiro - Arquivo pessoal
A professora Vanessa Costa criou a escola de formação de pole dance Ultra no Rio de Janeiro Imagem: Arquivo pessoal

Vanessa Costa em depoimento a Roseane Santos

Colaboração para Universa

05/11/2021 04h00

"Meu nome é Vanessa Costa, tenho 40 anos e abri a primeira escola de pole dance no Rio de Janeiro, chamada Ultra. Tenho uma origem humilde, cresci no subúrbio carioca. A minha mãe é professora e meu pai deixou a nossa casa quando eu tinha apenas dois anos de idade. Ele saiu sem olhar para trás. Nunca se preocupou com minha formação ou se eu precisava de alguma coisa. Tenho poucas memórias dele durante minha infância.

Eu poderia ter seguido vários caminhos, mas minha mãe sempre me mostrou a importância dos estudos. Uma frase dela que nunca esqueci: podem tirar tudo de você, mas o conhecimento ninguém nunca vai tirar. Minha mãe exigia sempre as melhores notas e, em troca, me deixava fazer o que eu gostava: dançar.

Eu sempre amei dançar e foi a dança me conectou com o meu futuro. Aos 17 anos passei no vestibular e fui estudar Ciências Sociais na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Eu tinha que bancar meus estudos então comecei a trabalhar como operadora de telemarketing, vendendo serviços de dedetização por telefone. Depois fui contratada por uma multinacional. Estudava pela manhã, trabalhava meio período à tarde e, à noite, dava aula de dança.

Empreendi pela primeira vez montando uma escola de dança árabe. Com essa vivência da cultura árabe, viajei para outros países fazendo apresentações. Em uma dessas viagens, me deparei com um show do Cirque du Soleil. Conheci assim o pole acrobático. Em 2008, não só o Brasil como o mundo todo começou a praticar a pole como atividade física, por conta de uma pole dancer britânica que criou um DVD internacional com aula.

Quando fui para a Argentina, a minha cabeça abriu e entendi que pole dance não era somente uma dança de boate, mas podia ser uma prática física.

Naquela altura, eu já estava cursando a minha segunda faculdade, de Direito. Quando voltei para casa, fiz uma base de ferro e comecei a treinar. Descobri que, na Argentina, o pole era mais conhecido do que o pilates. Fui para lá começar a me especializar.

Vanessa Costa - Arquivo pessoal  - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Preconceito contra 'dança de boate'

Existe muito preconceito contra pole dance. Já tive aluna que o marido não podia saber que ela praticava, já vi marido proibindo de postar foto ou vídeo preocupado com o que os outros iriam pensar. Por outro lado, também vi marido que, no começo, não apoiava a mulher, mas depois viu o esforço dela e acabou a incentivando a ser professora.

Uma vez a aluna chegou acompanhada do marido, que falou que em qualquer boate tinha "aquilo". Eu disse para ele me apresentar às pessoas dessas boates, porque ele devia frequentar muito esses lugares e conhecê-las melhor do que eu. Ele então ficou em silêncio. Eu nunca deixei que o preconceito impedisse de seguir com meu trabalho. Sempre estive certa do que estava fazendo.

Há quatro anos iniciei um processo de transição de carreira, que coincidiu com uma grande mudança. Eu me divorciei, encontrei o grande amor da minha vida e mudei de cidade. A minha vontade de impactar a vida das mulheres aumentou e eu percebi que somente o pole não seria mais suficiente para trazer as reflexões e mudanças que eu tanto quero ver nas mulheres. Agora meu público feminino é mais velho, da minha faixa etária, 40 anos.

Vanessa - Arquivo pessoal  - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Ferramenta de transformação

Há quatro anos iniciei uma nova graduação em nutrição e duas especializações simultâneas: em comportamento alimentar e coach nutricional e em saúde da mulher. A minha escola de formação em pole dance virou uma marca licenciada. Todas as pessoas que queiram ter a dança como ferramenta transformadora em suas vidas poderão por meio das licenças. Porque as mulheres querem mais do que simplesmente melhorar a autoestima e a qualidade de vida, elas querem ter autonomia e independência.

Eu usei o pole para construir uma trajetória incrível, da qual eu me orgulho muito, e ensino isso às alunas dos meus cursos de formação.

O meu estilo não é o sensual nem o exótico, eu não uso o pole como ferramenta transformadora de autoestima nem de empoderamento, mas reconheço o poder que a atividade tem nas mulheres.

Meu objetivo é ensinar a todas as praticantes — principalmente aquelas que querem se profissionalizar — a chegar onde eu cheguei, aprendendo sobre empreendedorismo, administração e aplicação de uma técnica perfeita, fazendo com que o pole cumpra seu papel transformador trazendo saúde e bem-estar."

Vanessa Costa, 40 anos, é fundadora da escola de pole dance Ultra no Rio de Janeiro (RJ).

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