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ABNT propõe nova norma para os tamanhos de roupa: o que muda nas lojas?

Medida visa padronizar o tamanho das roupas femininas no país  - iStock
Medida visa padronizar o tamanho das roupas femininas no país Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

01/11/2021 04h00

Quem nunca saiu do provador de uma loja surpresa por não conseguir usar uma peça exatamente do número ao qual está acostumada por ela ficar grande ou pequena demais? É na tentativa de evitar essa disparidade entre as confecções que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) trabalha pela aprovação da norma NBR 16933, que visa padronizar os tamanhos de roupas femininas no país.

Para chegar a um consenso sobre as medidas, o Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário utilizou como base principal a pesquisa "Size BR", conduzida entre 2006 e 2015 pelo Senai Cetiqt, além de contar com a participação do Senac, de modelistas e de representantes de magazines.

A estimativa do órgão é de que a norma passe a valer a partir de dezembro, após passar pela segunda consulta pública. "Nosso objetivo é que, daqui a alguns anos, ninguém mais diga que usa 'tamanho 42', mas, sim, os seus centímetros da cintura e do busto", explica Maria Adelina, gestora do comitê.

Ela ressalta, no entanto, que as confecções têm liberdade para adotar ou não a tabela de medidas. "Ao nosso ver, aquelas que adotarem serão beneficiadas por atender melhor às necessidades dos consumidores. Mas não existe nenhuma lei em vigor que as obrigue a fazer isso", aponta.

Uma questão antiga

Há tempos a ABNT tenta implementar uma padronização dos tamanhos no vestuário feminino sem sucesso.

A última norma relativa à questão foi aprovada em 1995 e deixou de valer em 2012, por ter as medidas bastante simplificadas. "Historicamente a numeração que conhecemos hoje no Brasil representava a medida da peça planificada. Por exemplo, para etiquetar uma calça, era preciso colocá-la sob uma superfície plana e medir o cós. Nessa lógica, uma peça de tamanho 40 seria voltada para alguém com 80 cm de cintura", diz.

O método se tornou ultrapassado em função dos modelos e tecidos que surgiram ao longo do tempo. "Ele não leva em conta as peças com elasticidade e nem o fato de que, a partir da década de 90, muitas calças deixaram de ter a cintura alta e passaram a ser medidas na altura do osso da bacia", observa. Ao longo do tempo, o órgão procurou estabelecer um novo sistema de padronização, mas não conseguiu, pela falta de consenso entre as partes envolvidas.

Atualmente somente os vestuários infantil e masculino têm as normas bem definidas. "Infelizmente algumas marcas se aproveitam dessa liberdade para atuar no estilo 'me engana que eu gosto', associando padrões mais largos a numerações menores. Com isso, a consumidora tem a sensação de que aquela loja, sim, entende seu corpo", comenta.

Para que o processo tivesse andamento, a tecnologia foi importante. Na pesquisa conduzida pelo Senai Cetiqt, além das pesquisas teóricas, também foi feita a medição através de um aparelho capaz de escanear o corpo humano com precisão em 3D, chamado de Body Scanner.

Brasileiras têm corpo retangular, não "de violão"

Ao contrário do que o senso comum imagina, a maioria das mulheres brasileiras não se encaixa no corpo em formato de ampulheta ou "violão", mas, sim, na categoria retangular.

"Para o estabelecimento da norma, levamos em conta que 80% da população feminina tem o corpo do tipo 'retângulo'. Para algumas pessoas, esse formato remete à figura de uma caixa ou geladeira, mas não significa isso. Todos os corpos têm uma concavidade na altura da cintura, porém, nos corpos retangulares ela não é extremamente acentuada", detalha. Ou seja: esse biótipo tem os perímetros do tórax e do quadril com medidas similares e uma cintura proporcional.

O que muda nas lojas?

O Inmetro, órgão que regulamenta e fiscaliza a etiquetagem, estabelece apenas que as marcas devem colocar um tamanho nas peças, mas não especifica como. Logo, mesmo depois de a norma começar a valer, elas são livres para usarem as tabelas de medidas que mais se adequarem ao seu modelo de negócio. Na visão de Maria Adelina, no entanto, quem aderir à norma vai oferecer um serviço de mais qualidade ao consumidor final.

"Além de se basear em proporções mais adequadas no momento da confecção, em vez de informarem nas etiquetas simplesmente a letra 'M', por exemplo, elas poderão incluir para quais tamanhos de cintura e busto aquelas peças são adequadas. Essa é a grande transparência, que tira da mulher o pensamento de ficar se condenando pelo tamanho da roupa", aponta.

Marcas apoiam a padronização

Maria Adelina relembra que grandes redes de lojas participaram da análise da norma e, por isso, muitas estão de acordo com a novidade. Procurada por Universa, a marca Renner se posicionou a favor da sua adesão. "Acreditamos que ter uma tabela referencial de tamanhos em todo o mercado pode proporcionar aos consumidores uma melhor experiência de compra, uma vez que eliminaria o conflito de tamanhos entre as diferentes varejistas. Isso é colocar o cliente no centro", disse por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa.

A Renner informou que utiliza como referência atualmente a tabela de medidas construída pela pesquisa "Size BR". "100% das nossas peças estão de acordo com ela, que possibilita a identificação mais precisa das características físicas da população e de corpos reais", informou.

Também foram procuradas por Universa as marcas Marisa, C&A, Hering e AMARO, mas não obtivemos retorno até o fechamento da matéria.

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