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Influenciadora faz sucesso exaltando marcas na pele da virilha: 'É normal'

Isabella Davis, influenciadora australiana, fala sobre autoestima e respeito ao próprio corpo para mais de 145 mil seguidores no Instagram - Reprodução/Instagram
Isabella Davis, influenciadora australiana, fala sobre autoestima e respeito ao próprio corpo para mais de 145 mil seguidores no Instagram Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

26/10/2021 04h00

Na linha do tempo do Instagram, surge a foto de uma parte do corpo de uma mulher que muitas querem esconder. A virilha da influenciadora australiana Isabella Davis, cheia de bolinhas e marcas na pele, está em evidência. No centro da imagem, uma mensagem simples: "Isto é normal".

O post em que Isabella, de 25 anos, mostra como é sua pele por causa do uso de lâminas para raspar os pelos pubianos ganhou repercussão na rede social. Páginas que abordam autoestima feminina divulgaram a foto, celebrando o fato de a influenciadora publicar o registro de um corpo natural, sem edições de imagem.

"Percebi que, se eu tinha marcas da lâmina, outras pessoas também deveriam ter e era importante para mim mostrá-las para que se sentissem vistas, representadas e fortalecidas", contou a produtora de conteúdo para Universa.

Para falar com liberdade e respeito do próprio corpo, Isabella passou por um périplo marcado por dietas restritivas e sentimentos negativos em relação a sua própria imagem, o que a fez ter transtorno alimentar. Hoje, com mais de 145 mil seguidores no Instagram, ela divide sua história de reencontro com o bem-estar corporal.

Em cada publicação, há uma frase sobre o medo de engordar e as pressões estéticas que mulheres sofrem por isso. Na foto abaixo, ela apenas escreveu: "Eu ganhei peso".

São publicações em que ela mostra seios naturais, estrias, celulites, dobras nas pernas e na barriga. Um corpo comum. "Ganhar peso foi a melhor coisa que já fiz e sou muito grata pela minha recuperação".

Leia o relato da influenciadora a seguir.

"Pele não deve ser lisa, ela tem textura'

Resolvi publicar as fotos da minha virilha porque nunca tinha visto uma imagem assim on-line. Sabia que seria difícil para algumas pessoas, mas também sabia que precisavam vê-la. Eu tenho marcas de lâmina desde que comecei a raspar e costumava pesquisar maneiras de removê-las. Mas nada funcionou. Decidi apenas abraçá-las.

Percebi que, se eu tinha inchaços por causa da lâmina, os outros também deveriam ter, e era importante para mim mostrá-las para que os outros se sentissem vistos, representados e fortalecidos.

Eu costumava ser obcecada em ter uma pele lisa e sem manchas. Mas agora sei que a pele não deve ser lisa e sem manchas porque a pele é texturizada. E a textura é extraordinária.

Acho que as celulites também deveriam ser mais naturalizadas. Somos constantemente informadas de que a celulite é vergonhosa e uma falha, quando é natural e normal. É apenas pele sendo pele.

Além dessa questão, eu tinha uma relação muito tóxica com meu corpo. Comecei a fazer dieta com 13 anos e levei meu corpo ao extremo quando se tratava de exercícios. Para ter ideia, me inscrevi para um 'desafio de corpo de biquíni' quando tinha 16 anos, porque estava desesperada para perder peso para o meu baile de formatura.

Logo depois fiquei obcecada em restringir minha alimentação e me exercitar. Desenvolvi um distúrbio alimentar quando tinha 17 anos e foi muito ruim. Entrei na recuperação do transtorno quando tinha 19 anos, mas ainda estava fazendo uma dieta com restrições alimentares e um dia 'liberado'.

'No lockdown, descobri nova forma de apreciar meu corpo'

isabella - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Na pandemia, Isabella ganhou peso e passou a falar sobre a questão na rede social, para ajudar outras mulheres a se amarem e respeitarem
Imagem: Reprodução/Instagram

Aos 23 anos, o mundo entrou em lockdown e parei de fazer dieta. Voltei a consumir os alimentos que minha alma anseia e precisa. Comecei a engordar, mas também descobri uma nova apreciação pelo meu corpo. Passei a me exercitar porque meu corpo queria se movimentar e não para puni-lo.

Com isso, também aprendi a valorizar cada inchaço e bolinha da pele. Hoje, aos 25 anos, posso dizer que meu corpo está mais macio e redondo do que nunca. E está muito mais feliz!

"Ganhar peso foi a melhor coisa que já fiz"

Durante a recuperação do transtorno alimentar, percebi que ganhar peso não é uma coisa ruim. Isso salvou minha vida. Me devolveu minha energia, me permitiu crescer, evoluir. Ganhar peso foi a melhor coisa que já fiz e sou muito grata pela minha recuperação.

Quando engordei, ninguém comentou sobre meu corpo, mas, quando estava lutando contra o transtorno, sempre me diziam: "Você está incrível", o que era muito confuso. Isso me fez perceber o quanto a sociedade idolatra a perda de peso e envergonha o ganho de peso, mesmo quando esse ganho de peso salva sua vida.

Trabalhei muito para ficar confortável com meu corpo. Posso finalmente dizer que o amo não apenas por sua aparência, mas pelo que ele faz por mim. Em alguns dias, ainda experimento momentos de baixa autoestima corporal, mas em vez de odiar meu corpo nesses dias, escolho ser gentil com ele. Você não tem que amar seu corpo todos os dias. Você nem precisa olhá-lo, mas deve tentar pelo menos ser gentil com ele.

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