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Mari Ferrer faz post sobre homens hétero e consentimento no sexo. Entenda

No início do mês, o caso de Mari Ferrer teve um novo episódio: o empresário André de Camargo Aranha foi absolvido em segunda instância por unanimidade pelo TJSC - reprodução / Instagram
No início do mês, o caso de Mari Ferrer teve um novo episódio: o empresário André de Camargo Aranha foi absolvido em segunda instância por unanimidade pelo TJSC Imagem: reprodução / Instagram

De Universa

17/10/2021 15h20

Na noite do último sábado (16), a influenciadora Mariana Ferrer usou seu perfil no Twitter para repostar uma mensagem sobre a importância do 'consentimento' nas relações sexuais. Direcionada especialmente aos homens héteros, a imagem compartilhada traz uma mulher segurando um cartaz com a frase: "Dê uma dedada no c* de um homem hétero durante o sexo, e perceba: eles sabem muito bem o que é consentimento.

No início do mês, o caso em que Mari Ferrer foi acatada como vítima teve um novo episódio: o empresário André de Camargo Aranha, acusado pela Justiça por estupro de vulnerável contra a jovem, foi absolvido em segunda instância por unanimidade pelo TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina). A sentença alegou falta de provas.

A imagem repostada por Mari é mais um dos exemplos reforçados por mulheres de situações que podem levar a abusos e assédios. Que tipo de lição a mensagem do cartaz pode trazer aos homens, já que, para especialistas ouvidas por Universa, consentimento é assunto que deve ser discutido na sala de casa?

Post divulgado por Mari Ferrer sobre "consentimento": lições

No dicionário Aulete, a palavra "consentimento" é definida como "permissão para que alguém faça algo; declaração de que não há objeção ou discordância". De fato, o vocábulo parece não ser nebuloso. Por que fica, então, quando o assunto é a relação entre homens e mulheres?

A resposta pode estar no fato de vivermos inseridos em uma cultura machista, em que, além de machucar mulheres simbólica e fisicamente, menospreza o consentimento da mulher — seja quando ela avisa que não quer fazer sexo com um parceiro ou quando é assediada em diferentes ambientes sem a sua anuência, entre tantas outras hipóteses que reafirmam violências originadas da "cultura do estupro".

Trazer o tema para a roda masculina, assim, é uma das formas de mudança desse pensamento machista, como explicou a promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos, em matéria de Universa. "É preciso ter consciência de que os corpos das mulheres não estão à disposição para serem usufruídos pelos homens, e que temos o direito à liberdade e à dignidade sexual preservado".

Para a psicóloga Thalita Martignoni, é a partir de valores machistas que se firma o entendimento de que o homem tem domínio sobre o corpo da mulher. Algo que as lutas das mulheres por igualdade e o feminismo tentam derrubar.

"Às vezes, isso acontece de forma sutil: o domínio passa despercebido em piadas, na banalização do corpo feminino, em letras de músicas que objetificam o corpo da mulher. Muitas vezes o sujeito nem se dá conta de que está reproduzindo a lógica machista em suas ações, pois entende que isso é natural", destacou a especialista.

Sexo sem consentimento pode ser enquadrado, sim, como estupro. E, desde 2009, no Brasil, o crime não é só tentar penetração sem consentimento da vítima. Ele se configura em outros atos libidinosos, como masturbação e sexo oral, sem o consentimento da outra parte ou quando ela é menor de 14 anos.

"Meu corpo, minhas regras" vale para todos

A publicação que Mari Ferrer reproduziu — que até agora tem 7 mil curtidas e mais de mil compartilhamentos no Twitter — ainda traz à luz um tabu que se reforça entre homens heterossexuais: o do prazer anal. Em entrevista para Universa, a sexóloga Paula Napolitano também destacou que o "movimento proibido" tem a ver com uma criação machista a que somos submetidos — e o homem ao ser tocado na região passa a acreditar que isso está relacionado à homossexualidade, sobrepondo uma carga negativa à ideia.

A situação, no entanto, serve para mostrar que consentimento sexual é algo que deve estar em primeiro lugar nas relações e que ; do contrário, o caso pode ser de importunação sexual, estupro, estupro de vulnerável, assédio sexual, entre outras violências.

*Com informações das matérias O que tem de cultura do estupro nas mensagens de Robinho e amigos?; Por que consentimento é assunto para o almoço de família?; Estupro: o que é, qual a pena, quando é possível denunciar e outras dúvidas e "Não toca na minha bunda": homens falam de prazer anal e como romper tabu.