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Japamala é instrumento que ajuda na meditação e traz proteção. Saiba mais

Mulher adulta faz a série da ioga com japamala - knape/Getty Images
Mulher adulta faz a série da ioga com japamala Imagem: knape/Getty Images

Claudia Dias

Colaboração para Universa

07/10/2021 04h00

Um colar com 108 contas, usado para entoar mantras, principalmente entre monges tibetanos, tem ganhado cada vez mais espaço na cultura ocidental. Trata-se do japamala, item bastante útil na meditação e que também pode ser adotado como elemento de proteção, tanto pessoal como da casa.

Seu nome vem do sânscrito, segundo a terapeuta holística Elaine Caetano, da Arqueologia do Ser. Japa significa "sussurrar, rezar, murmurar" e Mala, "cordão, colar".

"Não sabemos a data específica de origem, mas calcula-se em torno de 3 mil anos antes de Cristo. Surgiu no budismo e hinduísmo e é conhecido globalmente como terço budista, sendo o predecessor tanto do terço católico como de outros colares de contas", diz a especialista.

Elaine acrescenta que uma das teorias sobre o surgimento do japamala seria a necessidade humana de se concentrar para conseguir conexão com o sagrado. "Pela dificuldade em se conectar com algo que não pode ser visto ou tocado, apenas sentido, foi criado o instrumento que faz essa conexão, inspirado por uma força superior", explica.

Por que 108 contas?

De acordo com Elaine, o número 108 corresponde ao resultado da multiplicação de 9 com 12, sendo que o 9 representa a manifestação do plano divino, enquanto 12 é uma associação a várias referências - 12 apóstolos de Jesus Cristo, 12 legiões de anjos, 12 meses do ano etc. "Ao repetirem um mantra 108 vezes, as pessoas manifestam o resultados de todas essas forças, que é a vontade de Deus", argumenta.

Mantra é uma forma de meditação que recorre a sons, frases ou palavras capazes de estimular o sistema nervoso central, segundo Elaine. "'Man' vem de 'mente' e 'Tra' significa 'entrega'. "Um mantra transmite a nossa realidade, tanto física quanto mental, de acordo com o que seu som evoca", aponta.

Entre as possibilidades de mantras, pode-se recriar padrões de pensamentos, associando ideias positivas em vez de negativas ou rebatendo crenças limitantes, por exemplo. A ideia é que a repetição de um mantra vá se tornando uma verdade para a pessoa, de tanto ser entoado.

O japamala é justamente o instrumento para ajudar que ninguém se perca nem se distraia na contagem das entoação. A ferramenta também carrega a energia das evocações praticadas, transformando-se em uma espécie de talismã.

"Além disso, seu uso leva a um maior controle do movimento respiratório, diminuição de pensamentos negativos e aumento de emoções positivas", acrescenta Elaine.

Ganhar, comprar ou confeccionar

Os japamalas mais antigos costumavam ser feitos com a madeira de árvores consideradas sagradas ou sementes. Tais matérias-primas ainda são usadas, assim como pedras, ossos e mais uma infinidades de elementos.

A estrutura, entretanto, não muda. O "cordão" é a parte mais discreta, porém, a mais importante, pois mantém todos os elementos em conexão. Além das contas padronizadas, há o chamado "meru", que é maior e se localiza no início e/ou final do japamala. "Representa o Divino, o mestre, o universo", afirma Elaine.

Entre as contas ficam os "nós" que as separam, podendo ser substituídos por peças bem menores, que funcionam como entremeios. Por fim, a franja abaixo do "meru" leva o nome de "tassel".

"Simboliza a energia fluindo. Seus fios individuais se movimentam e fluem a todo o momento e em constante mudança. Dizem que é a proteção do japamala, pois toda energia densa é dissipada pelo movimento de sua franja", comenta a terapeuta holística.

Ela, que ministra oficinas de confecção de japamalas, explica que a peça não precisa, obrigatoriamente, ser comprada ou ganhada. Também pode ser feita pela própria pessoa.

"É uma conexão linda escolher os elementos e manuseá-los. Ao criar o seu japa, você consegue sentir e compreender essa prática em você", afirma Elaine, frisando que a ferramenta é de uso pessoal e não deve ser repassada a outra pessoa.

Proteção pessoal ou de espaços

Há quem adote o japamala como item de proteção, usando-o no pescoço ou enrolado no pulso. Diferente de um acessório, o item mantém o propósito de servir de conexão com o sagrado.

"Ele absorve a energia que intencionamos nele. Sendo assim, é como se o programássemos. Se for para proteção, assim ele será. Se for para purificação ou harmonização, também", comenta Elaine.

Por isso é que existem japamalas com contas grandes, adotados como guirlandas no adorno de portas de entrada de casas ou estabelecimentos comerciais.

Como cuidar do japamala

A peça deve ser guardada com cuidado, por ter esse perfil de sagrado. Pode ser deixada em um altar em casa ou mantido em caixinhas de madeira.

É possível, ainda, receber manutenções energéticas. Incensos e mix de ervas queimadas podem ser usados nesse contexto - no caso, passe o japamala algumas vezes pela fumaça, intencionando a limpeza.

Outra maneira é acender uma vela branca (a cor representa purificação e o fogo tem a capacidade de transmutar energias) e passar o japamala por cima da chama.

"O sol também energiza, carregando-o com energias positivas. Porém, não deixe por mais de 2 horas, evitando que o danifique. A luz da lua é outra potente fonte de energia positiva. Deixe seu japa sob a luz da lua, de preferência na fase cheia, tomando o cuidado de cobrir com uma toalha por conta da umidade da noite", ensina Elaine.

Por fim, o som é mais um aliado e emite uma vibração poderosa, permitindo a remoção de impurezas energéticas. Nesse caso, a alternativa é adotar taças tibetanas ou músicas com mantras de limpeza energética.