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Ela ganhará R$ 50 milhões em 2021 com startup que investe salões de beleza

Carolina Mendes, fundadora da startup gal, - Dário Matos/Divulgação
Carolina Mendes, fundadora da startup gal, Imagem: Dário Matos/Divulgação

Caroline Marino

Colaboração para Universa

23/09/2021 04h00

Dois pilares movem a trajetória da paulistana Carolina Mendes, de 25 anos, a inspiração e a vontade de fazer diferença na vida das pessoas. No início da carreira, ela queria trabalhar no mercado financeiro por influência da mãe. "Fui criada por uma mulher forte que sempre me inspirou", diz. Carolina chegou a ser primeira presidente mulher do InFinance, empresa júnior do setor de finanças do Insper. Até que uma palestra mudou (um pouco) seu caminho. Em 2014, quando estavam surgindo algumas empresas de tecnologia por aqui, ela viu uma apresentação sobre a história da 99Taxi que a deixou encantada. Ali suas duas paixões se uniram e o empreendedorismo entrou em sua vida. "Eu me identifiquei muito com o perfil empreendedor: de questionar, de não se acomodar e de criar um impacto positivo no mundo", conta.

Ao pesquisar o mercado e as demandas do público feminino - seu foco de trabalho -, chegou aos salões de beleza e foi a campo. "Conversei com donas de cerca de 100 salões e identifiquei que o principal desafio era separar as comissões dos profissionais", diz. Diante dessa experiência, Carolina viu uma oportunidade de trazer mais conhecimento e suporte financeiro ao segmento.

Assim, em 2016, iniciou seu primeiro negócio, a intech LaPag, que conta com uma maquininha que transfere, automaticamente, os pagamentos dos salões de beleza para os prestadores de serviço. "Na época, eu não tinha dinheiro e vendia brigadeiros na faculdade para financiar o negócio", lembra. Segundo ela, essa foi uma das lições mais importantes que teve, pois a ensinou a ter humildade, algo essencial para o empreendedor.

Com o passar do tempo, a empreendedora identificou que os desafios desse mercado iam além da tecnologia e do escopo da LaPag. Surge em 2020, então, a gal, uma rede agregadora de salões de beleza que atua na profissionalização do mercado de serviços de beleza. O nome gal, (assim com vírgula mesmo) significa mulher e a marca é utilizada como um prenome seguido do nome do salão de beleza agregado, por isso é seguido da vírgula.

"Na prática, percebi que os salões não são estabelecimentos preparados para o varejo: o cliente não tem acesso a todo o cardápio de serviços, nem sempre a fachada é pensada e a gestão de estoque costuma ser confusa. Dessa forma, acabam não tendo a máxima fidelização e o dono não consegue ter mais dinheiro no bolso", diz.

Combustível para crescer
Em junho deste ano, a empresa conquistou um aporte de R$ 40 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Monashees e com participação do Canary e dos investidores-anjo José Galló, presidente do conselho da Renner, e Renato Freitas, fundador da 99, a tal empresa que a inspirou lá trás. "Foi muito especial tê-lo como investidor-anjo", diz.

Com a conquista do aporte, Carolina quer que as mulheres jovens saibam que têm oportunidades para elas. "Nossa credibilidade sempre vai ser questionada, mas dá para fazer acontecer. Quando pensei na gal, sabia que precisaria de pessoas boas ao meu lado e de investimento, e trabalhei duro para conseguir", diz.

"E isso aconteceu por capricho. Levo uma frase de Mario Sergio Cortella sempre comigo: 'capricho é fazer o melhor que você puder, nas condições que você tem, até o momento em que você pode fazer ainda melhor'", completa. E o capricho deu certo. A expectativa do negócio para este ano é chegar a marca de 150 salões e alcançar R$ 50 milhões em faturamento.

Educação como base do crescimento
Carolina construiu a gal, em cima de uma visão colaborativa e tendo a educação como base. Ela trouxe sua expertise em tecnologia e se baseou em um sistema de gestão como ferramenta para gerar inteligência com o intuito de melhorar a experiência das clientes e alavancar os negócios dos salões, a partir da clusterização, algo como a segmentação de clientes; da categorização de serviços e do CRM, por exemplo.

Com sede na capital paulista, a empresa possui um centro técnico e um salão de laboratório e já conta com 50 colaboradores, uma equipe que mescla pessoas que vieram do mercado de salões de beleza, como ex-profissionais e ex-gerentes, e especialistas em negócios. "Acreditamos que a educação é a base para impactar qualidade e, consequentemente, renda aos profissionais", diz.

A empresa ajuda em pontos como a compra de produtos, aprimoramento da gestão e auxílio na realização de campanhas. "Somos uma comunidade. Há muita troca entre nós", completa.

A ideia não é abrir novos salões e, sim, investir em estabelecimentos com alto potencial. Não há custo para entrar na gal, que ganha um percentual do faturamento. "Se o salão cresce, crescemos também. Caso contrário, não crescemos", afirma.

Juntas vamos mais longe
Carolina atribui o sucesso da gal, a três pontos. O primeiro é promover a reinvenção. "Para atingir resultados diferentes, precisamos fazer coisas diferentes. Se reinventar mesmo", afirma. No caso dos salões parceiros, isso significa a transformação do espaço físico, a implementação de tecnologia de ponta, o formato de precificação e o atendimento. "gal, significa se reinventar", diz.

O segundo é fazer o máximo que puderem, dando o melhor e tendo a energia empreendedora de transformação. Para isso ela usa a expressão "gal power". Já o terceiro, é o fato de que a gal, é vírgula. "Ser vírgula significa que quando entramos no salão, não queremos jogar fora sua essência, seu time, seu empreendedor. Queremos manter o propósito vivo, mas dar continuidade ao trabalho", diz. Segundo ela, a vírgula representa também a diversidade. "Não colocamos só cabelos lisos loiros em nossas campanhas. Trabalhamos e focamos em todas as mulheres. Esse é um fator diferenciador", completa.

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