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Biquínis para corpos reais: ela criou marca que foge dos padrões

Déborah Menezes - Arquivo pessoal
Déborah Menezes Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Colaboração para Universa

09/09/2021 04h00

A administradora Déborah Menezes, de 26 anos, resolveu criar sua própria marca de biquínis em junho do ano passado. Mas, diferentemente de outras grifes, a empreendedora não tinha dinheiro para investir em modelos ou em um super ensaio profissional.

Foi aí que ela teve a ideia de convidar amigas para serem garotas-propaganda de sua loja e levar às consumidoras produtos que não parecessem bonitos somente em corpos padrões. "Foi uma coisa bem natural e veio de mim. O biquíni é o meio e não o fim. A ideia não é roubar esse momento de lazer das clientes enquanto estão na praia", afirma.

Tudo foi na base do coleguismo e as dezenas de fotos e vídeos foram feitas com mulheres de diferentes corpos. A aceitação foi tão grande por parte do público que Déborah segue com essa proposta até hoje.

Aproximação com o público

Mesmo diante da pandemia, a empreendedora conseguiu deslanchar seu negócio. As vendas começaram a se multiplicar e hoje ela consegue ter aproximadamente 400 encomendas por mês.

Atualmente, a empresa conta com costureiras, uma funcionária para cuidar das redes sociais, uma pessoa que ajuda nas embalagens e a dona que, como ela mesma brinca, é 'uma faz tudo'. "Não consigo mais fazer tudo sozinha e fico mais na parte criativa. Também administro e cuido de outras coisas", conta.

Déborah acredita que o sucesso veio por causa da inovação e identificação de muitas mulheres, já que no site é possível ver imagens mais próximas do dia dia do que algo mais engessado.

Hoje, com uma renda um pouco mais alta, ela contrata fotógrafos profissionais, mas continua mantendo o padrão "gente como a gente". "Eu me preocupo em não pegar modelos experientes. E se eu pego modelo, não pego tanto as padrão", diz.

Uma das campanhas da marca, que valoriza corpos reais - Divulgação - Divulgação
Marca valoriza corpos reais
Imagem: Divulgação

Quem entra no site dificilmente verá corpos que são somente de pessoas magras, brancas ou sem representatividade. "A maioria dos feedbacks são de mulheres que dizem que conseguem se enxergar nas modelos e nas peças."

Outro diferencial é que algumas peças são feitas sob medida para cada cliente. Como não são todas as mulheres que se adequam fielmente aos tamanhos escolhidos pela fábrica, pode haver exceções ou mudanças em relação ao modelo escolhido. Segundo Déborah, no Brasil não há padronização de tabela média e são as marcas que escolhem seus padrões.

Por causa disso, ela criou uma tabela própria pensando nas medidas do seu corpo e de pessoas próximas. No seu formato, por exemplo, identificou que seu número é o P. Já para o tamanho GG usou o modelo de sua melhor amiga. "Peguei pessoas reais e montei toda a tabela de medidas", conta.

E mesmo diante desses diferenciais, se o biquíni não cair bem, ela ainda oferece a primeira troca por conta da loja.

No mundo dos biquínis desde criança

O gosto por peças de praia vem de berço (literalmente). Quando ainda era recém-nascida, sua mãe tinha uma loja de biquínis e Déborah passava boa parte do seu tempo por lá. "Eu nasci na loja praticamente. Ela me amamentava ali no trabalho, me colocava na boia para dormir", relembra. Os anos passaram, ela cursou administração na faculdade e ficou um bom tempo sem ter contato com o universo da moda.

Foi durante um intercâmbio em Sydney, Austrália, que houve uma reaproximação com os biquínis. Com a ideia de fazer uma renda extra e se manter financeiramente no país por alguns meses, ela levou algumas peças para vender. Por lá, a vestimenta é muito requisitada entre as estrangeiras e o corte brasileiro também se diferencia entre os demais.

A ideia deu certo e no seu retorno ao Brasil, ela percebeu que podia ter sua própria marca. A partir daí, ingressou em uma escola de corte e costura, começou a desenhar e criar peças. Depois de pegar confiança, abriu a loja e criou o site da marca. Hoje, ela desenha e cria o primeiro modelo e depois passa para as funcionárias.

Escolha da marca

Para homenagear a influência materna, ela decidiu que o nome de sua marca teria algo parecido com a loja da mãe. Na época, o nome era raia, remetendo à parte da piscina. Ela escolheu, então, Arraia, o logo é inspirado na espécie Manta Ray. "Quando procurei sobre o animal, eu vi que tem significados muito legais. Ela é chamada de pássaro do mar", diz.

A escolha do logo deu certo, foi além da loja virtual e começou a bombar nas redes sociais. Em pouco mais de um ano, a marca conseguiu atingir mais de 15 mil seguidores no Instagram e já fez parceria com alguns influenciadores digitais.

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