PUBLICIDADE

Topo

Ex de Murilo Becker: 'Senti vergonha por apanhar na frente dos meus filhos'

Patricia Pontes se relacionou com Murilo Becker durante 5 anos - Acervo pessoal
Patricia Pontes se relacionou com Murilo Becker durante 5 anos Imagem: Acervo pessoal

Ana Bardella

De Universa

02/09/2021 04h00Atualizada em 02/09/2021 16h05

Na manhã da última quinta-feira (26), a influenciadora digital Patricia Pontes, de 37 anos, trouxe a público queixas de violência doméstica registradas contra o ex-marido, o jogador de basquete Murilo Becker. Revelou ter sofrido, no último Dia dos Pais, lesões corporais em função do comportamento violento do atleta, que dirigiu a ela socos e chutes.

O jogador de basquete Murilo Becker -  CBB - Confederação Brasileira de Basketball -  CBB - Confederação Brasileira de Basketball
O jogador de basquete Murilo Becker
Imagem: CBB - Confederação Brasileira de Basketball

No boletim de ocorrência ao qual Universa teve acesso, Patricia relata que Murilo estava chegando de viagem com os filhos quando foi questionado por ela sobre o atraso ao trazer de volta as crianças. A influenciadora também teria reclamado da presença da atual namorada no veículo, uma vez que isso iria contra um dos acordos entre eles. Após a conversa, Patricia afirmou à polícia que foi xingada e que ex-marido arremessou um tênis em direção ao seu rosto.

Na denúncia, ela afirma que tentou filmar o ocorrido, mas Murilo jogou o andador de um dos filhos no chão com força, pegou o celular que estava na sua mão e lhe deu dois socos na altura da boca. Após o segundo soco, ela teria caído no chão e ele teria continuado a agressão através de chutes pelo corpo. Segundo o documento, as agressões só cederam após sua filha de 14 anos pedir ao ex-padrasto que parasse.

À reportagem, Patricia informou que precisou ser levada ao hospital em função da gravidade das agressões. Ela também relatou ter passado por uma cirurgia dentária, a fim de fazer um enxerto ósseo, na tentativa de manter preservados um dos dentes e uma parte significativa do osso da maxila, que ficaram fragilizados e poderiam ser perdidos.

Na entrevista a seguir, ela dá detalhes sobre o passado com o ex-marido:

Muitas mulheres não saem de relações abusivas por dependência financeira, além da emocional. Foi seu caso? Eu amava e dependia totalmente dele. Nunca trabalhei depois que me casei, porque ele ganhava o suficiente para eu ficar em casa e cuidar dos nossos filhos. Ele pagava a babá.

Eu sabia que se eu tomasse a decisão de separar, ele iria cumprir a promessa que fez, de me deixar sem dinheiro. E ele cumpriu. Desde o dia em que eu anunciei o rompimento, ele tirou meu cartão, dinheiro, tudo.

Meu pai ajudava, amigos também e assim eu fui sobrevivendo. Demorou dois meses até regularizar a questão da pensão.

Quando conseguiu romper a relação?
Foi na hora em que eu percebi que as traições não paravam. Ele me chamou para ir para Salvador, com o intuito de recomeçar a nossa família após uma traição no Rio de Janeiro. Disse que tudo seria diferente, que não ia mais fazer aquilo. Prometeu mil amores. Eu larguei todas as terapias das crianças aqui, o que não é fácil. É difícil achar uma clínica que aceite os quatro, porque nunca tem horário disponível. Mas aceitei recomeçar e ficar do lado dele. E três meses depois ele me traiu de novo.

Em uma das suas postagens no Instagram, você fala sobre se questionar se está fazendo a coisa certa ao abrir essas informações para o público. Por quê?
Quando eu contei, achei que seria abraçada. E aí eu vi um tanto de mulheres me metralhando, dizendo que eu queria ibope, ser influencer -- sendo que eu já trabalho com isso. É claro que todo mundo almeja crescer, mas eu nunca quis crescer nessa situação.

Eu morria de vergonha de pensarem que a mãe perfeita na internet, aquela que dá conta de tudo, que se arruma, limpa a casa, cuida dos filhos sozinha, que é mãe solo e que abdicou de tudo apanhava. E apanhava na frente dos filhos.

Foi uma vergonha que passei. Tudo para chegar uma mulher e dizer assim: "Ah, mas tem que ver o que tanto ela não fez para esse ex, para ele ter feito isso". Eu não acreditei que existiam mulheres dessa forma, por isso me questionei se fiz certo em expor. Mas, ao mesmo tempo, foi bom. Acabei de receber uma mensagem de uma amiga de Bauru dizendo: "Todas as vezes que você me contou que ele te agredia eu falava 'Olha para a sua família, você tem uma família linda'. Me perdoa por te incentivar a voltar". Naquela época, só contava para amigas próximas e para a minha mãe.

Essa foi a primeira vez que a medida protetiva foi desrespeitada?
Eu já tive outra medida protetiva antes. Porém, o Murilo disse que se eu mantivesse a medida valendo, ele deixaria de pagar os tratamentos das crianças e tiraria a casa em que eu moro, já que ela está no nome dele e nos casamos com separação total de bens.

Com essa chantagem, eu aceitei a retirada e combinamos que ele nunca mais encostaria em mim. Isso de fato aconteceu, até porque eu comecei um relacionamento e meu ex-namorado era ex-policial. Porém, de uns tempos para cá, voltei a ser ameaçada e pedi novamente a medida. Dez dias depois de anunciar o término do meu namoro pelas redes sociais, ele me bateu.

Mulheres que sofreram violência doméstica podem desenvolver transtornos e traumas. Você sente algo do tipo?
Hoje em dia, depois de tudo o que aconteceu, eu faço acompanhamento psicológico e tomo remédio para ansiedade.

Como era a sua vida quando você engravidou de quadrigêmeos?
Antes da chegada deles, eu já era mãe. Tive minha primeira filha aos 23 anos, de um antigo relacionamento, que acabou 11 meses depois do nascimento dela. A partir de então, fui mãe solo por cinco anos, até conhecer o Murilo. Estávamos juntos há menos de um ano quando eu decidi fazer o tratamento para engravidar, já que ele não poderia ser pai naturalmente em função de uma doença vascular.

Esse começo de relacionamento foi intenso?
Foi amor à primeira vista. Eu o vi e sabe quando você idealiza alguém? Era o homem que eu queria casar. No dia em que nos conhecemos, ele ficou com outra menina. Mas não perdemos contato e na semana seguinte ficamos. Ele me chamou para ir ao cinema e de lá fomos para a minha casa. A gente ficou no dia seguinte e no outro. Quando nos demos conta, já não nos soltávamos e tivemos essa ideia de morar juntos com dois meses de relação. Aos sete meses, fiz a fertilização in vitro.

Como vocês receberam a notícia de que seriam pais de quadrigêmeos?
Eu soube aos poucos. No dia em que fiz o teste para saber se a fertilização tinha dado certo, o time dele estava comemorando a vitória do campeonato paulista. Nós morávamos em Bauru, no interior de São Paulo, que é uma cidade apaixonada por basquete. Um pouco antes de me juntar ao mar de gente que estava festejando, recebi a notícia de que seria mãe de gêmeos.

Pouco tempo depois, durante uma ultrassonografia, soube que seriam trigêmeos. Não demorou até que eu precisasse ser internada e fazer repouso absoluto por causa de um sangramento. Dessa vez, descobrimos o quarto. Ali minha pressão caiu, eu chorei, achei que fosse morrer. Mas a gravidez seguiu e dei à luz com exatas 30 semanas.

Quando você soube da paralisia cerebral dos quatro?
Saí do hospital com os médicos dizendo que o parto tinha sido um sucesso. Mas com 2 anos eles não andavam. Alguns médicos diziam que poderia ser em função da prematuridade, porém eu já sabia que não. Comecei um tratamento na AACD e, após muitas idas e vindas, eles fecharam esse diagnóstico. Nisso, meu filhos estavam com dois anos e meio. Hoje, aos 7 anos, só uma delas anda. Dois são cadeirantes e usam fralda. Para eles, é preciso dar a comida na boca, auxiliar o dia todo.

Em que momento, após o nascimento deles, você notou que algo no seu casamento não ia bem?
Aos dez meses de vida, o Gabriel teve uma meningite. Ali tivemos um desentendimento e aconteceu a primeira agressão, que foi um tapa, com ele no meu colo. Mais tarde, quando eles estavam com um ano e meio, aconteceu novamente: ele rasgou um vestido que estava usando por causa de ciúmes. A terceira agressão veio quando descobri que ele me traía.

Nessa época, comecei a fazer terapia porque idealizava uma família que fosse para sempre. Não tinha noção que poderia dar conta dos meus filhos sem a presença dele. Não tenho o que falar do Murilo enquanto pai na época em que estávamos casados. Nas vezes em que foi ausente, foi em razão do trabalho. Dentro de casa, sempre cuidou deles. Depois da separação foi que deixou de fazer questão de vê-los.

O Brasil é um país com alto índice de feminicícios. Em algum momento você temeu pela vida?
Eu só pensei que ia morrer dessa última vez. Só nesta última agressão eu senti que ele é capaz de me matar.

Outro lado

Universa tentou contato com Murilo Becker através das redes sociais, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Também acionamos a Liga Nacional de Basquete pedindo o contato do ex-jogador, mas a organização não soube informar.

Como denunciar a violência doméstica

Em flagrantes de violência doméstica, ou seja, quando alguém está presenciando esse tipo de agressão, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.

O Ligue 180 é o canal criado para mulheres que estão passando por situações de violência. A Central de Atendimento à Mulher funciona em todo o país e também no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O Ligue 180 recebe denúncias, dá orientação de especialistas e encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. Também é possível acionar esse serviço pelo WhatsApp. Neste caso, o telefone é (61) 99656-5008.

Os crimes de violência doméstica podem ser registrados em qualquer delegacia, caso não haja uma Delegacia da Mulher próxima à vítima. Em casos de risco à vida da mulher ou de seus familiares, uma medida protetiva pode ser solicitada pelo delegado de polícia, no momento do registro de ocorrência, ou diretamente à Justiça pela vítima ou sua advogada.

A vítima também pode buscar apoio nos núcleos de Atendimento à Mulher nas Defensorias Públicas, Centros de Referência em Assistência Social, Centros de Referência de Assistência em Saúde ou nas Casas da Mulher Brasileira. A unidade mais próxima da vítima pode ser localizada no site do governo de cada estado.