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Clarissa Ward: quem é a jornalista que acompanha a volta do Talibã a Cabul

Clarissa Ward, repórter da CNN norte-americana, durante link para a emissora - Reprodução/YouTube
Clarissa Ward, repórter da CNN norte-americana, durante link para a emissora Imagem: Reprodução/YouTube

Nathália Geraldo

De Universa

20/08/2021 04h00

Uma mulher branca e de olhos azuis surge na frente de um grupo de homens do Talibã, que tomou a cidade de Cabul, a capital do Afeganistão, para reportar justamente a situação volátil em que se encontra o país para o canal CNN. Clarissa Ward está vestindo uma abaya, espécie de vestido que cobre o corpo inteiro, e tem um véu sobre a cabeça. A norte-americana é uma das repórteres que está em solo afegão enquanto o mundo inteiro assiste atônito às imagens de pessoas tentando fugir de lá.

Com 41 anos, mãe de dois filhos (de 1 e de 3 anos) e baseada em Londres, Clarissa circula entre seguidores de uma visão estrita e radical da lei islâmica que causa grande temor às afegãs. O Talibã retomou o controle do Afeganistão no domingo (15), após a retirada das tropas norte-americanas. Há 20 anos, quando estavam no poder, o grupo estabeleceu que mulheres não podiam sequer sair sozinhas de casa e as meninas foram impedidas de frequentar a escola.

Em um vídeo publicado pela CNN nas redes sociais, a correspondente está na frente de alguns homens integrantes do grupo fundamentalista, com o prédio da Embaixada dos Estados Unidos atrás deles. "Eles falaram para eu ficar ao lado porque sou uma mulher", comenta para a câmera, enquanto os militantes são ouvidos para a reportagem. Em outra ocasião, entrevistando cidadãos afegãos que estavam tentando sair do país, um soldado do Talibã ordenou que ela cobrisse o rosto. Em meio a barulho de tiros e da pressão de integrantes do grupo radical, ela precisou encerrar a transmissão, já que o local não estava seguro para a equipe.

Repórter da CNN no Afeganistão

A cobertura ponderada e informativa de Clarissa Ward tem sido elogiada pelo público pelas redes sociais, onde ela também compartilha detalhes de bastidores sobre o que vê nas ruas de Cabul. Muitos também enviam mensagens de preocupação com a segurança da profissional, que disse ter uma "sensação de estar no limite" durante a cobertura.

No Instagram, a jornalista também se sente privilegiada por estar "na primeira fila da história" ao reportar a volta do Talibã.

"Fazer reportagens nas ruas de Cabul, após a tomada do Talibã tem sido uma das experiências mais extraordinárias da minha carreira", afirmou. "Escrevi em meu livro 'On All Fronts' sobre a experiência de passar algum tempo com o Talibã no norte, alguns anos atrás. Nunca poderia imaginar então que tomariam a capital em questão de horas, quase sem disparar um tiro. Estou aqui trabalhando com uma equipe extraordinariamente corajosa e talentosa".

A mudança de visual

Por causa das restrições às mulheres esperadas com o Talibã no poder, até o visual de Clarissa nas transmissões foi alvo de comentários. Uma montagem com duas fotos, uma vestida com a abaya e a outra, em roupas comuns, foi relacionada ao endurecimento das medidas do grupo contra as mulheres afegãs.

Clarissa explicou que a diferença nas roupas era porque, na primeira situação, fazia uma aparição em ambiente privado. Na segunda, estava nas ruas de Cabul. "Eu sempre usei lenço na cabeça nas ruas de Cabul, embora não com o cabelo totalmente coberto e abaya", admitiu. "Portanto, há uma diferença, mas não tanto assim."

Jornalista premiada e com orgulho da profissão

Por suas investigações para a TV, a jornalista já ganhou prêmios como sete Emmy, Edward R. Murrow Awards e honrarias da Associação de Correspondentes de Rádio e Televisão.

Na legenda da foto acima, em que aparece com um casaco escrito: "O mundo precisa de jornalistas", Clarissa falou sobre como vê a profissão.

Enquanto houver pessoas sofrendo em silêncio, suas vozes precisam ser ouvidas. (...) E é por isso que fazemos este trabalho. Em nossos melhores momentos, estamos prestando um serviço vital a qualquer sociedade saudável. Não somos perfeitos e nem sempre acertamos, mas não somos inimigos do povo

Experiência em conflitos

A cobertura de conflitos não é novidade na carreira da jornalista. Clarissa já esteve na Síria, na Rússia, no Egito e na Palestina, experiências que conta no livro "On All Fronts". Com 15 anos de carreira, passou por canais como Fox, CBS e ABC. Em 2019, passou pouco mais de um dia em um território afegão que estava sob controle do Talibã, o que rendeu a reportagem "36 horas com o Talibã" para a CNN.

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