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'Larguei trabalho em multinacional para me tornar benzedeira'

Isadora Fernandes dos Santos, 29, largou carreira em relações internacionais para se tornar benzedeira em São Paulo - Arquivo pessoal
Isadora Fernandes dos Santos, 29, largou carreira em relações internacionais para se tornar benzedeira em São Paulo Imagem: Arquivo pessoal

Isadora Fernandes dos Santos, em depoimento a Priscila Gorzoni

Colaboração para Universa

25/07/2021 04h00

"Tenho 29 anos, moro em São Paulo, e há um ano e meio me tornei benzedeira. Antes de tudo isso ocorrer, eu tinha uma vida muito diferente.

Me formei em relações internacionais em 2014, e trabalhei com comércio exterior, tendo passado por uma multinacional. Foi um sonho estar em uma multinacional, almejava isso desde que saí da faculdade. Mas, após trabalhar em várias áreas, vi que não me encaixava em nada.

Foi depois de muita terapia, convencional e holística, que me encontrei e me tornei benzedeira. Em 2016, comecei a fazer cursos na área em que atuo hoje, terapia holística, e cheguei até a Escola Florescer Bento, em Santo André (SP). Sou iniciada no candomblé, mas foi lá, com a professora Pâmela Sousa, que estudei para ser benzedeira, apesar de o benzimento ser uma arte ancestral e o conhecimento ser passado de boca a boca. Minha avó e minha mãe trabalharam em um centro espírita, mas isso não tem a ver com benzer.

Me tornei benzedeira em janeiro de 2019, quando já estava na área da espiritualidade e do autoconhecimento.

Todo mundo achou que eu era maluca de abandonar tudo para me tornar benzedeira, mas o benzimento veio em um momento em que eu já havia deixado minha carreira para trás.

A decisão de largar uma carteira CLT que eu tinha pedido e demorado tanto para conquistar, e a incerteza da renda, já que eu não morava mais com a família, pesaram, é claro.

O processo interno de aceitação de que eu não seria feliz tendo um trabalho socialmente aceito foi o mais difícil. O resto foi mais simples de resolver. Comunicar isso à minha mãe, que me ajudava financeiramente, não foi agradável, nem fácil, mas acho que ela entendeu meus motivos.

'Sigo minha intuição e acolho; benzer é não julgar'

isadora - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Por causa da pandemia, Isadora tem feito atendimentos virtuais;
Imagem: Arquivo pessoal

Todos os benzimentos que faço aprendi nos cursos e com as minhas guias: minha avó materna, Irmã, falecida em 2011, e minha bisavó paterna "Preta". Elas que me dão a intuição de qual erva ou elemento usar para benzer alguém.

Eu adoro benzer com ervas e com outros elementos, acho que fica mais potente. Benzo à distância e, ainda assim, os benzimentos são especiais. Vem gente de todos os tipos, idades e lugares do país para serem benzidas. Essas pessoas pedem auxílio para doenças físicas e para as dores da alma.

Eu não sou muito de usar rezas prontas, prefiro usar a minha intuição. Percebo que chega para mim muita gente ansiosa, angustiada, que precisa de ajuda para se levantar. Como eu acabo entrando em contato com histórias de vidas de pessoas reais, não tem como uma ou outra não mexer lá dentro.

As rezas que eu uso estão normalmente no livro do Max Sussol, que é basicamente um compilado de rezas de benzedeiros de todo o país, de muitas épocas. Apesar de eu ter estudado em um colégio de freiras, não lembro muito das rezas tradicionais como alguns salmos, que às vezes elas me pedem para rezar.

No mais, quando eu vou benzer alguém, eu uso minha intuição e vou pedindo tudo que a pessoa precisa. Sempre converso antes e depois de benzer alguém, pois quando pensamos em benzimento vem junto o não julgar, o acolhimento, a escuta empática e tudo mais.

'Benzimento não pode ser cobrado'

Hoje atendo em casa, me sustento financeiramente com os meus outros atendimentos com tarô, numerologia, astrologia, tratamento com ervas e Reiki e consultoria empresarial nessa área. Como tem muito estudo e energia pessoal envolvida, é necessária uma moeda de troca, e não há nada de errado nisso. Já o benzimento não pode ser cobrado.

Eu não tive muito tempo como 'benzedeira presencial', pois concluí meus estudos e começou a pandemia, então o trabalho no momento está sendo realizado à distância e tem o mesmo efeito. Às vezes pode acontecer de meus guias pedirem que o benzimento seja feito presencial, aí combino com o atendido de uma forma que seja segura. Acabo recebendo pedidos todos os dias pelo WhatsApp.

O benzimento chegou em minha vida de uma forma gostosa, como um abraço, e mudou ela para melhor.

*Isadora Fernandes dos Santos, 29, formada em relações internacionais, trabalha como benzedeira em São Paulo (SP)

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