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Pocah relata violência doméstica durante gravidez; casos são comuns no país

A cantora Pocah falou sobre as agressões que sofreu durante casamento - Instagram
A cantora Pocah falou sobre as agressões que sofreu durante casamento Imagem: Instagram

De Universa

17/07/2021 13h06

Depois que o comediante Tirullipa foi ao Instagram para dizer que DJ Ivis, preso por ter agredido a ex-mulher, Pamella Holanda, merece perdão, diversos seguidores e famosos se manifestaram contra sua fala. Entre eles, a cantora Pocah, que afirmou já ter pensaddo como Tirullipa quando foi vítima de violência doméstica. Na época, estava grávida de sete meses. Hoje, sua filha, Vitória, tem cinco anos.

"Achava que Deus iria transformar a pessoa que me agredia, até porque o meu agressor dizia que estava sendo usado pelo diabo e que não queria me agredir e me chutar numa escada quando estava grávida de sete meses. Ou quase me cegar do olho esquerdo", afirmou Pocah em seu Instagram.

"Quem perdoa é Deus. Eu já perdoei agressor e o que eu recebi em troca? Mais porrada. Ele não parava, fez com mulheres antes de mim e depois de mim. Quando essa mudança vai ocorrer? Quando a pessoa quiser verdadeiramente", disse a cantora. "Todo mundo merece uma segunda chance, mas, para mim, a chance do agressor é ainda estar vivo e pagar pelo que causou na mente e no corpo de uma mulher."

O caso envolvendo Ivis veio à tona no domingo (11), quando Pamella publicou vídeos em que aparece sendo vítima de chutes e socos do então companheiro. Depois que ele foi preso, ela revelou que era agredida desde a gravidez, justamente quando a violência física começou.

"Mulheres são agredidas com mais intensidade durante gestação", diz porta-voz do Instituto Maria da Penha

Assim como ocorreu com Pocah e Pamella, diversas outras mulheres são agredidas durante a gravidez. Segundo relatório do Instituto Maria da Penha, que fez um levantamento nos estado do Nordeste, cerca de 10% das gestantes já sofreu violência.

"Também detectamos que, com mulheres grávidas, a violência fica mais intensa, são agressões mais graves", afirma Conceição de Maria Mendes de Andrade, cofundadora e superintendente do Instituto Maria da Penha. E nesses casos há uma situação ainda mais trágica: muitas vezes o agressor dirige seus golpes justamente à barriga da mulher.

"Vários fatores que podem levar a isso, mas destacaria o fato de as mulheres estarem mais fragilizadas, ainda mais dependentes do agressor, e por isso ele se aproveita dessa vulnerabilidade para ser mais agressivo", explica.

Como procurar ajuda

Se você está sofrendo violência doméstica ou conhece alguém que esteja passando por isso, pode ligar para o número 180, a Central de Atendimento à Mulher. Funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo Whatsapp no número (61) 99656-5008.

Para denunciar, procure a delegacia próxima de sua casa ou então faça o boletim de ocorrência eletrônico, pela internet. Outra sugestão, caso tenha receio de procurar as autoridades policiais, é ir até um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da sua cidade. Em alguns deles, há núcleos específicos para identificar que tipo de ajuda a mulher agredida pelo marido precisa, psicológica ou financeira, por exemplo, e dar o encaminhamento necessário.

Também é possível realizar denúncias de violência contra a mulher pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil e na página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.