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Isolamento afetou autoestima feminina. Veja dicas de quem lidou com isso

Anne Ferreira resgatou a autoestima por meio do autocuidado diário - Arquivo pessoal
Anne Ferreira resgatou a autoestima por meio do autocuidado diário Imagem: Arquivo pessoal

Tina Borba

Colaboração para Universa

12/07/2021 04h00

A permanência dentro de casa por longos períodos, saídas só pra ir ao mercado, medo de perder o emprego ou de ficar doente, mudanças na rotina: essas são apenas algumas das características e sensações do período de pandemia. Inevitavelmente, elas provocaram ou ampliaram questões já existentes, como aquelas relacionadas à autoestima. Para muitas mulheres, o período significou um catalisador de sentimentos ruins ligados à autoimagem.

A professora de dança Anne Ferreira, de Porto Alegre, foi impactada. "A pandemia serviu como lente de aumento em toda a inseguranças que já estava em mim. Foi um baque coletivo, que por si só desregula uma rotina, horários, alimentação", desabafa.

Em sua conta no Instagram, Anne, que oferece cursos de autoconhecimento relacionados à conexão com o corpo, a ancestralidade e o sagrado feminino, observou novos ângulos do impacto da baixa autoestima. "Nas mulheres, isso bate na imagem, em razão da pressão estética. A sociedade patriarcal nos fez acreditar que devemos estar sempre dentro de determinado padrão direcionado ao corpo", argumenta.

Larissa - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Larissa Pinto procurou qualidades das quais se orgulha para resgatar a autoestima
Imagem: Arquivo pessoal

Para a gaúcha Larissa Pinto, 23 anos, o isolamento social mexeu com hábitos de autocuidado."Eu cresci pensando que para me sentir bem, deveria me sentir gostosa e poderosa", afirma. "Só que agora não estou saindo de casa, então deixei esse lado mais exibicionista, "leonino", de lado. Acreditei que o período acabaria logo, então aproveitei para mudar meus horários, acordar mais tarde e, sem querer, não mantive a mesma rotina de cuidados — com o rosto, por exemplo", conta. Ela explica que, ao abrir mão desses rituais, a autoestima oscilou.

Assim como Larissa, muitas se sentiram perdidas, sem tempo ou sobrecarregadas com a rotina. Consequentemente, pararam de olhar para si ou abdicaram da vaidade. "A gente constrói a nossa autoestima internamente e na interação com os outros. Por exemplo, o momento que a gente se arruma para cumprir um compromisso, tem o creme hidratante, um momentinho de se olhar no espelho. Isso, de alguma forma, nutre a confiança", explica a psicóloga clínica Elaine Alves, do Rio de Janeiro.

Só que a realidade está bem diferente. Sem grandes novidades ou eventos, há quem tenha abandonado hábitos relacionados ao autocuidado. "Pensamos que não veremos ninguém e abrimos mão desse cuidado com quem somos. E, de alguma forma, bate a sensação de abandono, o que diminui a autoestima", diz a especialista.

Não se trata apenas de se ver usando moletom ou sem maquiagem, mas do quanto o indivíduo é capaz de se admirar, se cuidar e se valorizar independentemente da validação ou do olhar do outro. "Autoestima é como a gente se avalia, o quanto você se ama, o quanto você se estima. Vai além da questão estética, não é apenas algo superficial ou exterior, é o quanto de bem-estar nós pensamos que merecemos e conseguimos proporcionar a nós mesmos, como na alimentação, na convivência consigo mesmo e com outras pessoas, no cuidado com a saúde física, com a saúde mental", enfatiza.

Estratégias simples para elevar a autoestima no cotidiano

Não é difícil, nem precisa ser caro. "É importante que a gente perceba o que faz sentido para cada indivíduo, o que de alguma forma alimenta você. Qual hábito te traz equilíbrio? Invista nesta atividade. Para algumas pessoas, pode ser praticar exercícios físicos ou até tirar o pijama para trabalhar. "Mas varia. Não há fórmulas", garante Elaine.

Anne diz que ouve das seguidoras que o maior problema é a falta de tempo, ao que ela responde com: insira o autocuidado nas atividades diárias. "O simples é poderoso. Tomar um banho com presença, onde você vai sentir o seu corpo, você vai se acariciar, sentir o cheiro, a textura, a temperatura da água. Algumas pessoas chamam de atenção plena", explica.

Ela cita outras duas atividades que a fazem gostar mais de si mesma. "Fora isso, eu escrevo. Mantenho um caderno onde deságuo as minhas emoções. Às vezes, também coloco uma música e danço por uns 5 ou 10 minutos. Isso ajuda a mudar a perspectiva de que o corpo é só imagem", defende.

Já Larissa trabalhou a questão racionalmente. "Eu me acho uma mulher incrível do ponto de vista intelectual, profissional e acadêmico. Não dá para deixar isso de lado. O que nos impede de olhar para isso?", reflete. "Passei a enxergar outros aspetos sobre mim. Além do meu físico, existe o meu intelectual, a minha capacidade de realizações", finaliza.

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