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Thelminha estreia "Desafio Aceito" no UOL: "Gosto de incentivar pessoas"

Thelminha Assis na gravação do programa Desafio Aceito no estúdio do UOL MOV - Gabriela Cais Burdmann/UOL
Thelminha Assis na gravação do programa Desafio Aceito no estúdio do UOL MOV Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

Nathália Geraldo

De Universa

05/07/2021 04h00

Você tem um hábito que quer muito mudar ou adquirir, mas tem medo? A médica e ex-BBB vencedora da edição de 2020 Thelminha Assis passou por um desafio desse na vida: na época em que fazia residência como anestesista, comprou um carro para facilitar a rotina de trabalho, mas não conseguia dirigir. "Tinha que ir para os hospitais, mas tinha medo de mudar de faixa, de estrada, de andar na chuva. Tive apoio do meu namorado, hoje, marido, e consegui vencer isso."

Foi preciso foco para superar o obstáculo. E esse sentimento de vitória pessoal é um dos ingredientes que fará parte do programa "Desafio Aceito", que Thelminha apresenta a partir desta segunda-feira (5) no Canal UOL.

São oito episódios, em que a médica acompanhará a saga pela mudança de hábitos ou vícios dos convidados por 21 dias. O tempo, segundo cientistas, é o suficiente para a novidade emplacar de vez na rotina de alguém.

"Desafio Aceito" e a busca por superação

"É cientificamente comprovado que para tornar uma mudança de hábito realmente efetiva, você precisa desse período mínimo. Então, acabamos trazendo temas importantes como qualidade de vida e hábitos saudáveis para o Desafio", diz Thelminha a Universa. A série é uma realização do MOV, produtora de vídeos do UOL.

Thelminha também está engajada na divulgação de informações de saúde sobre a pandemia. A Universa, conta que ainda não foi vacinada, avalia o trabalho do Governo Federal na crise sanitária e avisa que quer usar sua voz para denunciar o racismo e promover ações voluntárias para ajudar o Brasil. "No pós-pandemia, quero tocar uma ONG de mutirões de cirurgias pequenas em cidades que só tem um hospital de base".

Leia os principais trechos da entrevista:

UNIVERSA Como foi a experiência de apresentar o Desafio Aceito, um programa que mexe tanto com a vida dos participantes?
THELMINHA
Tenho 'linkado' ser comunicadora com a minha profissão de médica. E o "Desafio Aceito" foi o 'match' perfeito para isso. Eu já gosto de compartilhar nas minhas redes sociais a minha capacidade de me superar e gosto de incentivar as pessoas em relação a isso. Aí, a gente juntou com o meu lado médico.

Fomos atrás de uma pesquisa feita por neurologistas que mostra que para você tornar uma mudança de hábito realmente efetiva precisa de, no mínimo, 21 dias.

Acabei me identificando com um pouco de cada história, que vocês vão poder acompanhar, porque são desafios que todo mundo acaba tendo no seu dia a dia algum medo. A da convidada com medo de dirigir foi com que mais me identifiquei. Para mim foi um obstáculo difícil de ser vencido, mas que eu consegui vencer. Estou ansiosa para ver se o público vai gostar ou não!

thelma assis -  Gabriela Cais Burdmann/UOL -  Gabriela Cais Burdmann/UOL
Programa ajuda participantes a mudarem hábito para melhorar rotina: "Todo mundo acaba tendo no seu dia a dia algum desafio", afirma Thelminha
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

Você já apresentou outros programas, mas esse é o primeiro que comanda sozinha. O que foi desafiador?
Sou uma pessoa muito estudiosa. Então, a partir do momento que percebi que quero seguir nesse caminho, fico prestando atenção em todos os apresentadores. É preciso ter o feeling para poder extrair algo do convidado, às vezes ele é mais tímido e não quer falar, outro é muito falante...

Aí, é administrar o tempo, o diretor falando no ponto, conseguir não fugir do assunto. Tem o processo de entrevistar duas pessoas ao mesmo tempo também... Para mim, isso é fascinante. Tem sido muito legal.

Você tem algum hábito que já precisou se desfazer, porque estava fazendo mal para sua rotina?
Aquela que todo mundo sabe a receita do bolo, mas muita gente tem dificuldade em seguir que é saber o que a gente pode comer. Que açúcar não faz bem para saúde, que tudo tem que ser com moderação. E tem a questão da academia, que a pandemia estragou tudo. Mas, o que sempre falei nas entrevistas é que, para mim, mais do que o resultado estético, é o resultado físico que busco.

Isso é uma luta pessoal, que tenho sempre que saio um pouquinho da linha. Tento me conscientizar para ter escolhas positivas para meu corpo.

Você usa seu canal no Youtube para dar informação sobre saúde em relação à da covid. Na sua opinião, sobre qual assunto há mais desinformação circulando?
É a questão da vacina. Ser obrigado a ouvir que ao ser vacinada a pessoa vai virar um jacaré... O governo de Israel, um dos países que é exemplo da condução da pandemia, fez um comercial fazendo sátira e educando a população sobre isso.

No Brasil, a gente não teve isso, são só os grupos de WhatsApp com coisas inacreditáveis, como chip sendo instalado, mudança no DNA. Infelizmente, há pessoas que acreditam nisso, em um momento em que se precisa de conscientização coletiva...

A vacina é um tema que todo mundo tem curiosidade. No começo, por exemplo, algumas pessoas não queriam tomá-la porque saiu 'muito rápido'; é importante explicar que a comunidade científica toda se voltou para descobrir essa vacina, houve investimento da indústria farmacêutica, todo mundo queria mesmo bater tempo recorde. Depois começaram a falar dos efeitos colaterais e qual vacina é melhor. Não se pode escolher vacina: a partir do momento que ela é aprovada pela Anvisa é porque há segurança. E a gente tem que tomar. Quanto mais me envolvo com isso, mais quero orientar as pessoas.

Como você avalia o trabalho do Governo Federal na pandemia?
Foi uma sequência de omissões, e o resultado disso são as 500 mil mortes, e já até ultrapassamos essa marca. A gente não pode normalizar isso e transformar em números, são vidas, pessoas, famílias que nunca mais vão ter esse ente querido ali é muito doloroso e revoltante.

Não perdi ninguém da família ou amigos, graças a Deus, mas me revolto. O Brasil tem um histórico horrível de corrupção, sempre sofremos na com isso na economia. Mas, em uma crise sanitária, é inadmissível.

Nós temos o SUS, que já foi referência mundial em vacinação, e hoje estamos passando essa vergonha mundial. E mais do que vergonha, é a dor de ter tantas vidas ceifadas por conta de uma sucessão de omissões. Revoltante.

Espero que a gente saia dessa com consciência política muito melhor, valorizando nossos direitos, o SUS e a Ciência que tem sido tão importantes nesse momento.

No início do ano, você foi para Manaus ajudar a atender na linha de frente da covid. Como foi esse trabalho?

thelma - Gabriela Cais Burdmann/UOL - Gabriela Cais Burdmann/UOL
Ex-BBB combate informações falsas sobre a pandemia nas redes sociais": "A intenção não é gerar medo, mas passar a realidade"
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

Em Manaus, fiquei 10 dias em uma UTI Covid, com exposição altíssima. Mas fui para lá porque fiquei estarrecida com a falta de oxigênio; sou anestesista e ele é nossa maior ferramenta. Depois que sedamos o paciente, precisamos colocar o suporte respiratório.

Nunca imaginei que veria um profissional de saúde perder paciente por asfixia. Deve ser a maior dor do mundo.

Ali, fizemos uma força-tarefa com pessoas do meio artístico e outras que não eram para conseguir os cilindros de oxigênio. E, no fim, veio o lado profissional: percebi que tinha furo de escala, que os profissionais estavam adoecendo, de covid e de estafa, e fui cumprir minha profissão.

A semana da falta de oxigênio foi pesada - não foram dois dias, como tem gente na CPI que falou - até porque só eu fiquei 10 dias. Foi muito impactante ver tantas pessoas jovens sem comorbidade adoecendo evoluindo de forma grave. E foi quando chegou a variante Gama, que depois tomou essa proporção no nosso país. Nunca tinha passado por isso na minha vida profissional.

Nessa época, teve até boato, desmentido por você, de que você teria ido para furar fila da vacina. Quando você será vacinada?
Não tomei a vacina lá e como profissional de saúde, já poderia ter tomado no início da pandemia em São Paulo mesmo. Mas tenho consciência de que não estou na linha de frente todos os dias no hospital, muito menos exposta do que outros profissionais de saúde. Estou na contagem regressiva, tomo no meio de julho, porque tenho 36 anos, em São Paulo.

Você é ícone negro, se posiciona nas redes sobre racismo, direitos da mulher, das pessoas LGBTs. Ter essa influência, principalmente na internet, pesa de alguma forma?
De forma alguma. Não é um peso, é uma responsabilidade. Sofri ataques de injúria racial quando saí do BBB, nas redes, em lives, e entendi que por mais que já estivesse muito calejada, que não me doesse tanto, era agora porta-voz de milhões de pessoas que se identificam comigo e que aquilo poderia ativar gatilhos para elas. Então, por elas e por mim, comecei a confrontar. Saí processando um monte de racista e fiz questão de expô-los. Parou em relação a mim. Mas aí que vem a questão da responsabilidade: isso acontece todo dia e, por nossa relação de irmandade, você sente a dor do outro. É o menino que é acusado de roubar a bike e ainda falam "mas não chamou de negro"; sendo que isso é implícito, não precisa falar, até porque as pessoas não são burras e sabem que estariam cometendo um crime.

É a dor de ver pessoas negras tomando 'bala perdida', como o menino que tinha acabado de acordar e morreu. Aí você fala: 'Isso é racismo?'. É. É uma estrutura que faz com que aquele menino esteja na rota da bala.

Nós somos plurais, não queremos falar sobre isso todo dia ou só no mês da Consciência negra. A gente vive isso o ano inteiro. Vemos a morte de uma pessoa nos Estados Unidos que influencia aqui, ganha hashtag na internet mas, no dia a dia, o que acontece é isso que a gente vê nos jornais. E isso que a gente quer que acabe.

Como tem conciliado sua atuação como médica e comunicadora?
Fui desenvolvendo aos poucos no último ano. No começo, pensava que só tinha propriedade para falar de anestesia, mas as pessoas querem mais informação sobre saúde, e às vezes a comunidade científica tem uma tendência de usar termos muito específicos.

Quando tive a oportunidade de levar esse tipo de informação para TV, notei a necessidade de falar de forma clara para dona de casa que está me assistindo. A gente está vivendo um momento muito difícil, com um turbilhão de informações. E a intenção não é gerar medo, mas passar a realidade, porque as pessoas precisam se conscientizar.

Que apresentadoras que te inspiram?
Acho a Fernanda Lima maravilhosa. Gosto porque ela consegue imprimir a opinião dela de forma suave, porém efetiva, se posicionar bem mesmo ali na condução da apresentação. Presenciei a Fátima Bernardes apresentando, logo depois que saí do BBB, e ela tem um timing perfeito também. Amo a Maju Coutinho no jornal. Tem muita gente boa por aí.

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