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Minha história

"Pé na bunda me levou a abrir um sex shop e faturar R$ 500 mil na pandemia"

Durante a pandemia, Sté começou a investir do próprio bolso em um e-commerce de sexo. Ela faturou meio milhão em um ano - Arquivo pessoal
Durante a pandemia, Sté começou a investir do próprio bolso em um e-commerce de sexo. Ela faturou meio milhão em um ano Imagem: Arquivo pessoal

Stefani Paranhos em depoimento a Júlia Flores

De Universa

02/07/2021 04h00

"Em março de 2020, comecei a empreender no mercado erótico e decidi criar a Vibre Mulher, um e-commerce voltado para o bem-estar sexual feminino. No início, fiz tudo sozinha, o site, as vendas, as compras. Tirei o dinheiro do meu próprio bolso, gastei cerca de R$ 1.500 comprando vibradores de sites estrangeiros e revendendo para amigas e conhecidas.

Em junho do ano passado, quando eu legalizei a empresa, já estava faturando cerca de R$ 10 mil por mês só com a venda de sex toys voltados para a mulher. Em setembro de 2020, abandonei meu emprego em uma consultoria para me dedicar à Vibre. Em um ano, faturei R$ 500 mil com a empresa. E o melhor é pensar que tudo começou depois que levei um pé na bunda de um boy lixo...

Para superar o 'crush', entrei na terapia e descobri que deixava muito do meu prazer nas mãos do homem - aos 31 anos de idade, eu nunca havia me masturbado, nem usado brinquedos eróticos. Estava 'acomodada'. Hoje, aos 33, tudo é diferente.

Mas foi só depois de usar um vibrador pela primeira vez que descobri o que estava perdendo. Graças a minha libertação sexual que consegui me abrir para novas pessoas e experiências e, além disso, pude descobrir minha 'missão' na terra: empoderar e fazer outras mulheres alcançarem o máximo do prazer sem precisar de um homem.

"Um ghosting me fez lucrar meio milhão de reais"

Estive em um namoro dos 18 aos 28 anos. Nosso sexo era ótimo, mas eu não conseguia gozar sozinha, dependia do meu parceiro para tudo. Terminamos em 2015 e em janeiro de 2019 me envolvi com um homem que, digamos, bagunçou a minha cabeça.

"Eu nunca tinha usado vibrador ou me tocado, era tudo meus parceiros que faziam. Em 2019 fiz uma sessão de tantra e aquilo abriu meu mundo"

Eu o conheci no Guarujá, litoral de São Paulo, durante o Réveillon. Nós só ficamos uma vez, mas foi o suficiente para eu me envolver. A troca fluiu, o beijo foi bom, me emocionei. Combinamos de nos ver quando a gente voltasse da viagem. Como ambos morávamos em São Paulo capital, não achei que isso ia demorar para acontecer.

Sté Paranhos é a fundadora do "Vibre Mulher", sex shop voltado para o empoderamento feminino - Maria Ribeiro - Maria Ribeiro
Sté Paranhos é a fundadora do "Vibre Mulher", sex shop voltado para o empoderamento feminino
Imagem: Maria Ribeiro

O problema é que ele começou a me enrolar, desmarcava os encontros em cima da hora, inventava desculpas. De repente, ele parou de responder minhas mensagens. Levei o famoso ghosting (quando a pessoa desaparece do nada) e toda a situação fez com que eu perdesse a cabeça. Pensava nele 24 horas por dia, comecei a stalkeá-lo nas redes sociais, pensei até em aparecer na casa dele para encontrá-lo de repente.

Minhas amigas disseram que eu parecia uma psicopata e eu realmente não estava bem. Não me reconhecia mais. Para sair dessa, decidi fazer psicoterapia e foi lá que me dei conta que deixava parte da minha vida na mão dos meus parceiros amorosos, até na hora do sexo.

Antes, eu tinha agonia de me tocar, só queria que meus parceiros fizessem isso. Quando eu fiz a primeira sessão de massagem tântrica, e a terapeuta usou um vibrador no meu corpo e no clitóris, descobri que podia sentir prazer de outras formas e aquilo foi revolucionário. Saí do consultório já comprando um sex toy que, a título de curiosidade, era um bullet.

"Quero pregar a palavra do vibrador mundo afora"

De repente, passei a 'pregar' a palavra do vibrador em todo ambiente que eu frequentava. Se eu sentasse em uma mesa de bar, convencia todas as mulheres a comprarem um. Me dei conta de que não era a única que não conseguia sentir prazer sozinha. Com o passar do tempo, resolvi criar uma página no Instagram para compartilhar minha história de superação.

A página ganhou seguidores, aumentou de tamanho e passei a marcar encontros físicos para conversar sobre sexualidade feminina; íamos a sex shops, tínhamos palestras, workshop - tudo antes da pandemia começar. Em março de 2020 fiz a primeira venda de vibrador da minha vida. Comprei a peça no meu próprio cartão de crédito e revendi para uma amiga.

Pouco tempo depois, comecei a receber mais e mais demanda. Sem dúvidas, o isolamento sexual e o boom no mercado erótico influenciaram no crescimento da Vibre. Fiz parceria com marcas de sex toys e decidi investir no negócio. Sou formada em marketing e já fundei várias outras startups (desde plataformas de cupom promocional até loja de bijuteria de produtos geeks), mas nenhuma foi para frente como a Vibre. Pode soar clichê, mas eu acho que é porque coloquei o meu coração no negócio.

Evento de sexualidade feminina promovido pela Vibre Mulher antes da pandemia de Covid-19 começar - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Evento de sexualidade feminina promovido pela Vibre Mulher antes da pandemia de Covid-19 começar
Imagem: Arquivo pessoal

De junho de 2020 até junho de 2021 já faturamos mais de R$ 500 mil reais. Estamos desenvolvendo o primeiro "vibrador autoral" da Vibre e ele estará disponível para compra ainda este ano. Vai ser um bullet, mas também pretendo criar um sugador, um rabbit e uma varinha. Não penso em abrir a empresa para capital externo; o meu sonho é ter uma loja física modelo com ginecologista, psicóloga e sexóloga de plantão para atender as clientes que têm dificuldade de sentir prazer.

"Na Vibre Mulher, não vendemos produtos fálicos, no formato de pênis. Eu quero mostrar pra mulher que ela não precisa disso para gozar"

Se eu gostaria de reencontrar o boy que me deu um ghosting? Confesso que sim. Não para humilha-lo, mas para mostrar que foi graças àquela história que cheguei até aqui." Stefani Paranhos, 33 anos, empresária de São Paulo (SP)

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