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Cosmético vegano é melhor? Checamos fatos e mitos sobre beleza sustentável

Consumidores ainda têm dúvidas sobre os produtos de beleza sustentáveis - Getty Images
Consumidores ainda têm dúvidas sobre os produtos de beleza sustentáveis Imagem: Getty Images

Tainá Goulart

Colaboração para Universa

20/06/2021 04h00

Em quarto na posição de maior mercado consumidor de beleza e cuidados pessoais do mundo, segundo pesquisa do passado da Euromonitor International, o Brasil segue a tendência mundial de reeducação quando o assunto é beleza sustentável. Aos poucos, termos como vegano, natural, orgânico e clean beauty vão ganhando espaço no universo de cuidados e maquiagem.

"A geração nascida a partir de 1990 está mudando muitos parâmetros da cosmiatria. São pessoas engajadas, conectadas e questionadoras, com um olhar voltado para o coletivo e a saúde do planeta", conta a consmetóloga e professora Vania Rozan, de São Paulo.

Mesmo com o aumento da oferta de produtos que fazem parte das categorias já citadas, dúvidas ainda rondam cabeça do consumidor, cujas pesquisas pelos buscadores só aumentam, especialmente porque a legislação brasileira para o assunto não é tão clara.

Para garantir ao consumidor a aquisição de produtos seguros, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) responde pela autorização ou proibição da comercialização dos produtos de higiene, perfumes e cosméticos, mediante a concessão de registro ou notificação. Outros tipos de selos vêm das certificadoras e, por fim, há ainda toda a sorte de produtos artesanais — sem qualquer tipo de rigor laboratorial.

Para desmistificar alguns dos principais pontos relacionados à sustentabilidade, convocamos um time de especialistas que, a seguir, dividem conceitos e opiniões sobre o tema.

Dúvidas respondidas sobre beleza sustentável

Todos os cosméticos veganos são naturais? MITO
Nem sempre. O termo vegano se refere à ausência de ingredientes de origem animal na formulação, como derivados de leite, mel, geleia real e afins. Isso não significa que não terão ingredientes sintéticos ou de origem mineral. "Um xampu pode ser vegano e ainda conter lauryl sulfato de sódio, que é derivado de petróleo. É preciso se atentar ao rótulo para ter certeza se é ou não vegano", alerta Roseli Siqueira, esteticista e cosmetóloga, de São Paulo.

Para ser vegano, o cosmético também é totalmente cruelty free? VERDADE
Sim, todos os cosméticos veganos também são considerados cruelty free. "Porém, o contrário pode não ser verdadeiro e é possível que um cosmético cruelty free contenha ingredientes de origem animal", afirma a farmacêutica Marcela Buchaim, de São Paulo.

Para Vania, o veganismo é, sobretudo, um movimento ético, que preza pela proteção dos animais, e isso deve ser levado em consideração. "Quando criamos fórmulas veganas, nos preocupamos em rastrear todos os ingredientes para garantir que em momento algum houve contaminantes", argumenta.

Cosméticos sustentáveis devem seguir uma série de regras - Getty Images - Getty Images
Cosméticos sustentáveis devem seguir uma série de regras
Imagem: Getty Images

Cosméticos veganos são melhores para a nossa pele do que os tradicionais? MITO
O fato de ser vegano está relacionado à filosofia de quem usa, o objetivo ético, e não necessariamente à performance do produto. O cosmético ou tratamento ideal para cada um é aquele indicado por um especialista de acordo com o caso do paciente. "O que muda é a sua responsabilidade, o respeito com o meio ambiente e os animais", diz a dermatologista Daniela Borges, de São Paulo.

Falando em clean beauty, esses, sim, dispensam alguns ingredientes considerados suspeitos para uso a longo prazo e capazes de provocar irritabilidade, como fragrâncias sintéticas, parabenos, derivados de petróleo e corantes artificiais.

O cosmético vegano precisa ter uma embalagem vegana e/ou reciclável? DEPENDE
Pensando no meio ambiente de forma global, então faria sentido que as embalagens dos cosméticos veganos fossem recicladas ou recicláveis. "Não seria coerente desenvolver uma fórmula vegana, com ingredientes incríveis, livres de crueldade, de fornecedores conscientes, e então vê-la envasada em embalagens feitas de derivados do petróleo", diz Vania.

Entretanto, conceitualmente, vegano é aquilo que não contém nenhuma parte ou ingrediente de origem animal, como já explicado.

Existe retinol vegano? DEPENDE
Um dos ingredientes queridinhos da dermatologia, o retinol original não é vegano. "Também conhecido como vitamina A, é encontrado na forma de retinóide nos tecidos animais. Ele é um micronutriente, parte do grupo das vitaminas lipossolúveis", informa Daniela.

Entretanto, a ciência já descobriu e sintetizou ativos que exercem funções similares. "Existem versões fabricadas do gérmen de trigo ou dos carotenóides, presente em raízes, folhas, sementes, frutas e flores", conta Vania. "Há ainda o que chamamos retinol-like, ativo vegetal que lembra os efeitos dele. Chama-se bakuchiol e é um derivado das folhas e sementes das plantas babchi", lembra Marcela.

Não existe glicerina vegana? MITO
Outro clássico dos cosméticos e da saboaria, a glicerina existe em três versões: a derivada de vegetal, de animal e de petróleo. "Hoje em dia, nós conseguimos fazer o glicerol, que é extraído de óleos o do coco, palma e de soja", enumera Vania. Vale olhar nos rótulos para checar o tipo.

Maquiagens e cosméticos veganos duram menos? DEPENDE
Os produtos veganos ou clean beauty que não utilizam certos tipos de conservantes sintéticos podem ter o prazo de validade reduzido. Entretanto, a tecnologia já avançou bastante e, dificilmente, o vencimento acontecerá em menos de um ano, por exemplo.

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