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"Casal hétero": por que fala de Conrado e Sorvetão foi criticada por LGBTs?

O cantor Conrado e a mulher, a ex-paquita Andréa Sorvetão, foram criticados após postarem vídeo pedindo para fazerem publicidade por serem um casal hétero e cristão - Reprodução/Instagram
O cantor Conrado e a mulher, a ex-paquita Andréa Sorvetão, foram criticados após postarem vídeo pedindo para fazerem publicidade por serem um casal hétero e cristão Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

20/06/2021 04h00

No Dia dos Namorados, o casal Andrea Sorvetão e Conrado publicou um vídeo no Instagram para pedir patrocínio de algumas marcas destacando o fato de que são "héteros, cristãos e tradicionais".

O vídeo recebeu críticas na rede social, principalmente de pessoas LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuais e outras variações) e outros que viram a reafirmação da heterossexualidade como "falta de empatia e respeito" a outros casais. Até Xuxa, com quem Sorvetão trabalhou anos como paquita, criticou a fala.

"Casal hétero, cristão e tradicional, como se isso fosse algo melhor ou acima das outras relações", comentou uma seguidora. "Que preconceituosos. Será que vocês se acham melhores do que os outros por serem héteros?", comentou outro. Parte dos seguidores também afirmou que Sorvetão e Conrado são um "exemplo a ser seguido".

A publicação segue repercutindo na internet. Conrado gravou um vídeo se explicando. O cantor disse que a intenção não foi ofender ninguém e que a mulher estava muito abalada com os comentários de ódio que eles têm recebido.

Para Hamilton Kida, psicólogo clínico e proprietário da empresa Rainbow Psicologia, que conecta profissionais de psicologia com a comunidade LGBTQIA+, comentários assim reforçam preconceito contra minorias por causa da orientação sexual.

Segundo ele, quando os famosos reafirmam o orgulho de serem heterossexuais eles esbarram no conceito de visibilidade das minorias — principalmente as ligadas à orientação sexual e à identidades de gênero, mas não só elas.

"Quando alguém reforça que é heterossexual, há uma questão de visibilidade, porque a heterossexualidade já é uma maioria", explica a Unversa. "Então, isso reitera tanto o preconceito quanto as violências para quem não é visto, como os grupos LGBTs, negros, indígenas e mulheres."

Vídeo de Conrado e Andrea Sorvetão recebe críticas

O psicólogo avalia que o fato de o casal também ter valorizado o conceito "tradicional" denota a percepção de que quem não é como eles "não está dentro da norma". "Tradicional se diz daquilo que é o certo, de uma cultura que deve ser seguida. Então, parece que quem não está nisso é considerado errado".

O discurso, avalia Hamilton, também atinge os direitos das pessoas LGBTs. "É como se estivesse reforçando o direito pelo que já é garantido. Como se fizéssemos uma campanha para garantir o casamento entre 'héteros'" E cabe lembrar que uma pessoa ter orgulho de quem é não ameaça o orgulho da outra de ser o que é também".

Publicidade e personalidades LGBTQIA+

No vídeo sobre o posicionamento do casal, Conrado explica que a mensagem foi direcionada às empresas que promoviam patrocínios e publicidades por causa do Dia dos Namorados.

A data fez com que marcas levassem ao público alguns comerciais com casais LGBTs, com outras identidades raciais e de diferentes corpos, pontua Hamilton. E isso tem a ver com inclusão. "É justamente para ter um lugar para quem nunca esteve ali. E incluir não significa excluir pessoas heterossexuais e brancas."

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