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Menos flor, mais prazer: eles preferem presentear a namorada com vibradores

Leonardo dará um sugador de presente para a namorada, Catharina - Gabrila di Bella/UOL
Leonardo dará um sugador de presente para a namorada, Catharina Imagem: Gabrila di Bella/UOL

Júlia Flores

De Universa

10/06/2021 04h00

O Dia dos Namorados é no próximo sábado (12) e alguns homens serão amantes à moda antiga, do tipo que ainda mandam flores. Mas há também os amantes à moda das mulheres dos novos tempos. E alguns deles escolheram presentear suas parceiras com vibradores, sugadores de clitóris, dildos e outros brinquedinhos sexuais.

É o caso de Leonardo Formigon, 30 anos. Ele namora Catharina Goulart, 30, há três anos e resolveu inovar neste 12 de junho. "Estava com medo de ser clichê, então pensei em dar algo diferente do convencional. Foi assim que cheguei ao sugador de clitóris".

Leonardo gastou R$ 400 com o presente de dia dos namorados - Gabriella di Bella/UOL  - Gabriella di Bella/UOL
Leonardo gastou R$ 400 com o presente de dia dos namorados
Imagem: Gabriella di Bella/UOL

Leonardo conta que gastou cerca de R$ 400 com o presente. "Quando comecei a pesquisar, encontrei sex toys de até R$ 800. Escolhi o sugador porque ele é capaz de fazer coisas que nós, humanos, não somos capazes. Vi vários modelos e escolhi o mais bacana e discreto. Pelo custo-benefício não acho que paguei caro, foi um valor justo. E sei que ela vai adorar", conta.

Universa conversou com outros homens que, assim como Leonardo, também quebraram tabus e romperam com alguns estigmas para presentear as namoradas com sex toys.

Deixa ela gozar

Marcela e o namorado Daniel. Ela nunca teve um sex toy... até esse dia dos namorados. - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Marcela e o namorado Daniel. Ela nunca teve um sex toy... até esse dia dos namorados.
Imagem: Arquivo pessoal

A estudante de engenharia Marcela Flamino, 25, não esconde a felicidade que sentiu ao descobrir o que o parceiro Daniel Gonzalez, 23, está planejando dar para ela de Dia dos Namorados: uma visita a um sex shop para escolher um brinquedo sexual juntos. "Eu não pedi por esse pressente, mas achei a ideia sensacional. Não passou pela minha cabeça pedir algo parecido. Foi uma surpresa boa, estou curiosa", conta.

É a primeira vez que o casal, que está junto há 1 ano e sete meses, irá a uma loja do gênero. "Vai ser uma experiência só nossa. Vamos procurar um modelo, conhecer as opções, pesquisar a área. Eu nunca tive um sex toy, mas sempre tive vontade", diz Marcela. "Conversamos bastante sobre sexo. Tem coisas que um curte e outro não. Um vibrador vai somar ao nosso relacionamento", completou.

Diferentemente de Daniel e Leonardo, nem todos os homens encaram acessórios sexuais com tanta naturalidade. Para muitos, a presença de um dildo ou um vibrador na vida de uma parceira pode soar até como um adversário.

Daniel diz que já pensou desse jeito, mas com o tempo, se desconstruiu. "O corpo da mulher é diferente, o nosso jeito de alcançar orgasmo é diferente. Sem contar que é sempre bom tentar algo novo. Às vezes só a penetração não basta. Se um cara está muito preocupado que um vibrador vai tomar o lugar dele, isso é pura insegurança".

Achava que seria legal de experimentar coisas novas, sou aberto a tentar sensações diferentes —não muito radicais— que podem acrescentar algo ao relacionamento

O que atrapalha o prazer feminino

Uma pesquisa feita pela Indiana University mostrou que há uma lacuna entre a taxa de homens e mulheres que alcançam o orgasmo durante a relação sexual - cerca de 91% para 39% do público feminino. Essa lacuna de prazer tem até nome científico, "pleasure gap".

A sexóloga Andréia Paro explica que muito dessa falta de acesso ao prazer feminino está relacionada ao tipo de sexo a que estamos acostumados, principalmente em relações heterossexuais. "É comum que o homem só se importe com o próprio prazer. Fomos ensinados a pensar assim. Além disso, também tem aquele homem que enxerga o sexo de uma maneira 'genitalizada': ele está focado em fazer o ato rapidamente, só quer penetrar, quer gozar, chegar logo ao próprio prazer, sem pensar nas outras possibilidades, sexo oral, masturbação, toque."

Ela ressalta um número interessante, o de que 80% das mulheres não chegam ao clímax apenas com penetração e que, por isso, é importante explorar outros estímulos na cama. "Muitos acham que a parceira tem que servir ao homem na cama. É o que chamamos de cultura falocêntrica, que valoriza o poder do homem na transa, afinal de contas, se sou eu que tenho ereção, sou eu que penetro e eu que domino."

Dar um vibrador de presente mostra que o parceiro está aberto a ter novas experiências, não vê o acessório como um competidor —muitos se esquecem de que o vibrador é só um brinquedo que vai proporcionar sensações diferentes que seriam impossíveis de ser reproduzidas com a mão, com o pênis, com o dedo. Experiências distintas, mas complementares. Um sex toy não reproduz o cheiro, o toque, o gosto, o beijo

Adriano e a namorada Bianca. Ela ganhará um bullet de presente - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Adriano e a namorada Bianca. Ela ganhará um bullet de presente
Imagem: Arquivo pessoal

O estudante de farmácia Adriano Dehn, 19, compartilha com Universa que foi graças à insistência da namorada Bianca Sena que ele mudou de ideia sobre o uso de vibradores no sexo. "No começo, eu era muito fechado com o uso de brinquedos na relação, eu não gostava, ficava irritado, com ciúmes, ficava bravo —já até discutimos por causa disso. O tempo e o interesse no assunto me fizeram mudar de ideia. Ela nunca desistiu da ideia, conversava sobre. Tem muito homem com medo de que a mulher o troque por um sex toy, inconscientemente ele pensa assim."

Vamos conversar sobre o assunto?

Adriano segura o presente que dará para a amada no Dia dos Namorados. Um bullet que custa cerca de R$150 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Adriano segura o presente que dará para a amada no Dia dos Namorados. Um bullet que custa cerca de R$150
Imagem: Arquivo pessoal

Adriano e Bianca namoram há 1 anos e 9 meses. Este será o segundo 12 de junho que o casal passa junto. O estudante conta que pagou R$ 150 em um bullet próprio para o estímulo do clitóris —o modelo foi escolhido por ele, que antes conversou com a parceira sobre o assunto, para entender o que ela mais gostaria de ganhar. "Prezei pela qualidade do material, para saber se ele ia machucar ou não, a potência do aparelho. Acho que o que eu gastei foi uma quantia ideal para satisfazer o nosso desejo."

"Nosso desejo", disse Adriano. Ao ser questionado sobre os homens que têm medo de serem trocados por um vibrador, dispara: "Eles precisam começar a não pensar só no próprio prazer, mas também no prazer da companheira. Quanto mais você puder somar, acrescentar ao sexo, melhor será. Não precisa ter medo, testa. A única coisa que pode acontecer é você não gostar. E eu tenho certeza que as meninas ficariam surpresas com os namorados tocando no assunto, porque a maioria delas gosta".

Para Leonardo é preciso vencer o medo de inovar: "O assunto sexo sempre foi apresentado para o homem como uma fórmula, o que, como e onde fazer" - Gabrila di Bella/UOL - Gabrila di Bella/UOL
Para Leonardo é preciso vencer o medo de inovar: "O assunto sexo sempre foi apresentado para o homem como uma fórmula, o que, como e onde fazer"
Imagem: Gabrila di Bella/UOL

Na visão do analista de pessoas Leonardo Formigon, conversar sobre o assunto é importante. "Acho que, por causa da masculinidade tóxica, homens não se importam com a qualidade do sexo, mas sim com a quantidade. Fazem por fazer. Eles também não conversam sobre o assunto com as companheiras. Ficam com medo, né, vai que a mulher diz que não sente prazer... Isso afeta o ego".

O que importa não é só o transar, mas ter e dar prazer. Sexo é muito melhor quando as duas partes se conectam

Ele ressalta a importância de falar sobre o assunto não só com a companheira, mas também com amigos e conhecidos. "Quando decidi presentear minha namorada com o sugador, perguntei para alguns colegas se eles já tinham feito o mesmo. Recebi dois tipos de comentários: os que disseram sentir medo e os que disseram não entender do assunto. Fiquei até surpreso com essa segunda resposta porque veio de um grupo de homens desconstruídos que não conhece nada sobre o universo dos sex toys. Já quanto aos que disseram estar com medo, tentei ter uma conversa com eles, explicar que é normal 'achar estranho'."

"Eu entendo o medo e não posso dizer que nunca pensei dessa forma. Não vou ser hipócrita. O assunto sexo sempre foi apresentado para o homem como uma fórmula, o que, como e onde fazer", reflete Leonardo, que manda uma mensagem para os que ainda não se abriram a este universo: "Temos que lembrar que nada substitui o ser humano. Usar um vibrador pode ser útil até para você mesmo, porque se sentirá mais confiante depois de transar com uma companheira que dá conta de gozar sozinha".

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