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Vivi Araújo adota nome de casada; para especialistas, tradição é patriarcal

Guilherme Militão e Viviane Araújo casaram na última quinta-feira (13) - Reprodução/Instagram @araujovivianne
Guilherme Militão e Viviane Araújo casaram na última quinta-feira (13) Imagem: Reprodução/Instagram @araujovivianne

Júlia Flores

De Universa

15/05/2021 18h01

A atriz Viviane Araújo casou-se nesta quinta-feira (13) com Guilherme Militão em um cartório na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Após o evento no civil, ela reuniu familiares e amigos próximos em uma cerimônia íntima em sua casa.

Após a cerimônia, a noiva que usou um body de renda e uma saia mídi do estilista Silvio Cruz, avaliados em R$10 mil), anunciou que adotou o sobrenome do marido, Militão, à própria assinatura. Agora a atriz é Viviane Araújo Militão.

Não é de hoje que mulheres adicionam o sobrenome do marido aos documentos e assinaturas formais. A prática, na verdade, era obrigatória até o ano de 1977, quando foi criada a Lei do Divórcio, que permitiu às esposas escolherem entre incluir ou não o sobrenome do parceiro aos seus.

Essa mudança na legislação, inclusive, simbolizou uma conquista das mulheres e um passo em direção à emancipação feminina. Em pleno século XXI, algumas parceiras ainda escolhem adotar o sobrenome do marido mesmo com tanta burocracia envolvida. Você sabia que o contrário também é possível? Entenda melhor.

Adotar nome do parceiro era obrigatório

No ano passado, Fábio Assunção se casou com a advogada Ana Verena. Na legenda de uma foto tirada no casamento, o ator escreveu "Ana Verena... que agora é Assunção" comemorando a escolha da mulher. Na época, o assunto virou pauta e a discussão sobre o tema ressurgiu.

A advogada de família Larissa Reis explica que, desde o Código Civil de 1916, a adição do sobrenome do marido ao nome da mulher era obrigatória no Brasil e que a regra não mudou nem com o surgimento do Estatuto da Mulher Casada (Lei 4.121) em 1962.

"A adoção do sobrenome do marido pela mulher é, antes de mais nada, uma tradição cultural em grande parte do Ocidente. E como toda tradição, as pessoas inseridas em determinada cultura vão dando sequencia aos costumes de forma até inconsciente, seguindo aquilo que lhe foi ensinado por seus antepassados", afirma Larissa.

Ter a chance de escolher pela adoção do sobrenome do marido só foi possível a partir de 1977 com o surgimento da Lei do Divórcio. Além disso, em 2002, o novo Código Civil permitiu que o marido ou companheiro também pudesse adotar o sobrenome da mulher, como é o caso da advogada Vanessa Tadeu de Paiva e seu esposo, Allan de Paiva.

Tradição patriarcal

Na opinião de Vanessa, o costume da mulher adotar o sobrenome do marido é uma tradição patriarcal. "O próprio ritual do casamento é machista. Quem celebra a união é um padre (termo que vem de pai), quem 'entrega' a mulher ao marido é o pai da noiva. Ainda bem que as coisas estão mudando. Antigamente, as mães não podiam nem colocar o próprio sobrenome nos filhos", comenta a advogada.

A partir do momento em que você decide pelo seu nome, você tem uma força politica e social maior, como cidadã - Vanessa Paiva, advogada e ativista

Vanessa frisa também: "Antes a mulher era obrigada a adotar o sobrenome do marido, justamente porque ela era tratada como uma espécie de objeto. Ela pertencia à família do homem, ideia base de uma sociedade patriarcal". Vale lembrar que, quando uma pessoa adota o sobrenome da outra, ela precisa fazer alterações nos documentos de identidade, passo burocrático que precisa ser planejado.

Segundo a advogada Larissa Reis, em casos em que não há mais interesse em usar o nome do ex-parceiro, é preciso manifestar esta vontade na própria sentença de divórcio, para que o juiz possa autorizar a mudança. Se a pessoa quiser, ela pode permanecer com o sobrenome, basta buscar um acordo na Justiça.

Para Vanessa, a adoção do sobrenome do homem pela mulher tem um impacto não só social, como também psicológico. "A mudança de nome também interfere na sua psique. Por exemplo, se você mudar de Maria da Silva para Maria Lima, você vai passar a se questionar quem é essa nova pessoa. Esta alteração traz consequências psicológicas", alerta.

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