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Criadora de "Run the World": "São negras incríveis ocupando uma NY diversa"

"Run the World", nova série ambientada em Nova York e que conta a história de quatro amigas, é protagonizada por mulheres negras - Jojo Whilden/Divulgação
"Run the World", nova série ambientada em Nova York e que conta a história de quatro amigas, é protagonizada por mulheres negras Imagem: Jojo Whilden/Divulgação

Mariane Morisawa

Colaboração para Universa

15/05/2021 04h00

Na nova série "Run the World", Whitney (Amber Stevens West), Ella (Andrea Bordeaux), Renee (Bresha Webb) e Sondi (Corbin Reid) são quatro amigas de 30 e poucos anos que equilibram carreira, relacionamentos amorosos e diversão em Nova York. Quatro amigas + Nova York sempre evocam "Sex and the City". Foi assim com "Girls", que atualizava a fórmula para o século 21, com o Brooklyn no lugar de Manhattan e garotas hipsters de 20 e poucos anos em vez das mulheres glamourosas interpretadas por Sarah Jessica Parker e companhia.

"Run the World" (mesmo nome da música de Beyoncé), que estreia neste domingo (16) na plataforma de streaming Starzplay, com um episódio novo toda semana, transfere a ação para o Harlem e está em sintonia com o agora ao fazer de suas protagonistas quatro mulheres negras.

A criadora da série, Leigh Davenport, fica honrada, claro, com qualquer comparação com "Sex and the City", um marco da televisão. Mas enxerga muitas diferenças. "'Sex and the City' era uma série divertida sobre mulheres brancas numa grande cidade diversa. E esta série é sobre mulheres negras ocupando uma grande cidade diversa", disse ela em entrevista a Universa por videochamada. Sua intenção era ampliar a maneira como o público imagina que mulheres negras transitam em sua negritude.

Somos seres políticos, sexuais e criativos, tudo ao mesmo tempo agora, todos os dias

run the world - Cara Howe/Divulgação - Cara Howe/Divulgação
A trama se passa no Harlem e não gira em torno de encontros sexuais e homens, como "Sex and the City"
Imagem: Cara Howe/Divulgação

Mas ela gosta da possibilidade de "Run the World" também se tornar um marco como "Sex and the City".

Demorou esse tanto, mas eu adoraria que a visão do que é ser uma mulher moderna em Nova York fosse a imagem dessas mulheres negras lindas, inteligentes e engraçadas

Na trama, Whitney, Ella, Renee e Sondi enfrentam racismo e preconceito. "Elas vivem em suas peles negras todo dia, afinal", afirmou Davenport. Mas suas reações variam. Às vezes, apenas dão risada. Outras, nem ligam. E em algumas situações precisam rebater ou ter uma discussão a respeito.

"Queria dar ao público a oportunidade de viver conosco de uma forma orgânica e não sentir como se eu estivesse intencionalmente tentando impor conversas sobre a minha negritude. Se você está apenas no meu mundo, conforme eu e minhas amigas vivemos em espaços negros, você vai entender muita coisa."

"São mulheres negras vivendo graciosamente em suas verdades"

Outra grande diferença com "Sex and the City", segundo Davenport, é que "Run the World" não foca encontros sexuais, homens e relacionamentos. "É sobre irmãs que estão tentando descobrir o que querem da vida, como conseguir chegar lá, como apoiar umas às outras para tentarem ser as mulheres que querem ser."

Por mais que se ame Carrie (Sarah Jessica Parker), Charlotte (Kristin Davis), Samantha (Kim Cattrall) e Miranda (Cynthia Nixon), elas eram representações de tipos de mulheres — tanto que era comum perguntar se alguém era a Carrie ou a Samantha. "Em 'Sex and the City', as mulheres eram o extremo oposto uma das outras", disse Davenport. "Eu queria fugir dos estereótipos, ainda mais porque estava contando histórias sobre mulheres negras. Eu busquei os meios-termos. A cada momento pensávamos no que as tornava seres humanos completos e o que fazia delas apenas um tipo."

Leigh Davenport é a criadora de "Run the World" - Divulgação - Divulgação
Leigh Davenport é a criadora de "Run the World"
Imagem: Divulgação

Whitney, por exemplo, trabalha no mercado financeiro, é uma mulher alfa, perfeccionista, e essas personagens frequentemente aparecem como malvadas e frias. Mas ela é doce. Renee é bem-sucedida, desbocada, espalhafatosa e poderia facilmente parecer ser alguém que não precisa de ninguém, mas ela sofre com o fim do seu casamento. Amber, que segue carreira acadêmica, tem medo das consequências da descoberta de sua relação com seu orientador. Ela sabe que a corda sempre arrebenta do lado da mulher, que é acusada de oportunista. E Ella, que teve sucesso com um livro, viu sua carreira patinar e voltou a trabalhar num site de celebridades. Pode ser cínica e sarcástica, mas também é romântica e idealista.

Bresha Webb, que interpreta Renee, disse que nunca havia visto esse perfil de personagens negras na tela.

Eu li no roteiro mulheres negras vivendo graciosamente em suas verdades, elegantemente, exuberantemente. Suas amizades eram complexas. Vi as conversas que eu tenho com minhas amigas sobre sexo, sobre preconceito de idade, racismo. Sobre coisas que acontecem. Mas que também temos humor. E temos amor, e há tantos lados diferentes para as mulheres. E eu nunca tinha tido a chance de ver isso tudo refletido

Andrea Bordeaux, a Ella, espera que a série sirva para expandir a maneira como as próprias mulheres negras se enxergam. "Há uma grande reclamação na comunidade de sermos tratadas como um monolito. E nós mesmas fazemos isso, nos colocamos certas limitações na maneira como vivemos ou nas histórias que contamos", disse.

"E voltemos a 'Sex and the City'. Muitas vezes vivemos experiências similares, mas não nos sentimos capazes de contar histórias assim. 'Run the World' oferece esse panorama nova-iorquino de alta moda e energia, mas adicionando a cultura negra americana. Essas personagens vestem Gucci, mas também LaQuan Smith."

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