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Investigador volta atrás e diz que Spitzner não foi vítima de feminicídio

Luis Felipe Manvailer, em foto de 2017. Ele é acusado de feminicídio e fraude processual no caso da morte de Tatiane Spitzner - Reprodução/Instagram
Luis Felipe Manvailer, em foto de 2017. Ele é acusado de feminicídio e fraude processual no caso da morte de Tatiane Spitzner Imagem: Reprodução/Instagram

Lorena Pelanda

Colaboração para Universa, em Curitiba

07/05/2021 15h30

O investigador da Polícia Civil Leandro Dobrychtop, uma das primeiras pessoas a chegar ao local da morte de Tatiane Spitzner, se retratou durante o depoimento desta sexta-feira (7) e disse que ela não foi vítima de feminicídio.

Ele abriu o quarto dia de julgamento de Luís Felipe Manvailer, em Guarapuava (PR).

No primeiro momento das investigações, o investigador acreditava que Tatiane teria sido vítima de feminicídio, mas hoje ele voltou atrás e falou que não tinha provas suficientes para concluir a causa da morte. O perito explicou ainda que um casal de vizinhos viu Tatiane debruçada na sacada e que, ao ligar para a polícia, eles ouviram o barulho da queda da mulher.

O advogado de Manvailer, Cláudio Dalledone Júnior, avaliou positivamente o depoimento da testemunha, que foi selecionada pela própria defesa do réu. "A nossa postura é de esclarecimento, deixar os agentes de segurança à vontade, sem pressão. O Leandro foi o primeiro a chegar ao local e dar encaminhamento as investigações. Ele tinha a impressão inicial de que se tratava de feminicídio. Ele se retratou hoje e diz que não há provas suficientes para esse tipo de crime. O depoimento serve para isso", diz Dalledone.

O julgamento começou na última terça-feira (04). Oito testemunhas já foram ouvidas.

A qualidade dos esclarecimentos das testemunhas vai definir quanto tempo vai demorar para sair o veredito. "O que pode acontecer é a defesa desistir de todas as testemunhas. Não temos pressa e não podemos brincar. Pode ser que venha um próximo perito e deixe tudo mais claro e, em seguida, já pode ser feito o julgamento", finaliza o advogado do acusado.
A defesa da família de Tatiane Spitzner ainda não se pronunciou sobre os novos depoimentos.

A próxima pessoa a ser ouvida hoje é o policial militar Newton Albach. Ele trabalhava na rádio patrulha da PM no dia da morte da vítima.

Entenda o caso

  • Tatiane Spitzner morreu em julho de 2018; em Guarapuava (PR). Foi encontrada após cair do 4° andar do prédio
  • Luis Felipe Manvailer é acusado de ter matado Tatiane por enforcamento e jogado seu corpo da sacada do edifício.
  • Câmeras registraram o acusado agredindo Tatiane no elevador, recolhendo o corpo dela na calçada e, por fim, limpando as marcas de sangue.
  • A acusação defende que Tatiane foi jogada; a defesa afirma, agora, que ela se acidentou.
  • Depois de três julgamentos adiados, o júri popular de Manvailer começou na terça-feira (4) e deve durar de 2 a 3 dias.
  • Manvailer responde pelos crimes de homicídio (com as qualificadoras de motivo fútil; mediante asfixia e meio cruel; e feminicídio) e fraude processual.
Errata: o texto foi atualizado
A Polícia Civil do Paraná informa que o nome do cargo "inspetor" está sendo abandonado e a denominação atual é "investigador". A informação foi alterada no texto e na home de UOL.