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Aos 26 anos, ela já faturou meio milhão de reais vendendo minivibradores

Marília Ponte é fundadora da sextech Lilit - Reprodução/Instagram
Marília Ponte é fundadora da sextech Lilit Imagem: Reprodução/Instagram

Roseane Santos

Colaboração para Universa

05/05/2021 04h00

Já bem estabelecidas no exterior, as sextechs, startups que unem sexualidade e tecnologia, começam a ganhar espaço no Brasil. Com apenas 26 anos de idade, há uma empresária que se destaca neste segmento. É a publicitária Marília Ponte, fundadora da marca Lilit, que quer se firmar como uma representante do bem-estar sexual para as mulheres.

O primeiro produto desenvolvido pela marca foi bullet Lilit. É um minivibrador (do tamanho de um batom), recarregável, com cinco opções de vibração e aparência discreta. O lançamento aconteceu em agosto de 2020, em plena pandemia, apenas em lojas virtuais. Desde então, a paulista já faturou mais de meio milhão de reais.

Criança inquieta, adulta criativa

Sabe aquelas crianças espivitadas, que fazem perguntas embaraçosas e deixam os pais sem graça? Marília Ponte era uma delas. A curiosidade pela sexualidade sempre foi presente no mundo da menina, que ganhou alguns livros educativos na adolescência sobre o tema. "A minhã mãe sempre me falou que sexo era coisa de adulto e deveria ser prazeroso", recorda. A boa associação permaneceu na mente dela, que se especializou em administração e transformou a máxima em mantra do próprio negócio de bem-estar sexual.

"Comecei trabalhando com marketing publicitário. Depois, fiquei quatro anos em uma ONG de apoio aos empreendedores no Brasil e no mundo. Foi onde iniciei minha experiência com suporte de vendas. Em 2019, decidi abandonar para me dedicar a algum negócio que dialogasse com a sexualidade feminina. Lembro que, desde a adolescência, era descolada. Já falava sobre masturbação, enquanto as minhas amigas eram tímidas. Eu era fora da curva", brinca.

Para chegar à Lilit, passou por um processo de autoconhecimento. Mergulhou na psicanálise e na literatura sobre feminismo, erotismo e a desigualdade do prazer entre homens e mulheres. "Ficava indignada. Vi que não sabia muita coisa e que a maioria das mulheres ao meu redor também não. Muitas não conheciam nem mesmo a própria anatomia genital", argumenta.

Os questionamentos se somaram às experiências pessoais. Depois de analisar dados, especialmente do mercado internacional, decidiu criar um vibrador moderno, que não causasse vergonha em relação à estética e tivesse alta performance. "Eu tive uma sensação estranha ao entrar em um sex shop pela primeira vez e perceber que eu, como muitas outras pessoas, não sabia da procedência dos produtos, das marcas. Não tinha conhecimento sobre materiais tóxicos nos acessórios e por aí vai", recorda.

Bullet da Lilit - Divulgação  - Divulgação
Bullet da Lilit é discreto e potente
Imagem: Divulgação

O vibrador dos sonhos

Com objetivos bem claros em vista, Marília se dedicou a desenhar um produto diferenciado, que fosse perfeito para as necessidades que sempre teve. "Entrevistamos mais de três mil mulheres via internet para validar que elas sentiam falta de uma experiência prazerosa. Notamos o quanto ainda é uma questão tabu no Brasil. Recebemos respostas incríveis e selecionamos algumas voluntárias para uma imersão, em que levavam os próprios brinquedos. A partir daí, perguntávamos tudo: qual é a textura preferida, como guardavam, se escondiam", conta.

Depois de pesquisas variadas e rodas de conversa, passou a delinear como seria o tal vibrador ideal, que agradasse diversos interesses — das mais aprofundadas no assunto até as iniciantes que estavam em busca do primeiro acessório. Juntando as economias, a venda de um carro e a rescisão do último contrato de trabalho, investiu cerca de 200 mil reais no sonho da sextech própria. Foram vários protótipos e testes diversos, desde o acabamento emborrachado até os motores e níveis vibratórios. Nascia, então, o bullet Lilit, com cinco velocidades de pulsação, acabamento suave e tamanho diminuto.

A comunicação certeira, sempre em tom empoderador e acolhedor, fez dos perfis da marca nas redes um chamariz para o produto. Nos primeiros nove meses, sem lojas físicas e durante a pandemia, a Lilit faturou 560 mil reais e mais de 2.900 mulheres já experimentaram o sex toy. Segundo ela, além de vender produtos, a marca tem o compromisso de criar conteúdo educativo e lúdico sobre o assunto. No blog da marca, é possível ler sobre dicas de sexualidade positiva e contos eróticos — o e-book já foi baixado mais de 1.200 vezes. Marília não tem funcionários, cuidou sozinha de cada detalhe.

A sagacidade da jovem encontrou um setor em franca expansão. Segundo dados do portal Mercado Erótico, no Brasil, ele faturou 2 bilhões só em 2019. Recentemente, em março deste ano, a empreendedora ingressou no programa da aceleradora B2Mamy, vinculado ao Google For Startups, com o objetivo de expandir os negócios. Entre os produtos no radar, estão também velas de massagem e lubrificantes.

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