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Mulheres Pós 2020

Debates transmitidos por Universa sobre o impacto da pandemia na vida das mulheres


"Debate sobre reabertura de escolas tem muita hashtag e pouca conversa"

De Universa

28/04/2021 22h54

Neste 28 de abril é comemorado o Dia Nacional da Educação, um dos setores mais afetados pela pandemia da covid. Com a chegada do vírus, escolas tiveram que ser fechadas, alunos foram empurrados para dentro de casa e, milhões deles, por não terem acesso a um computador, foram privados de dar continuidade aos estudos.

A defasagem que estes dois anos sem escolas causarão na sociedade foi o tema do primeiro painel do segundo dia de Mulheres Pós 2020, evento com transmissão ao vivo de Universa.

Ao abrir o painel, a mediadora do bate-papo, Deh Bastos, lançou a seguinte reflexão para as convidadas: "Depois de tanto tempo sem aula, será que apenas trazer os alunos de volta será o suficiente?". A resposta - ou a falta dela - foi debatida por Luanda Moraes, reitora da UEZO, pela socióloga Lourdes Atié e pela presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

"Estamos perdendo uma geração de alunos"

Um estudo divulgado recentemente pelo Governo de São Paulo mostrou que os dois anos de pandemia causarão uma defasagem escolar que levará, no minimo, uma década para ser contornada. Priscila Cruz alerta: "Desigualdade já existia, mas agora está muito maior. Estamos vivendo um período de grave impacto". "O debate da reabertura das escolas tem muita hashtag e pouca conversa séria", argumenta Priscila.

A socióloga Lourdes Atié concorda. "Não é que a pandemia trouxe um problema que não conhecíamos, ela só deu mais destaque a ele", disse. Para a especialista, a sociedade tem o costume de responsabilizar a escola pelo mau desempenho do aluno, agora, porém, essa culpabilização precisa ser revista; "É preciso entender que o aluno que não tem internet, ou computador, aquele aluno que está afastado da educação ele não é responsabilidade apenas da escola, mas de toda a comunidade", pontua.

"Professores estão definhando, à beira de um surto. Uma vez questionei uma criança sobre a opinião dela a respeito da educação e ela respondeu :'O bagulho é louco'

Luanda Moraes, que é reitora da UEZO (Universidade Estadual da Zona Oeste do Rio de Janeiro), também falou sobre as consequências sociais da evasão escolar e lamentou não ter um poder de alcance maior: "Queria eu poder dizer que estou incluindo a todos, resolvendo os problemas de evasão... Infelizmente não estou, mas pelo menos eu tento".

"A evasão escolar prejudica ainda mais as mulheres. Muitas delas estão antecipando a maternidade"

Ela reforçou a importância de leis inclusivas, como a que garante a existência das cotas para ingresso no ensino superior, uma vez que a população negra e outras minorias - inclusive as mulheres - sofrem ainda mais os efeitos da pandemia. "No Brasil, temos uma política ineficiente de inclusão. Não é por acaso que os negros foram os que mais morreram na pandemia. Eles têm menos acesso a serviços públicos de qualidade, seja a educação ou a saúde".

"Sobrenome do professor é Esperança"

Mudanças na Base Nacional Comum Curricular, que define o conteúdo aplicado em todo território brasileiro, também foi um dos assuntos discutidos pelas especialistas no Mulheres Pós 2020. Na opinião da socióloga Lourdes Atié, a base é técnica, cheia de detalhes e deveria ser simplificada.

A ativista Priscila Cruz concorda com a atualização na BNCC, mas adverte para algumas mudanças de origem conservadora que estão sendo propostas na Câmara: "O que não pode acontecer é transformar a base curricular em algo conservador, não é essa a revisão que precisamos fazer. Tem que ter cuidado, a pandemia deixa essa modernização ainda mais complicada".

"O dia mundial da educação serve para entendermos que o tema é de interesse da Politica com 'P' maiúsculo - ou seja, de Política não partidária", frisou Lourdes que também defendeu a melhora nas condições de trabalho dos professores, "do mesmo jeito que não podemos perder nenhum aluno, também não podemos perder nenhum professor".

Consciente sobre o futuro, porém, ela finalizou seu discurso com uma frase positiva: "Sobrenome de professor é esperança". Essa frase, inclusive, pode ser uma das respostas para o dilema apresentado por Deh Bastos no começo do debate. É preciso cobrar medidas e investimentos públicos para a educação; tudo isso sem deixar a esperança de lado.

Mulheres Pós 2020 continua nesta quinta-feira

Comandado pela jornalista Ana Paula Padrão, o Mulheres Pós 2020 continua teve ínicio na última terça-feira, 27, e terá seu último dia de debates nesta quinta 28, com uma série de painéis com lideranças femininas globais e transmissão ao vivo de Universa a partir das 18h30. Confira a programação.

Quinta, 29/04

Painel 1: "Um burnout mundial: como evitar a epidemia do esgotamento mental"
Convidadas:
Camila Almeida (Dir Pessoas - Azul), Mariana Holanda (Dir Saúde Mental - AMBEV) e Viviane Elias Moreira (Ger Resiliência Corporativa - United Health)
Mediadora: Maíra Liguori (jornalista)

Entrevista: Marília Rocca (CEO Grupo Hinode), por Ana Paula Padrão

Painel 2: "O Papel Decisivo das Empresas para Devolver Oportunidades e Autonomia às Mulheres"
Convidadas:
Ana Fontes (CEO da Rede Mulher Empreendedora), Crisciane Rodrigues (Pres Comitê Líderes Grupo Hinode) e Flavia Schlesinger (VP Finanças Pepsico)
Mediadora: Dolores Orosco (Editora-chefe de Universa)

Palestra: Pamela Figueroa (cientista política - Chile)

Painel 3: "Mulheres pós 2020: como resgatar aquelas que estão ficando pelo caminho"
Convidadas:
Flavia Rodrigues (Pres Comitê Mulheres Paraisópolis), Ilona Szabó (Pres Instituto Igarapé) e Paula Tavares (Advogada e Especialista Banco Mundial)
Mediadora: Joyce Ribeiro (jornalista)

Entrevista: Silvia Federici (escritora e filósofa), por Lia Rizzo (jornalista)