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"Tive 1º orgasmo aos 26, com ajuda de yoni eggs e reconsagração do ventre"

*Paula fez um tratamento com sexóloga para descobrir porque não tinha prazer sexual - arquivo pessoal
*Paula fez um tratamento com sexóloga para descobrir porque não tinha prazer sexual Imagem: arquivo pessoal

Paula* em depoimento a Manuela Aquino

Colaboração para Universa

24/04/2021 04h00

"Nunca havia tido um orgasmo sequer. Não só não tinha orgasmo, como nenhum prazer. Perdi a virgindade aos 15, namorei bastante, transei com quem quis, mas um detalhe importante faltava. Não chegava ao orgasmo nem transando, nem na masturbação. Aliás, me masturbava muito pouco. Porque nunca foi prazeroso, então eu não tinha vontade de fazer.

Quando estava nas preliminares rolava uma excitação, mas quando começava a penetração, sentia como se meu corpo parasse de responder. Estava ali com o corpo presente mas sem nada de reação. Na época, merecia o Oscar de melhor fingidora de orgasmo da vida.

Não tinha coragem de falar para nenhum dos meus parceiros, nem para amigas. Nas conversas com elas, eu via que elas tinham às vezes dificuldade mas não como eu. Passei a tomar consciência de que aquilo não era comum.

Passei por alguns ginecologistas e abri o jogo, mas sempre fui orientada a fazer terapia ou simplesmente diziam "você precisa relaxar, é coisa da sua cabeça". Fiz terapia por muitos anos, acredito muito e gosto, mas mesmo tratando do assunto nas sessões, não adiantava pois ali era uma questão de mudança lenta. Também fiz acupuntura, aromaterapia e nada adiantou.

Eu até me forçava a fazer posições diferentes o tempo todo, pois achava que talvez ia encontrar uma que me desse prazer. Posso dizer que já tinha testado quase todo o Kama Sutra. Sempre sem sucesso. Por isso, depois de um tempo abandonei essa ideia de ficar me forçando a fazer trezentas posições na relação.

Aos 26 anos, conheci meu marido. Nicolas* morava na Bélgica e uma amiga nos apresentou. Passamos e nos falar pelo Orkut e depois por MSN, bate-papo e câmera. Até que chegou o dia de ele vir me conhecer. Nesta fase, eu estava completamente apaixonada por alguém que eu nunca tinha visto.

Nosso encontro no aeroporto foi coisa de novela, com beijo romântico e tudo. Eu tentei adiar ao máximo a transa, por conta da minha questão. Até que rolou e foi a mesma coisa: nada de orgasmo. Não foi ruim: eu o amava muito, nas outras relações não tinha tanto envolvimento.

Cerca de um mês depois, ele voltou para o país dele, ficamos nesses encontros menos frequentes. Mas nosso relacionamento foi ficando cada vez mais sério. Um ano depois de começarmos a namorar, Nicolas decidiu fazer MBA no Rio e fomos morar juntos.

Em um dia qualquer navegando na internet, li um artigo da sexóloga Roberta Struzani sobre a falta de orgasmo e me identifiquei. Mandei uma DM contando minha história e ela me indicou um curso de pompoarismo e reconsagração do ventre. Resolvi fazer o primeiro, mas a reconsagração, num primeiro momento, achei uma grande besteira esse lance de que o útero guarda memórias.

Fiz o curso de pompoarismo online com yoni eggs. Tinha os exercícios de contração e respiração e também precisava dormir com a yoni egg por conta dos efeitos da pedra. A escolhida para mim foi uma considerada mais forte, chamada obsidiana. Quando você coloca a pedra há uma experiência sensorial: tive muito pesadelo aquela noite e, depois, corrimento - nunca tive daquele jeito e era um sinal de limpeza, depois eu soube.

Umas duas semanas depois de terminado o curso, Nicolas veio me ver e já senti diferença no sexo. Eu não cheguei ao orgasmo, mas senti prazer e meu corpo respondia aos estímulos. Eu ainda fingia - só contei para o Nicolas que não tinha prazer depois que me curei - mas já estava curtindo mais transar.

Quando comecei a usar yoni eggs, passei a ter excitação e prazer nas preliminares. O que faltava ainda era o orgasmo, em si. E, nessa relação especificamente, isso aconteceu na penetração.

Tive que revisitar o passado para ter um orgasmo no presente

Resolvi dar uma chance para a consagração. Meu namorado estava vindo de mudança para o Brasil, haveria uma mudança na minha vida, estava amando e queria estar por inteiro na relação. Comecei e terminei o processo de maneira bem cética. É tudo rápido, demora duas horas mais ou menos, e neste tempo você vai ouvindo orientações de respiração, relaxamento, como se fosse um processo de meditação mas não fica parada pois há exercícios de contração vaginal.

Me deixei levar quando veio a memória da minha primeira vez. Perdi a virgindade com um namoradinho da escola, que também era virgem. A gente combinou de ter a primeira vez juntos e fomos para a casa de um amigo dele, na hora eu queria desistir, mas ele acabou insistindo e eu cedi.

Fiz algo que não queria pois estava ali e tenho certeza que foi isso que meu corpo havia aguardado até aquele momento. Nunca achei que era grande trauma, não considero abuso, mas veio forte como se fosse, como se meu corpo tivesse sentido assim. Eu fiz sem querer. Me senti muito cansada ao final, parecia que tinha corrido uma maratona.

Dois dias depois, eu reencontrei o Nicolas. Finalmente eu iria saber se o tratamento havia dado certo. Me entreguei ao momento. De modo geral, o processo foi o mesmo de todas as outras vezes: começamos a nos excitar, as preliminares começaram (sexo oral, estímulos com o dedo, beijos, carinhos, etc.) e depois partimos para a penetração em si.

Mas eu estava diferente. Quando a gente transou, eu estava mais solta, mais segura de mim. Aí, tive meu primeiro orgasmo aos 26 anos. Foi uma coisa muito surreal, parecia que eu tinha saído do meu corpo, muito intenso. Uma sensação muito diferente, aquele sentimento de estar no auge do prazer. Chorei muito quando acabou de tanta emoção.

Desde então, eu tenho orgulho em toda relação. Brinco que o jogo virou. Nem sempre é esse orgasmo que senti da primeira vez, mas sempre tenho. Continuo até hoje fazendo os exercícios de pompoarismo. Fui muito descrente no começo mas sei que foi a reconsagração, ter me lembrado da primeira vez de um jeito diferente que mudou tudo.

Pra mim, o que vivi antes na cama foi nulo, não conta mais. Agora sei o que é sentir prazer, ter libido. Salvou minha vida, minha relação amorosa. O sexo é sim um caminho para a felicidade, nunca mais tive aquele sentimento de incapacidade. Mudou tudo."

Paula*, de 36 anos, analista de marketing, é do Rio de Janeiro (RJ)

* Nomes alterados a pedido da entrevistada.

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