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Um relacionamento saudável precisa de sexo constante? Elas dizem que não

Para a estudante Gabriela de Souza, 22 anos, sexo não é a base de uma relacionamento saudável - arquivo pessoal
Para a estudante Gabriela de Souza, 22 anos, sexo não é a base de uma relacionamento saudável Imagem: arquivo pessoal

Lisandra Steffen

Colaboração para Universa

18/04/2021 04h00

Será que não ter vontade de transar é algo ruim? Nem sempre a falta de sexo deve ser encarada como um sinal de alerta. Uma pesquisa divulgada pela sexóloga e terapeuta de casais americana Holly Richmond afirma que, em média, um adulto faz sexo 54 vezes por ano - isso é uma vez a cada seis ou sete dias. Não existe uma conta fechada, mas, segundo a sexóloga, relacionamentos considerados "quarto morto" são aqueles que casais transam menos de seis vezes por ano.

Mas muito casais se recusam a viver na pressão da expectativa alheia ao sexo. Para Andressa, Gabriela e Safira sexo não é a prioridade e isso não significa que vivam relacionamentos menos conectados e apaixonados.

"Não caio na pressão externa"

Andressa Amaral, 24 anos, estudante de Administração. - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Para a Andressa, a base de um relacionamento é a amizade
Imagem: arquivo pessoal

"Sou lésbica, namoro há cinco anos e moramos juntas há quatro. Nos conhecemos jogando futebol e foi algo bem forte, porque eu nunca ficava com uma menina que jogava bola comigo. Sempre fui muito crítica nas minhas expectativas de relacionamento - sempre esperei uma troca maior, uma profundidade, e encontrar a Talissa foi uma grata surpresa.

Acho que sexo não é a base de um relacionamento. A base de um relacionamento, na essência mesmo, é a amizade. Porque a amizade envolve o companheirismo, a franqueza, o quanto se está ali pra outra pessoa. Sexo faz parte, claro, mas não vejo essencial para a conexão do casal.

Existe uma pressão externa, na sociedade isso se torna um tabu. Parece que, se o casal transa com frequência, o relacionamento não serve, a troca com a outra pessoa não serve. Eu e a Talissa somos muito abertas em relação a isso, os nossos amigos todos sabem disso.

A gente brinca 'já faz dois meses que não rolando nada', mas, pra gente, na nossa rotina e com tudo que a gente tem que fazer, isso é algo tranquilo. Mas, claro, a gente tem nossos pontos de atenção. Trocamos isso de uma forma bem orgânica, até porque, se for pressionar, não rola.

Essa pressão externa existe muito pelo padrão de sociedade que a gente cresce. Acredito que, pro futuro, pra daqui umas três gerações, isso já se altere bastante. Hoje a gente se questiona muito. Por que ter uma frequência sexual é uma obrigação? Por que cada um não pode viver a sua vida da sua forma e da forma que fizer mais sentido? E um relacionamento é isso, você tem que conviver com uma pessoa de forma que faça mais sentido para as duas." Andressa Amaral, 24 anos, estudante de Administração.

"A base do nosso relacionamento não é o sexo"

Gabriela de Souza, 22 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo. - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Para Gabriela, o sexo pode ser ótimo, mas se a ligação do casal não for muito boa, não adianta nada.
Imagem: arquivo pessoal

"Em junho, Lucas e eu vamos fazer três anos de namoro. Nos conhecemos no Tinder. Nunca achei que realmente ia sair namorando desse aplicativo.

A base de um relacionamento é a cumplicidade e a sintonia do casal. O sexo pode ser ótimo, mas se a ligação entre eles não for muito boa, não adianta nada.

Meu namorado nunca me pressionou, até porque já teríamos terminado. A sensação é péssima, parece que, às vezes, você é algum tipo de aberração ou que tem algo errado em você se não transar certinho toda semana.

A gente é muito bombardeado por esse tipo de conteúdo e parece que a vida sexual de todos anda sempre às mil maravilhas. Nos filmes o casal sempre tem aquela disposição e química que, na vida real, muitas vezes o cansaço é tanto que vocês só querem colocar o pijama e passar o final de semana dormindo e vendo série.

A pornografia atrapalha as relações sexuais, já li várias coisas sobre isso. Vi muitos relatos de pessoas que se viciaram naquela irrealidade. Depois, a vida real deixou de ser interessante e isso acabou trazendo problemas pro casal, principalmente em relação a autoestima da outra pessoa." Gabriela de Souza, 22 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo, de Sapucaia do Sul (RS).

A pressão que vem dos dois lados

Safira Norame, 24 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo. - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Safira diz que sofreu pressão pra transar mas não cedeu
Imagem: arquivo pessoal

"Não estou namorando no momento, e também nunca namorei. Acho que isso é devido a minha criação e a forma como vivi até hoje. Nasci no Maranhão. Aos três anos, devido ao trabalho do meu pai, nos mudamos para o Paraná. Hoje, moro no Rio Grande do Sul devido a faculdade. Sempre tive mudanças na minha vida, nunca fiquei mais de três anos na mesma escola. Resumindo, relações sólidas eu estou construindo agora, na faculdade. Antes disso minhas relações de amizade foram bem passageiras. Hoje até mantenho contato por meio das redes sociais, mas nada muito profundo.

Sou ex testemunha de Jeová. O foco na minha vida sempre foi ao contrário do que o da maioria, a pressão era pra não ter relações sexuais antes de casar. Hoje, tendo o meu ponto de vista, do lado de fora dessa organização, sinto que fui muito pressionada a pensar dessa forma. Como cresci nessa ideia, era difícil pensar em uma outra opção.

Mesmo não estando em um relacionamento, já senti pressão pelos dois lados. Já fui pressionada para transar, o importante não era nem criar uma relação com alguém, mas o ato em si. A pressão pode fazer estragos na vida de alguém. A pessoa tem que crescer e decidir o que ela quer fazer, o desejo e a vontade dela, só ela sabe distinguir.

Há muita pressão da sociedade. A 'cultura' é levar isso como tabu. Isso está se desconstruindo com o decorrer do tempo, mas muito lentamente. Creio que avançamos muito na última década. Mesmo assim, temos que melhorar e discutir tanta coisa, vencer muitos obstáculos pra chegar, ao menos, em uma consciência mais confortável e respeitosa." Safira Norame, 24 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo, de Passo Fundo (RS)

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