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"Se não fosse a pandemia, Cury teria sido cassado", diz Isa Penna

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) - Divulgação
A deputada estadual Isa Penna (PSOL) Imagem: Divulgação

Camila Brandalise

De Universa

01/04/2021 22h06

"Se não estivéssemos em isolamento por causa da pandemia, ele teria sido cassado. A pandemia segura o movimento feminista. Até sugeriram que a gente convocasse um ato de protesto, mas não dá para aglomerar. Mas, se fosse possível, teríamos tido outro desfecho. Ainda assim, hoje é um dia para ser comemorado", afirma a deputada estadual Isa Penna (PSOL) a Universa.

A celebração tem motivo: nesta quinta (1º), em decisão por unanimidade, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) ampliou a pena de afastamento de Fernando Cury (Cidadania) de três para seis meses por ter importunado sexualmente a deputada. Isa foi apalpada por Cury no plenário e o denunciou ao Conselho de Ética da Casa em dezembro do ano passado.

É uma decisão inédita sobre violência contra a mulher em uma casa legislativa no país. Para a deputada, a derrota de Cury é também uma derrota do machismo.

"O machista agora estará mais inseguro de nos assediar. Daqui para a frente, para casos como esse, vai ser uma pena dessas para cima", avalia.

Cury ficará sem salário durante os seis meses de afastamento e a verba de seu gabinete será cortada pelo mesmo período. A pena branda anterior aprovada pelo Conselho de Ética da Alesp, de três meses de suspensão, permitia que o parlamentar continuasse recebendo e que seu gabinete seguisse em funcionamento — uma espécie de "férias remuneradas", segundo Isa.

"Pressão popular foi determinante"

Isa reforça a importância da mobilização coletiva para exigir uma pena adequada a Cury, maior do que a que havia sido estipulada pelo Conselho de Ética no dia 5 de março, de 119 dias. Para muitos deputados, esse período de afastamento representava uma licença, não uma punição.

No início de março foi lançada a campanha "Por uma Punição Exemplar" pedindo a cassação de Cury por meio de mensagens diretas enviadas pela população a cada um dos deputados estaduais. O movimento teve a adesão de mais de 65 personalidades brasileiras, como Alessandra Negrini, Leticia Sabatella e Patricia Pillar.

A pressão popular foi determinante, essa mobilização coletiva. Quando as mulheres se movem em coletivo, há resultado", diz. "É uma vitória que pertence a um grande coletivo de mulheres plurais, que se organizaram pela sociedade civil e foram parceiras imprescindíveis."

"Machismo na Alesp teve que recuar"

A deputada pontua que mesmo o parlamentar Wellington Moura (Republicanos), que sugeriu uma pena mais branda a Cury, a de 119 dias de afastamento, teve que votar a favor da punição maior, de seis meses.

"Quem votasse contra ia ter um desgaste. Eles já estavam superbravos com a mobilização das pessoas, falando que estavam sendo perseguidos", afirmou. "É muita covardia dos machistas. Por isso digo que é uma derrota interessante eles votarem pelo 'sim'. Até aqueles que falaram que eu não me dava o respeito, que dançava funk, votaram pela punição."

Isa ressalta que não deseja mal nenhum à família de Cury. "Feminismo não tem a ver com vingança. O ponto é que, quando avançamos, como na decisão de hoje, damos um exemplo: machistas precisam dar um passo para trás. É uma decisão que encoraja mulheres e desencoranja assediadores."