PUBLICIDADE

Topo

"Amor de Mãe" e violência doméstica na pandemia; "Tema urgente", diz atriz

Edilene apanha do namorado em "Amor de mãe" - Reprodução TV Globo
Edilene apanha do namorado em "Amor de mãe" Imagem: Reprodução TV Globo

Júlia Flores

De Universa

01/04/2021 04h00

No capítulo desta terça-feira (30) de "Amor de Mãe" foi ao ar o momento em que a personagem de Taís Araújo (a advogada Vitória) descobre que sua ex-diarista Edilene (Beatrice Sayd) está sendo vítima de violência doméstica.

Em entrevista para Universa, Beatrice comenta sobre o episódio e fala sobre a necessidade de discutir o assunto em rede nacional: "É um tema urgente que impacta a vida de todas as mulheres".

Números revelam que a pandemia e o isolamento social aumentaram os casos de violência doméstica no Brasil e no mundo, principalmente entre as mulheres negras. Agora, com a vítima mais tempo ao lado do agressor, as mulheres estão sujeitas a abusos físicos com maior frequência — é o que acontece com a personagem de Beatrice, que acolhe o namorado desempregado (Robson, interpretado por Cadu Favero) em casa.

"Interpretar a Edilene me fez ter ainda mais vontade de falar sobre violência doméstica. Nós, mulheres, vivemos com medo; ainda mais no Brasil que é um país extremamente violento", comenta Beatrice. A atriz disse que, no processo de preparação da personagem, assistiu documentários, viu imagens e estudou textos sobre o tema.

"Este é um assunto importante que destrói a gente há muito tempo. Nenhuma mulher precisa sofrer violência, nenhuma mulher tem que fazer nada que não tenha vontade de fazer. Mas a gente não sabe disso. Vivemos em uma sociedade machista e violenta. Às vezes reproduzimos esses atos, abaixamos a cabeça. Não interessa ao sistema dominante masculino que nós nos informemos sobre o assunto", comenta.

Edilene recebe o apoio da ex-patroa Vitória para denunciar as agressões do namorado - Reprodução TV Globo - Reprodução TV Globo
Edilene recebe o apoio da ex-patroa Vitória para denunciar as agressões do namorado
Imagem: Reprodução TV Globo

A história de Edilene se desenrolará nos próximos capítulos. O que a atriz adiantou para Universa é que Vitória será uma das grandes fontes de apoio para a amiga.

Na vida real, porém, nem todas têm essa chance: "Nem todas têm uma Vitória por perto, mas é importante que a gente denuncie qualquer tipo de violência ou injustiça; é o que a filósofa Djamilla Ribeiro fala sobre agir diante de um caso de racismo. Não podemos nos calar."

Beatrice aproveitará o momento de "Amor de Mãe" para fazer lives com outras mulheres que possam ajudar quem passa pela mesma situação atualmente. As conversas serão às quartas e sextas-feiras, sempre às 20h, no perfil do Instagram da atriz.

A primeira participação foi da delegada Marília de Brito Martins, que já esteve à frente das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher de Campo Grande e Nova Andrandina, no Mato Grosso do Sul. A próxima convidada para o debate online, nesta sexta-feira, 2, será a atriz Cristiane Machado, que sofreu violência doméstica e engajou-se no combate da violência contra a mulher.

Em caso de violência, denuncie!

Sempre que presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie. Vale lembrar que casos de violência doméstica são aqueles em que o agressor mora na mesma casa da vítima e, na maior parte, são cometidos por parceiros ou ex-companheiros, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Além do 190, também é possível realizar denúncias de violência pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil e na página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses a partir da data da agressão. Caso esteja se sentindo em risco, a vítima pode solicitar uma medida protetiva de urgência.

Clique aqui, acesse o Manual de Universa de combate ao feminicídio e saiba mais sobre o assunto.