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"Quero mostrar que mulher joga rúgbi", diz CEO da confederação

A administradora Mariana Miné - Divulgação
A administradora Mariana Miné Imagem: Divulgação

Marcelle Souza

Colaboração para Universa

19/03/2021 04h00

A administradora Mariana Miné, 39, assumiu o comando da CBRu (Confederação Brasileira de Rugby) há quatro meses, em plena pandemia, com um grande desafio: aumentar a visibilidade e os investimentos na modalidade. Para ela, em um momento de crise financeira, queda de arrecadação e suspensão de torneios, a saída é apostar no time feminino.

Mariana também avalia que o esporte, por toda a visibilidade que tem, é uma vitrine importante para igualdade de gênero. "Precisamos de mais mulheres ocupando posições de comando nessa indústria e mostrando toda a sua capacidade em tomar decisões", diz ela. E defende que o rúgbi também seja essa vitrine.

"O rúgbi é um esporte associado à força física, a muito impacto e, para o cidadão comum, também à masculinidade. Mas temos um time feminino 18 vezes campeão sul-americano, presente nas duas edições das Olimpíadas, e podemos mostrar que mulheres jogam rúgbi, que meninas podem sonhar muito além do estereótipo do que é feminino", conta.

Jogo da seleção brasileira feminina de rúgbi sevens - João Neto/Fotojump - João Neto/Fotojump
Imagem: João Neto/Fotojump

"As empresas querem reforçar vínculo com as mulheres"

Mariana é a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO do rúgbi, apesar de os comitês e conselhos da CBRu terem uma participação feminina de no mínimo 40%. Ela é responsável por vender a imagem dos times masculinos (Tupis) e femininos (Yaras) e manter uma relação próxima com os patrocinadores.

"Nas redes sociais, percebemos que Yaras têm maior engajamento e há grande potencial de crescer com esse público. Para as empresas, é urgente reforçar vínculos com as mulheres e nós temos histórias de atletas de sucesso para contar", diz a CEO, que vai debater liderança feminina no evento Pacto pelo Esporte 2021, entre os dias 24 e 26 de março.

Antes de assumir o cargo na confederação, Mariana nunca tinha trabalhado na área esportiva. Construiu uma sólida carreira na área de marketing e vendas, com passagens por empresas como Ambev, Unilever e RBS, e, ao lado da irmã, criou um negócio para pets.

No início da pandemia, no entanto, bateu uma crise: "Eu, empreendedora, estava tocando um negócio, gerenciando funcionários, com duas crianças em casa, banheiro para lavar. Foi aí que pensei em voltar para o mercado", disse.

Miné - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Começou pesquisando oportunidades, conversando com colegas, e avisou que queria mudar. Nesse momento, o mundo do esporte não estava no seu radar, mas foi sondada para o posto de comando da CBRu. "Um colega me disse: eu tenho uma vaga no rúgbi e acho que você tem o perfil. Para ser sincera, eu levei um susto", conta.

Até então, suas referências sobre o rúgbi eram da época da faculdade, quando os colegas jogavam no time universitário e o fato de ter acompanhado de perto a Copa do Mundo da modalidade durante um intercâmbio na Austrália, em 2003. Lembrou disso tudo e decidiu arriscar a vaga. "Sinceramente, foi um dos processos seletivos mais profundos pelos quais eu já passei, nunca tinha falado com tantas pessoas", diz.

"Durante as entrevistas com os conselheiros, eu perguntava: o que você espera de mim? Nessa época, eu não entendia de esporte de alto rendimento, mas acho que me escolheram por conta da minha experiência híbrida em marketing e vendas, porque, para fazer o rúgbi crescer, é preciso atrair patrocinadores e gerar receita."

"Rúgbi feminino é o meu principal produto"

Quando Mariana assumiu, o primeiro passo foi ouvir patrocinadores, conselheiros e outras pessoas experientes na área.

"O novo me empolga. Eu sempre vou com vontade, gosto de me jogar de cabeça, mas é necessário trazer o pouco de vulnerabilidade sempre que você chega em um contexto novo. Eu não sou daquele lugar, não tenho a solução, não posso chegar dando ordens, então preciso das pessoas para construir a melhor estratégia. Gosto de pensar e liderança como união, menos cisão", conta.

Com empresas reduzindo gastos por conta da crise, ao invés de buscar novos investidores, avaliou que era melhor reforçar os vínculos com as que já davam suporte ao rúgbi. "Fui conversar com elas para entender suas necessidades e como poderíamos ajudá-las, como a modalidade poderia agregar valor às marcas."

E foi aí que percebeu que Yaras, o time feminino, seria seu trunfo. "As empresas estão preocupadas em construir um vínculo com diversidade, então o rúgbi feminino é o meu principal produto para crescer", diz a CEO.

Mariana também defende que o esporte tem tudo a ver com sucesso profissional e a chegada das mulheres a cargos de liderança. Nesse sentido, ela cita um estudo realizado pela rede de atletas EY Women Athletes Business Network e pelo site espnW, que ouviu mais de 400 executivas de diversos países.

De acordo com a pesquisa, 94% delas praticavam algum esporte e 60% disseram que o envolvimento com o esporte, no passado, colaborou para o sucesso de suas carreiras. "O esporte desenvolve habilidades de liderança e trabalho em equipe", diz ela.

Daí que uma forma de impulsionar os investimentos no rúgbi no Brasil, aposta Mariana, é aproximar as atletas de alto rendimento e patrocinadores e público em geral. "Precisamos dar luz às conquistas femininas e seus resultados expressivos no esporte, contar suas histórias e mostrar, através dessas atletas, que são representantes de minorias, que qualquer pessoa pode brilhar", diz.

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