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Skincare de cannabis: maconha agora faz parte da rotina da beleza

O óleo facial a base de canabidiol, da marca Body Shop - Divulgação
O óleo facial a base de canabidiol, da marca Body Shop Imagem: Divulgação

Larissa Nara

Colaboração para Universa

26/02/2021 04h00

Extraído da maconha, o óleo de canabidiol agora é tratado como o novo superingrediente das fórmulas de skincare graças às propriedades que prometem hidratar, reduzir a acne e até retardar o aparecimento de linhas finas e rugas.

Não é de hoje que os benefícios medicinais da maconha são conhecidos: amenizar crises epiléticas, aliviar dores de enxaqueca severa e auxiliar no tratamento de pacientes com câncer, estão entre os principais. Mas, após a legalização da maconha para uso medicinal e recreativo em várias partes dos Estados Unidos, universidades no mundo todo têm investido em pesquisas que mostram também seus efeitos na saúde da pele.

O principal componente utilizado na indústria da beleza é o CBD (canabidiol), uma molécula natural extraída da maconha que não tem propriedades recreativas, como o THC. "Para uso tópico só se utiliza o canabidiol, que tem demonstrado ação na modulação [a regulação e fortalecimento da barreira da pele] diante de processos inflamatórios como acne, rosácea e alguns casos de queda capilar", explica Fernanda Chauvin, farmacêutica bioquímica especialista em dermocosmética.

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Balm facial da CB2, Simple Organic, R$ 135
Imagem: divulgação

Fora o efeito anti-inflamatório, um estudo recente realizado pelas universidades de Córdoba, na Argentina, e de Dundee, no Reino Unido, demonstrou que essa molécula também apresenta ação antioxidante nas principais células da camada superior da pele, podendo atuar no retardamento do processo de envelhecimento.

Ainda faltam pesquisas clínicas para embasar esses efeitos promissores, mas a previsão é que o ativo extraído da maconha movimente 22 bilhões de dólares no próximo ano, segundo relatório do Brightfield, grupo especializada em levantamento de dados sobre o negócio da cannabis. E parte desse valor refere-se à indústria da beleza.

Óleo de CBD ainda é proibido no Brasil

No Brasil, o óleo de CBD ainda não está autorizado para uso dermatológico. Mas, o primeiro passo para se chegar lá foi dado há cinco anos, quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou a importação de medicamentos à base de canabidiol mediante sua autorização obrigatória. No início do ano passado, a agência liberou a utilização do ativo sob prescrição médica e, com isso, a substância voltou ao debate, gerando interesse de investidores nesse mercado.

Embora produtos para a pele formulados com o canabidiol ainda não estejam liberados no país, é possível encontrar mulheres que testaram essas fórmulas compradas no exterior e dizem sentir os benefícios na pele.

A médica paulistana Paula Stella, 40, pioneira na prescrição de cannabis medicinal no Brasil, é uma das entusiastas do efeito cosmético do CBD. Aqui, ela explica:

Aplico para tratar queimaduras e alergias, mas também para uso estético no dia a dia, acho que a pele fica linda e superhidratada

Outra fã do ativo na rotina de cuidados com a pele é a stylist Kika Cabrera, 34, de São Paulo, que começou a utilizar no ano passado os produtos de skincare com CBD também trazidos de outros países. Ela sentiu a pele muito hidratada, mas precisou parar o uso por causa de um tratamento com toxina botulínica.

Para a farmacêutica Fernanda, além das pesquisas, o motivo do hype em torno do CBD também tem a ver com a curiosidade. "Como é uma novidade, muitos estão ansiosos para saber como funciona. Além disso, uma das principais tendências na beleza hoje e para os próximos anos é a procura por produtos e ativos mais naturais que reforcem essa ligação entre natureza, corpo, beleza e bem-estar."

Vitaminas C e E têm efeito antioxidante similar

Enquanto não é possível encontrar itens de cuidado com a pele com CBD no mercado brasileiro, dermatologistas recomendam apostar em outros ativos clinicamente testados.

Segundo eles, existem outras moléculas e ativos que, quando aplicadas topicamente, conferem também o máximo efeito antioxidante, evitando danos aos radicais livres e ao DNA celular, como vitamina C, niacinamida e resveratrol.

"Existem diversos imunomoduladores já usados para tratamento de condições inflamatórias da pele como psoríase, rosácea e dermatite atópica. Se pensarmos na ação antioxidante/anti-inflamatória da pele, por exemplo, pode-se considerar o uso de produtos à base de vitamina C e E", diz Vivien Yamada, membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia)

Embora as pesquisas sejam promissoras, elas ainda são iniciais e carecem de evidências científicas, por isso não há um consenso nas sociedades de dermatologia tanto aqui quanto nos Estados Unidos a respeito do uso tópico de produtos formulados com CBD.

Compostos vegetais como óleo de copaíba são alternativa

Marcas gringas já usam os ativos derivados da maconha faz tempo. Entre elas, a The Body Shop que, desde os anos 90 conta com a linha Hemp feita com semente de cânhamo (ainda não disponível nas lojas no Brasil); a Herbivore Botanicals, da modelo australiana Miranda Kerr, tem a linha Emerald toda desenvolvida com CBD; e, mais recentemente, a Avon anunciou o lançamento da Green Godess, sua primeira linha com produtos à base desse ativo, que inclui óleo facial e hidratante para diminuir a irritação da pele (também sem previsão de chegada ao país).

Enquanto o canabidiol para uso cosmético não é de fato liberado em terras brasileiras, a farmacêutica Fernanda Chauvin recomenda produtos com a potência de outros compostos vegetais com efetividade comprovada, como o óleo de copaíba, árvore natural da América do Sul, ou do Green Leaf Complex, um composto exclusivo da Ellementti Dermocosméticos. "Ele apresenta as mesmas funções do CBD, com ação na modulação do processo inflamatório. Também acalma e restaura a barreira cutânea, purifica os poros e refina a textura da pele."

Para encontrar o tratamento específico para cada condição o ideal é consultar o seu dermatologista.

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