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Naked hair: tendência nas redes sociais incentiva fio cacheados e crespos

A americana Jade Kendle-Godbolt e seu naked hair - Reprodução/Instagram/@lipstickncurls
A americana Jade Kendle-Godbolt e seu naked hair Imagem: Reprodução/Instagram/@lipstickncurls

Jéssica Arruda

Colaboração para Universa

15/02/2021 04h00Atualizada em 17/02/2021 06h01

Você já experimentou somente lavar, enxaguar os cabelos e sair por aí feliz da vida? Isso mesmo: sem produtos para modelar os cachos, diminuir o frizz ou controlar o volume. Mulheres de cabelos crespos e cacheados estão aderindo a esta nova rotina de cuidados, com pouca interferência de produtos capilares. Este movimento crescente nas redes sociais ganhou até nome: naked hair, ou cabelo "nu" em tradução livre.

A onda teve início quando a americana Jade Kendle-Godbolt percebeu que não conhecia mais seu cabelo original - e não fazia mais ideia de como eram suas madeixas sem usar uma quantidade enorme de cremes, óleos e itens para definir os cachos.

Durante a pandemia, ela aproveitou para deixar os produtos de lado e compartilhar sua experiência com a hashtag #nakedhair nas redes sociais. Assim, incentivou outras mulheres a postar fotos das madeixas com cachos imperfeitos e reais no Instagram. Milhares aceitaram o desafio de revelar a beleza natural dos fios.

"Eu me forcei a usar meu cabelo sem nada de vez em quando e foi muito doloroso no início. Eu lutava com a pressão de estar com ele sempre estilizado. Tive que aprender a amar meu cabelo em seu estado natural. Quando foi a última vez que você deixou seu cabelo #naked?", disse ela no Instagram.

Naked hair como autoconhecimento

A prática levou mulheres negras (e também brancas) a repensar a utilização massiva de produtos para cabelos crespos e cacheados. E a avaliar como a tendência de cachos homogêneos e megadefinidos impõe modelos estéticos que não condizem com a realidade de quem não investe (muito) na finalização dos fios.

Com o movimento, estas mulheres passaram a valorizar a textura dos seus cabelos como ela é, trazendo ainda uma reflexão sobre autoestima por meio da aceitação do próprio fio.

"As mulheres entenderam que não são obrigadas a aderir a um estilo ou uma opinião formada por um padrão da sociedade. Elas perceberam que o cabelo "nu" também tem seu valor e sua beleza", afirma Severo Muniz da Silva, estilista do Grupo Alfaparf. Além disso, com o naked hair é possível olhar de maneira mais atenta aos fios e avaliar do que eles realmente precisam.

Para algumas, a tática permite deixar o cabelo livre e solto em seu estado completamente natural, sem efeitos e sem aplicar (quase) nenhum produto nele -a ação do xampu, afinal, não pode ser desprezada. Para outras, se trata apenas de um respiro, uma forma de conhecer o cabelo e saber exatamente como cuidar dele da melhor maneira possível.

Liberdade do naked hair

Foi justamente com o propósito de autoconhecimento e da sensação de liberdade em assumir os próprios cabelos com todas as imperfeições que levaram Alessandra Matias Medrado, 42, a aderir ao naked hair. Depois de mais de 20 anos de fios alisados, a contadora e influencer (@alematiasmedrado) de Maringá (PR) resolveu apostar nos fios reais sem passar pela transição capilar.

O cabelão na cintura virou big chop e o cabelo cacheado curtinho ficou ainda mais natural com o uso mínimo de itens de cuidados na rotina. Independentemente do movimento das redes sociais, Alessandra conta que adotou a prática como forma de aceitar seus cachos reais, com volume e mesmo com pouca definição.

"Quase não uso produto. Como faço muito exercício físico, então, lavo o cabelo e sigo a vida. Em algumas ocasiões, gosto também de usar um bom creme de pentear, quando quero deixá-lo mais definido, mas no dia a dia, não. Meu cabelo é meu xodó e hoje não preciso me preocupar se vai chover, se preciso prender o cabelo porque está armado ou com frizz, isso é libertador", conta.

Quem tem medo do frizz?

Alessandra lava os fios cacheados de 3 a 4 vezes por semana e vai a cada quatro meses ao salão de beleza para fazer uma hidratação profunda nos cabelos. "Se ficar muito seco, não me incomodo. Com frizz, às vezes, até acho bonito", diz.

Almiro Nunes, especialista da Clínica dos Cachos em São Paulo, explica que o frizz está entre os aspectos valorizados do naked hair. Os fios arrepiados se tornam parte integrante da textura natural dos cabelos e, por isso, deixam de ser sinônimos de "bad hair day" nesta filosofia.

"Deixar o cabelo natural, como se fosse um tecido sem tratamento nenhum, permite que os fios fiquem com aparência mais rústica. E aí você tem mais frizz. Algumas pessoas podem achar que fica com cara mais seca, mas não é. Simplesmente, a pessoa gosta do cabelo daquele jeito", diz ele.

No dia a dia: como cuidar dos fios

Cuidar do naked hair é tarefa simples, mas não necessariamente fácil. Para aderir, não é preciso deixar todos os produtos de lado imediatamente - e nem parar de utilizá-los para sempre. Uma dica é começar retirando apenas um produto pós-banho.

Outros truques como usar fronha de cetim no travesseiro para dormir e camiseta como toalha para secar os cabelos também ajudam a diminuir o atrito e embaraçar menos os fios. "Se o cabelo é muito crespo, sugiro a lavagem a cada 3 dias, assim dá tempo do fio recuperar a nutrição", afirma o expert Severo Muniz.

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