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Rihanna, JLo e Kylie lançam linhas de skincare: pele perfeita está à venda?

Famosos como Jennifer Lopes mergulharam no mundo do skincare - Reprodução/Instagram @jlobeauty
Famosos como Jennifer Lopes mergulharam no mundo do skincare Imagem: Reprodução/Instagram @jlobeauty

Baárbara Martinez

Colaboração para Universa

01/01/2021 04h00

Enquanto alguns artistas desaceleraram na pandemia, outros aproveitaram o momento e ampliaram os caminhos de suas carreiras. Famosos como Rihanna, Kylie Jenner, Jennifer Lopes, Pharrell Williams e Alicia Keys mergulharam no mundo do skincare ("cuidados com a pele", em tradução literal do inglês), criando suas próprias marcas de dermocosméticos.

Aos 51 anos, Jennifer Lopes irá lançar sua linha este mês. A atriz e cantora, que afirmou recentemente nunca ter feito botox, estimula seus fãs no e-commerce da Jlo Beauty com o slogan "Se você quer um ótimo cuidado com a pele, e você quer aquele brilho, agora você pode tê-lo"

Pharrell Williams, que chama atenção por ter uma pele com poucas linhas de expressão aos 47 anos, apostou no lançamento da Human Race. Já Alicia Keys, que deixou de usar maquiagem como obrigação, criou a Keys Soulcare, que traz itens que evocam o bem-estar.

Kylie e Rihanna, que já tinham suas marcas de maquiagem, expandiram e criaram a Kylie Skin e a Fenty Skin, respectivamente. A irmã de Kim Kardashian declara que todos os produtos de sua linha são "cruelty free, vegano, sem glúten, sem parabeno e sem sulfato".

Pele dos famosos é possível para "cidadãos comuns"?

Com produtos em embalagens instagramáveis (visualmente interessante para despertar o desejo de tirar uma foto), todos os famosos em questão são modelos de suas empresas, despertando o desejo de compra no consumidor. Não só pela tendência, mas pela tentativa de alcançar a pele impecável deles. Afinal de contas, ao ver a JLo, imaginamos que ela use os seus próprios produtos. E quem não gostaria de ter uma pele como a dela?

Segundo a dermatologista Sylvia Ypiranga, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esse pensamento é perigoso. Ter uma imagem influente envolvida em um produto, que possui reais de tratamento, pode criar no consumidor uma ideia de resultado ilusório.

"O importante é desvincular o resultado da imagem do artista. Eles conseguem aquela aparência com outros procedimentos que, provavelmente, não são só com suas linhas de dermocosméticos. Os artistas não têm formação em farmácia, em manipulação e muito menos em medicina. Não tem como dizer que eles são daquele jeito por conta dos cosméticos que estão lançando hoje".

"Eles usaram alguma coisa pelo menos no passado e acredito que façam alguns procedimentos sim, porque a gente vê os resultados. Eles não podem assumir, que é um direito deles, mas nós que executamos os procedimentos, sabemos que muito provavelmente eles fazem".

Tendo consciência do grau de expectativa com a realidade que o produto pode proporcionar, a dermatologista ressalta que há casos em que a avaliação de um médico é extremamente necessária antes de inserir qualquer produto novo na necessaire. Principalmente quem tem melasma, alergias, manchas no rosto, lesão pela radiação solar, acne, vitiligo, entre outras patologias.

"É importante sempre fazer um acompanhamento anual no dermatologista para obter esse tipo de orientação, ainda que seja para esse tipo de produto mais comercial", afirma a médica.

Incentivo pop

Com tantos lançamentos no mercado, a Sylvia ressalta que nem todos têm condições de participar desta busca pela pele impecável.

"Se há necessidade de um tratamento mais específico e a pessoa investe nesses produtos [dos famosos], será que o consumidor terá como investir no tratamento adequado [indicado por um dermatologista]? Será que haverá condições de ter um tratamento especializado e comprar esses produtos comerciais? Nem sempre é possível adquirir esses dois quesitos", questiona.

Em contrapartida, segundo a médica, uma vantagem é que essas linhas comerciais despertam nos consumidores o costume de cuidar da pele, incluindo uma maior preocupação com a proteção solar.

"Isso cria um hábito que mesmo que a pessoa não vá ao dermatologista, eventualmente já está exercendo um grau de foto proteção (usando filtro solar), ainda que seja sem orientação. Do ponto de vista de massa, de população, isso não é ruim. O que é ruim é essa expectativa irreal", pontua a especialista.

De todo jeito, brasileiros ainda terão que esperar. Deixando os fãs na vontade, nenhuma das marcas acima possuem venda direta no Brasil. Apenas a marca de maquiagem Fenty Beauty, de Rihanna, é comercializada no país.

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