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"Estou casado há 20 anos e não há outro lugar em que eu deseje estar"

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de Universa

28/12/2020 04h00

Por que algumas pessoas conseguem manter relacionamentos duradouros e outras não? Ainda que não exista uma resposta fechada para um dos maiores mistérios da humanidade, a ciência têm algumas pistas que podem ajudar a acalmar os corações solitários. Ana Canosa, sexóloga e apresentadora do podcast Sexoterapia, cita uma pesquisa que mapeou os hábitos de pessoas que se diziam felizes com seus pares. "Um dos que apareceram como muito importante é o chamado 'ronronar', que são as piadas internas entre o casal, nas quais se inclui aquele apelidinho carinhoso constrangedor, tipo 'tchutchuquinho'", afirma.

Segundo a sexóloga, esse tipo de intimidade gera uma particularidade amorosa que só o outro tem com você, está dentro de uma narrativa construída a dois. É o que o cronista e poeta Fabrício Carpinejar, convidado do episódio, chama de "vulnerabilidade do brega", algo que só as pessoas que amam se permitem experimentar. "É um reconhecimento de afeto muito poderoso", conclui Ana.

Esse 'ronronar' estão entre os itens que Fernando, 48, considera importantes para seu relacionamento de mais de duas décadas. "É ingenuidade achar que duas pessoas que se amam nunca vão se desentender ou achar que o sexo está um tédio, mas em uma relação longa e sólida tem tantas outras coisas que contam. Por exemplo, nossas piadas internas, nossos fins de semana de comilança e preguiça", enumera (escute o caso no vídeo acima, a partir do minuto 47:38).

Amor x sexo

Carpinejar chama a atenção para essa relativização do sexo como outro item importante na construção dos relacionamentos duradouros. "Nem tudo é sexo, porque quando você ama, tudo é sexo, tudo é cumplicidade, intimidade. É a palavra encaixada que vai atiçar uma vontade. É a sensualidade do inesperado que só pode existir dentro da rotina", afirma.

E não tem nenhum problema na rotina, segundo Carpinejar, outro item para a lista mágica. "Rotina não é repetir aquilo que você não gosta, é repetir aquilo que você gosta, aperfeiçoar, produzindo encantamentos diferentes", conclui. Para ele, é um desserviço exaltar a paixão e relegar o amor a esse lugar de marasmo, de acomodação. "É como se a paixão fosse uma fórmula para o rejuvenescimento. Você se apaixona para voltar a ser jovem. Você casa e envelhece", diz. A gente coloca a normalidade do casamento como se fosse tédio. Há um meio termo", conclui.

E quem chega a esse meio termo, como Fernando, encontra no amor uma motivação para seguir adiante, mesmo diante das inúmeras dificuldades que surgem pelo caminho. "Nos momentos mais difíceis, sempre focamos no companheirismo, na amizade, e na lealdade que criamos para nos mantermos unidos. Não existe outro lugar no mundo em que deseje estar", diz ele.

Para saber mais

  • Livros: "O curso do amor", Alain de Botton; "Amor, Poesia ,Sabedoria", Edgar Morin; "O Amor Companheiro", Francisco Daudt da Veiga; "O livro do Amor", Regina Navarro Lins; "Amor na Vitrine", Regina Navarro
  • Série: Modern Love (Amazon)

Acompanhe o Sexoterapia

Amor é o tema do quadragésimo primeiro episódio do podcast Sexoterapia. Este é o último episódio da quinta temporada do programa, dedicada a refletir sobre dilemas masculinos. Nesse episódio, as apresentadoras Marina Bessa, jornalista, e Ana Canosa, sexóloga, recebem o poeta e cronista Fabrício Carpinejar.

Sexoterapia está disponível no UOL, no Youtube de Universa e em todas as plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Castbox.

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