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Como redes de apoio podem ajudar um negócio a crescer?

Amanda Momente, sócia-fundadora da Wondersize: "Hoje damos prioridade a parcerias com mulheres" - Carine Wallauer/UOL
Amanda Momente, sócia-fundadora da Wondersize: "Hoje damos prioridade a parcerias com mulheres" Imagem: Carine Wallauer/UOL

Caroline Marino

Colaboração para Universa

10/12/2020 04h00Atualizada em 10/12/2020 11h43

Sempre que procurava roupas com sua numeração para fazer atividade física, Amanda Momente, 31, se decepcionava. Ela só encontrava peças com tecidos transparentes e modelagens desconfortáveis.

Até que decidiu ir a uma costureira para criar a "legging perfeita", batizada mais tarde de Joana D'arc. A calça foi tão elogiada em um evento plus size que, ao lado da amiga Mariana Oliveira, ela decidiu criar a marca de moda esportiva de tamanhos grandes WonderSize.

Sem um plano de negócios estruturado, mas com o sonho de transformar o mercado de moda plus size, a dupla se inscreveu no programa de aceleração da Rede Mulher Empreendedora depois de apresentar uma palestra motivacional em um dos já tradicionais "Café com Empreendedoras" que o instituto promove pelo país.

Foi uma maratona de palestras e mentorias com direito, até, a uma madrinha de peso: a empresária Sônia Hess, ex-presidente da Dudalina. "A aceleração foi um divisor de águas para nós. Conseguimos profissionalizar a empresa, estruturar um plano de negócios e pensar em caminhos para crescer com mais segurança", diz Amanda.

Como reflexo, o faturamento cresceu quatro vezes em um ano e a WonderSize começou a ganhar visibilidade no mercado. A empresa também participou do "Shark Tank", reality show de empreendedorismo (no qual as sócias declinaram um aporte de R$ 350 mil), e recentemente passou por uma aceleração na Endeavor. Hoje, seus produtos estão presentes em 17 lojas da Centauro, que é a maior rede multicanal de produtos esportivos da América Latina.

As vantagens de ter uma rede de apoio

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"O que a gente mais aprendeu foi fazer networking, fazer contato com outras mulheres. A gente vem de um viés inconsciente e cultural de que nós, mulheres, somos concorrentes – e, na verdade, somos parcerias"
Imagem: Carine Wallauer/UOL

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"A Endeavor foi um sonho realizado. Falávamos disso desde o começo. E hoje vemos que a Wonder pode, sim, ser uma empresa de impacto no mundo transformando a vida das mulheres gordas"
Imagem: Carine Wallauer/UOL

"Empreender, no geral, é solitário. E as mulheres acabam sofrendo mais com isso pela falta de equilíbrio nas outras atividades", diz Ana Lúcia Fontes, fundadora da RME. "Elas mergulham no próprio negócio ao mesmo tempo em que tentam equilibrar os diversos 'pratinhos' da vida."

Idealizada em 2010, a RME atua no apoio ao empreendedorismo feminino e já atendeu mais de 2 milhões de mulheres. Segundo Ana, contar com redes de apoio pode fazer toda a diferença no andamento do negócio.

Elas são importantes tanto para prover a empreendedora com conhecimento vindo de palestras, cursos ou capacitações quanto para proporcionar mentorias ou histórias de negócios parecidos com o seu. "É importante ouvir de alguém se o caminho que você está trilhando é viável ou se há outras formas de atuar", afirma.

Ana reforça, ainda, que as redes auxiliam muito no lado emocional. Empreender não é simples, nem fácil. E ver que há outras mulheres seguindo por esse caminho dá mais força e motivação.

"Aprendemos a tocar a empresa com menos cobrança de perfeição, com mais carinho —sendo mulheres possíveis", diz Amanda. Segundo ela, a questão do networking também mudou. A rede de contatos se ampliou e as parcerias com outras mulheres virou algo bem mais comum.

Como um grupo do Facebook ajudou um negócio a nascer

Marta Santos, de 38 anos, fundadora da Marta Santos Buffet, em Ribeirão Preto, sempre teve o sonho de empreender, mas o medo de deixar um emprego de 12 anos a paralisava. Até que ela entrou no Clube da Borboleta, grupo do Facebook que atua como uma empresa colaborativa que qualifica profissionais e conta hoje com 275 mil mulheres.

"Auxiliamos em todas as etapas do negócio —desde a parte burocrática e legislativa até a divulgação dos produtos ou serviços. A ideia é ser um canal educativo", diz Fabíola Medeiros, criadora do Clube da Borboleta.

No grupo, Marta passou a ouvir histórias inspiradoras. "E percebi que podia fazer esse movimento também", diz. Ela começou aos poucos, vendendo alguns produtos para as integrantes da rede, até que decidiu abrir sua empresa, um bufê para festas e eventos.

"O grupo foi essencial para a abertura do negócio, porque eu não sabia nada sobre empreender. Fiz cursos de mídias digitais, empreendedorismo e finanças e, depois, entrei na faculdade de gastronomia", diz. Hoje, por causa da pandemia, ela passou a atuar também como personal chef, responsável por elaborar e preparar marmitas de acordo com o objetivo do cliente.

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"Na RME descobri um outro universo: de sororidade e de fomentação do empreendedorismo feminino", diz Amanda
Imagem: Carine Wallauer/UOL


Check-list

8 instituições e grupos que podem ajudar no crescimento de seu negócio

  • Rede Mulher Empreendedora (RME). Grupo de apoio com 85 mil mulheres, auxilia com processos de mentoria e capacitação e aceleração de negócios, além de ser um marketing player para expor gratuitamente o produto
  • Sebrae. Oferece mentoria individual para acolhimento, aplicação de ferramentas líder coach e alinhamento de dúvidas de gestão, além do Programa Sebrae Delas, uma série de cursos para ajudar a mulher que deseja abrir um negócio e precisa conhecer o passo a passo para o planejamento
  • Endeavor. Traz produção de conteúdos que auxiliam os empreendedores a acelerar seus negócios, como o mapa de acesso à capital e também promove programas de aceleração

Grupos do Facebook

  • Afrobusiness. De São Paulo, o grupo é dedicado à inserção econômica e social da comunidade negra
  • Clube da Alice. De Curitiba, é composto por empreendedoras que trocam dicas de negócios e fazem parcerias
  • Clube da Borboleta. O grupo de Ribeirão Preto atua como uma empresa colaborativa que qualifica profissionais para serviços
  • Coaching da Cor School. Negócio que nasceu no Rio de Janeiro também dedicado a capacitar e integrar empreendedores negros
  • JuntasSomos+. Do Rio de Janeiro, que atua com mentoria para mulheres empreendedoras

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