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Físico ou digital? Como escolher melhor ponto para fazer a empresa crescer

Carol Pucci, da My Basic: "Como não éramos conhecidas, fizemos um trabalho de mídia muito forte" - Pryscilla K./UOL
Carol Pucci, da My Basic: "Como não éramos conhecidas, fizemos um trabalho de mídia muito forte" Imagem: Pryscilla K./UOL

Caroline Marino

Colaboração para Universa

08/12/2020 04h00

A My Basic é uma loja de roupas femininas básicas, mas feitas com tecidos especiais que seguem princípios de sustentabilidade. Ela nasceu em 2013 já em um ambiente digital. Responsáveis pelo empreendimento, as empresárias Carol Pucci e Bruna Motta tinham um plano bem estruturado de negócios e de marketing digital - e resolveram apostar em um site e no Instagram para ganhar fôlego e crescer.

"Estudamos bastante o canal de vendas que iríamos utilizar e decidimos pelo online, algo não muito comum na época", diz Carol, 37. Segundo ela, por se tratar de peças básicas, que não impunham padrões, era mais fácil conseguir vendê-las nesse ambiente.

"Mas, para não deixar de oferecer uma boa experiência de compra aos clientes, mandávamos as embalagens com todo o cuidado, com o cheirinho da marca e com informações sobre a peça", conta. Assim, elas conseguiam proporcionar às clientes uma experiência sensorial que uma loja física fornece.

Para terem sucesso nesse formato, já que a empresa ainda não era conhecida, Carol e Bruna investiram pesado em um trabalho de mídia, contratando assessoria de imprensa e formadores de opinião.

Como tomar a melhor decisão

A decisão de abrir um negócio no ambiente físico ou no digital está geralmente pautada no quanto você tem para investir. Uma loja física exige aluguel ou compra de um ponto, além da contratação de vendedores.

Atualmente é bem comum começar um negócio pelas redes sociais. "Hoje vemos restaurantes, que sempre estiveram no físico, apenas no online", diz Ariadne. Mas, de acordo com ela, é essencial ter em mente que o virtual também exige investimento, tanto para montar um site quanto para criar um plano de marketing digital. "Sem a estratégia, é como se uma loja estivesse numa rua sem saída."

Josiane Luz, 30 anos, fundadora da Luzz Cacau, especializada em chocolates finos, apostou num plano estruturado de mídias digitais para crescer. "Debrucei no planejamento de marketing, fiz cursos na área e me aperfeiçoei", conta. Segundo ela, isso foi essencial para a ascensão do negócio.

Entre as estratégias, Josiane apostou no contato com nutricionistas influenciadoras, em investimento no site e em redes sociais e em estratégias de anúncios virtuais, além de parceria com empórios e lojas.

Hoje, a empresa tem nove parceiros online, como chocolaterias, está em 38 pontos de venda físicos no Brasil e em marketplaces - e este mês, a Luzz Cacau ganhou o terceiro lugar de melhor chocolate ao leite do Brasil, no prêmio Bean to Bar Brasil 2020.

My Basic 1 - Pryscilla K./UOL - Pryscilla K./UOL
"No início, como estávamos apenas no ambiente virtual, apostamos muito na experiência de compra, em como o cliente receberia o produto"
Imagem: Pryscilla K./UOL
My Basic 2 - Pryscilla K./UOL - Pryscilla K./UOL
"Pensamos muito na sustentabilidade, não apenas na escolha dos fios, mas também na contratação de mão de obra"
Imagem: Pryscilla K./UOL

Quando ir do digital para o físico faz sentido

Em 2018, a My Basic de Carol e Bruna tinha crescido tanto que, apenas no Instagram, contava com 80 mil seguidores (hoje são mais de 95 mil). E então elas sentiram necessidade de fazer o caminho inverso - e ir para o ambiente físico.

"Foram muitas reuniões e planejamentos para tomar essa decisão, pois não queríamos apenas uma loja, queríamos algo que levasse aos clientes um conceito de integração e colaboração", afirma. Assim nasceu a Casa My Basic, um local que reúne as roupas da marca, claro, mas também toda a parte operacional da empresa, com as costureiras e o pessoal do administrativo. "Foi um processo mais tranquilo, pois já tínhamos construído uma história", diz Carol.

A movimentação de Carol e Bruna é recomendada pelos especialistas. Segundo Ariadne Mecate, consultora de marketing do Sebrae, se firmar como marca no ambiente digital dá mais segurança para investir em um espaço físico.

"Assim, na hora de abrir a loja, já existe público para ela", afirma. Mas a especialista reforça que pode ser mais difícil crescer, pois em um ambiente online - em que há muitas ofertas - é preciso de muito mais trabalho para ser visto pelo cliente. "A loja física ainda é o meio que mais atrai consumidores", afirma.

My Basic 4 - Pryscilla K./UOL - Pryscilla K./UOL
Casa My Basic, a loja física da marca, que também reúne a parte comercial da empresa
Imagem: Pryscilla K./UOL

Como escolher um ponto

Como já tinham todo o histórico dos clientes, Carol e Bruna foram certeiras na escolha do local: entre Pinheiros e Jardins, áreas nobres de São Paulo e regiões onde estava concentrada a maior parte de fãs da marca. "O ideal é pensar em um raio entre 8 e 10 quilômetros de distância do local onde ficará a loja até onde estão a maioria de clientes", diz Ariadne.

Depois disso, pense em espaços com boa visibilidade e facilidade de acesso aos consumidores. "É importante olhar se não há algo na frente do estabelecimento, como bancas de jornais, e se o acesso é fácil, com pontos de ônibus perto e estacionamentos", recomenda Ariadne.

A especialista recomenda visitar o local em diferentes horários do dia para ver se o movimento muda e conversar com empresários vizinhos. "Quanto mais informação a empreendedora tiver, mais assertiva vai ser a decisão", diz Ariadne.

Outro aspecto importante é estar em um local que tenha circulação de pessoas e outros comércios. "As pessoas buscam praticidade, e estar perto de outros locais de consumo facilita a venda", diz Marcela Quiroga, especialista em vendas. Nesse sentido, diz ela, é interessante também estar próximo de algum estabelecimento que completamente seu produto.

My Basic 3 - Pryscilla K./UOL - Pryscilla K./UOL
"Em 2018, vimos a necessidade de ter um ponto físico, pois as pessoas queriam sentir o tecido premium de que tanto falávamos"
Imagem: Pryscilla K./UOL

Check-list

3 pontos de atenção para escolher o melhor ponto para o seu negócio

  • Olhe para seu orçamento. Você tem dinheiro para abrir um ponto físico? Se não tiver, comece pelo online
  • Seja visto. É preciso visibilidade, mesmo no ambiente virtual. Se você for começar o negócio digitalmente, separe uma verba para investir em marketing digital
  • Pesquise bem o local. Se optar pelo espaço físico, saiba onde estão seus clientes e entenda o lugar escolhido - a faixa etária dos moradores, se há comércios próximos, assim como estacionamentos e pontos de ônibus. Cheque a movimentação em diferentes horas do dia

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