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Polícia investiga abuso sexual e maus tratos a jovem em hospital de Niterói

Jovem denuncia maus tratos em hospital de Niterói - Arquivo Pessoal
Jovem denuncia maus tratos em hospital de Niterói Imagem: Arquivo Pessoal

Tatiana Campbell

Colaboração para Universa, no Rio de Janeiro

03/12/2020 10h35

A Polícia Civil vai ouvir os médicos do Hospital Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, após familiares de uma jovem de 18 anos denunciarem a unidade por maus tratos e negligência. A menina, que não terá o nome divulgado, está internada no hospital desde o final do mês passado. Os agentes investigam ainda um possível abuso sexual sofrido pela garota. A unidade de saúde nega as acusações.

Familiares da vítima conversaram com Universa e disseram que a jovem deu entrada no hospital com convulsão em 28 de novembro e que desde então encontram dificuldades para conseguir informações sobre o estado de saúde dela. Os parentes da jovem denunciam ainda que a menina teria sido amarrada em uma maca, como mostra uma foto enviada à reportagem.

Com a voz cansada, a irmã da jovem, que pediu para não ser identificada, disse à reportagem que desde o momento em que ela foi internada, os médicos não davam informações e chegavam a debochar da mãe da menina.

"Quando ela deu entrada no hospital ela chegou a ter convulsões e nisso, segundo os médicos, ela teve uma parada respiratória e teria que ser entubada. Mas aí que começaram os problemas, porque a gente não recebeu previsões de exames, diagnósticos dela, nada. Eles não passavam nada pra gente, só falavam que estava sendo entubada e desentubada. A gente questionava esse procedimento, queríamos entender porque estavam entubando e desentubando ela o tempo todo, a gente perguntava quais medicamentos ela estava tomando, mas não informavam nada para minha mãe. Quando minha mãe ia ao hospital no horário da visita, eles pediam para ela esperar, o horário acabava, os médicos não falavam com ela e minha mãe não via minha irmã", disse a irmã da jovem.

maca - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Jovem teria sido amarrada a cama
Imagem: Arquivo Pessoal

Na terça-feira (01) de manhã, a mãe da estudante esteve no hospital e conseguiu conversar com a filha. Por telefone, a irmã da jovem, que atualmente mora na Polônia, contou que a jovem pediu por "socorro" e disse que, na madrugada de segunda-feira (30), ao acordar, estava sem roupas, com as pernas abertas e um médico mexendo em suas partes íntimas. Para a família, a equipe médica disse se tratar de uma coleta para exame de urina.

"Eu consegui falar com ela pela ligação que minha mãe fez na terça. Eu conversei com ela e foi quando ela pediu por 'socorro'. Ela estava muito fraca, não tinha forças para falar. Ela pediu para eu tirar ela do hospital, porque tinha sido muito maltratada pela equipe médica. Ela disse: 'Eu acordei, estava com a perna aberta e estavam colocando algo em mim, mas disseram que era exame. Mas eles estavam fazendo de uma forma errada, eu disse que não queria que eles fizessem, mas o médico continuou e começou a gritar comigo e estou com muito medo. Por favor, não desiste de me tirar daqui, por favor'. Foi nesse momento que entramos em desespero e minha mãe decidiu tirar ela de qualquer forma do hospital", contou a jovem.

"Eles disseram que iam colher urina, só que ela estava acordada, pediu para pararem, porque ela disse que estava machucando e o médico ainda gritou com ela. Ela só estava assustada, com medo. Depois dela contar isso para a gente, minha mãe disse que iria tirar minha irmã de qualquer forma de lá. E ela deixou o hospital para prestar queixa", acrescentou.

Família procurou a polícia

Depois de a menina denunciar os maus tratos, a família registrou o caso na 77ª DP (Icaraí). Porém, logo depois de voltar da delegacia, a mãe voltou novamente para a unidade de saúde e foi informada que os médicos entubaram a estudante novamente.

"Minha mãe voltou e ela estava entubada. Foi aí que decidi postar o caso nas minhas redes sociais para que pudessem nos ajudar. Eu não quero que nada aconteça com ela. Até hoje não temos informações, resultados de exames, nada. Está muito complicado. Quando íamos pedir informações, eles só falam 'estamos tentando marcar os exames, mas não sabemos ainda quando'. A gente questionou ao hospital quem era o médico que estava com ela naquela noite, mas eles não deram nenhum nome. O médico poderia ter ido falar com a minha mãe, mas nem isso. Queríamos saber o que de fato aconteceu", acrescentou a irmã da vítima.

A família contou a Universa que eles conseguiram uma liminar para que seja feita a transferência da estudante.

"Está tão cansativo, a gente só quer, desde o início, transferir ela de hospital. A minha mãe entrou com uma liminar para conseguir a transferência e agora estamos aguardando só a assinatura do juiz, porque o hospital disse que só vai liberar com autorização judicial. Minha mãe está com esgotamento físico e mental e eu não como e durmo direito há dias. Estamos recebendo muito apoio da família, muitos amigos da minha irmã, a mídia agora também. Espero que pelo menos agora ela esteja tendo um atendimento melhor, porque eles já estão cientes da repercussão que deu", finalizou a jovem de 22 anos.

Em nota, a Polícia Civil informou que "as investigações estão em andamento na 76ª DP (Niterói) para apurar os fatos. A mãe da vítima vai ser ouvida, nesta sexta-feira, na unidade policial". Os agentes "também vão intimar todos os médicos do hospital envolvidos no atendimento à vítima para serem ouvidos na delegacia".

icaraí - Divulgação Hospital Icaraí - Divulgação Hospital Icaraí
O hospital Icaraí, em Niterói
Imagem: Divulgação Hospital Icaraí

O que diz o Hospital Icaraí

Questionado por Universa, sobre o suposto caso de abuso, o Hospital Icaraí informou que a denúncia não é verdadeira e que o caso já foi encaminhado ao departamento jurídico para adotar as providências judiciais cabíveis. Já com relação à falta de informação questionada pela família, a unidade de saúde disse que as "a família vem sendo acompanhada e atendida, diariamente, pelo Serviço Social do Hospital Icaraí e por sua equipe do Centro de Terapia Intensiva".

Confira a nota na íntegra:

Vimos a público esclarecer a população sobre supostas denúncias de negligência que estamos recebendo na Internet, por conta de um suposto tratamento indevido com um paciente, que deu entrada na emergência do Hospital Icaraí. De acordo com o que foi divulgado por redes sociais, nossa Unidade de Saúde não estaria fornecendo à família do paciente informações sobre o seu estado de saúde, bem como não teria permitido a visitação pelos familiares, além de outras graves acusações que vêm sendo imputadas ao hospital e corpo clínico, todas desprovidas de qualquer veracidade, com intuito visível de desonrar sua imagem, o que já foi encaminhado ao departamento jurídico para adotar as providências judiciais cabíveis. As informações não são verídicas, pois a família vem sendo acompanhada e atendida, diariamente, pelo Serviço Social do Hospital Icaraí e por sua equipe do Centro de Terapia Intensiva. Todos os esclarecimentos devidos estão sendo prestados à família - e tão somente a ela - com respeito e responsabilidade. Por razões de sigilo médico profissional, é o que nos cabe divulgar em público no momento.

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