PUBLICIDADE

Topo

Minha história

"Joguei o buquê na minha própria cabeça e virei a noiva desastrada na TV"

A noiva Suzy Bartholo antes da cerimônia - Reprodução/Twitter
A noiva Suzy Bartholo antes da cerimônia Imagem: Reprodução/Twitter

Suzy Bartholo, 25 anos, em depoimento a Ana Bardella

De Universa

29/11/2020 04h00

Rede TV, SBT, Record: era o segundo dia da minha lua de mel e as cenas do meu casamento já tinham passado em três canais da televisão aberta. Eu e meu marido acompanhávamos tudo deitados na cama do hotel de Gramado (RS) onde estávamos hospedados. Dávamos gritos e risadas quando eu aparecia vestida de noiva na tela dos programas, mas estávamos incrédulos com a dimensão que aquilo tinha tomado.

Tudo isso porque, durante a festa, eu caí quando estava para começar a valsa e, sem querer, joguei o buquê de noiva na própria cabeça. Meus vídeos viralizaram e fiquei conhecida como "a noiva desastrada" na TV e na internet.

Naquela semana, em setembro de 2019, eu me dividi entre curtir os primeiros dias de casada e dar atenção aos jornalistas, aos conhecidos e às mais de 20 mil pessoas que começaram a me seguir de uma hora para a outra nas redes sociais.

Nasci no circo, mas sempre fui de errar em público

Suzy e Willian em apresentação com malabarismos - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Suzy e Willian em apresentação com malabarismos
Imagem: Acervo pessoal

Muita gente se surpreende quando descobre as minhas origens: eu nasci e fui criada no circo. Meu pai se apresentava como domador de elefantes e minha mãe como bailarina. Por causa disso, desde criança, estou acostumada a ensaiar e aparecer em público. No início da adolescência, por exemplo, era uma das participantes de um número envolvendo monociclo e malabarismo. Tanta preparação e intimidade com o picadeiro, no entanto, não fizeram de mim uma pessoa menos desastrada. Foram inúmeras as vezes em que errei, caí ou paguei algum mico no meio das apresentações.

Foi graças à arte que conheci meu marido

Durante a infância, minha família viajava o Brasil todo para se apresentar. Mas, quando fiz 12 anos, meus pais decidiram se fixar por um tempo na cidade de Penha, em Santa Catarina. Como não queriam que eu e minha irmã parássemos com os ensaios, nos matricularam em um curso de circo. Lá, conheci o Willian, que estava na mesma faixa etária que eu, e nos tornamos amigos. Um ano depois, precisei retomar as viagens e perdemos contato. Porém, continuamos nos seguindo pelas redes sociais.

Quando eu estava com 20 anos, nós não viajávamos mais: estávamos novamente morando em Penha. Um dia, ele comentou em uma das minhas fotos, já mostrando que estava interessado. Começamos a conversar. No dia seguinte, ele foi assistir a uma peça de teatro da qual estava participando. Depois disso, saímos muitas vezes e, em dois meses, estávamos namorando. Com dois anos de compromisso, fui pedida em casamento em uma praia, de frente para o mar, diante de uma paisagem linda, como em uma cena de filme.

Queria um casamento normal, mas acabei virando meme

Minha família não costuma ser adepta de cerimônias tradicionais de casamento. Meus pais oficializaram a união no próprio circo, enquanto minha tia realizou o dela em um castelo. Tudo que eu queria era que meu casamento fosse normal, seguindo as tradições: escolhemos trocar nossos votos na igreja e depois comemorar em um salão de festas.

Organizamos juntos cada detalhe. Depois de um ano de preparação, chegou o grande dia. A sensação de oficializar a nossa união foi indescritível: estávamos muito felizes, rindo por tudo e nos sentindo verdadeiramente queridos.

Suzy e Willian se beijam na cerimônia de casamento - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Suzy e Willian se beijam na cerimônia de casamento
Imagem: Acervo pessoal

Estava vivenciando essa mistura boa de emoções quando cometi minha primeira gafe. No momento de dançar a valsa, pisei no vestido, me desequilibrei e caí para trás.

Ninguém da festa de surpreendeu: a família e os amigos já estavam acostumados com meu jeito. Eu mesma tinha certeza de que poderia acontecer algo do tipo.

Depois, na hora de jogar o buquê, esperei a contagem regressiva e joguei as flores para cima, quando o certo seria ter arremessado para trás. Quando me dei conta, ele caiu bem em cima da minha cabeça. Quem estava ao redor riu muito, com razão. Algumas convidadas tentaram pegar do chão, mas acabei jogando mais uma vez, porque senti que daquela não valeu.

Quando fui fazer check in no hotel, vi que o vídeo estava com 300 mil visualizações

Após a festa, eu e Willian fizemos uma viagem em direção a Gramado, no Rio Grande do Sul. Iríamos passar uma semana de lua de mel relaxando em um hotel. Assim que entrei no carro, postei o vídeo do buquê no Twitter com a legenda: "E eu que joguei o buquê na minha cabeça?" e rindo. Mas logo que entramos na estrada o sinal da internet caiu, então fiquei horas afastada das redes sociais.

Quando chegamos ao balcão para fazer check in, peguei o celular novamente e não acreditei no número que vi. Pensei que alguma coisa na rede social estivesse errada: ela estava indicando mais de 300 mil visualizações na gravação. Logo entendi que era isso mesmo. A postagem virou meme e foi reproduzida em diversas outras páginas redes sociais. De repente, começou a sair também em veículos de comunicação. Recebi uma quantidade enorme de mensagens e decidi me desligar do celular no primeiro dia, para poder aproveitar os momentos como recém-casada.

Porém, o número de seguidores nas minhas redes sociais não parava de subir e, no segundo dia, fui procurada também por jornalistas. Então comecei a responder. Entre os nossos passeios, parava para dar entrevistas por telefone. Ganhei 20 mil seguidores e, como já gostava de criar conteúdo para as redes sociais, aproveitei o embalo para continuar fazendo isso.

Enfim, completamos um ano de casados

Suzy foi pedida em casamento após dois anos de namoro - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Suzy foi pedida em casamento após dois anos de namoro
Imagem: Acervo pessoal

Quando voltamos para a nossa cidade, as pessoas nos olhavam e comentavam. Com o tempo, comecei a fazer parcerias com marcas e alguns trabalhos nas redes sociais. Como meu marido é formado em fotografia, ele me ajuda a produzir o conteúdo. No começo até tentei seguir o padrão daquilo que as influencers famosas postam nas redes, mas logo percebi que, para cativar os seguidores, precisava ser eu mesma — afinal, foi graças a isso que eles chegaram até o meu perfil. Até hoje sou lembrada como a noiva desastrada, mas não me incomodo: pelo contrário, sinto que esse adjetivo resume de forma bem-humorada uma parte importante de quem eu sou.

Minha história