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Mesmo com intermediação do Bope, mulher é sequestrada e morta por ex no RJ

Caso aconteceu em Valença, cidade no Sul Fluminense - Reprodução
Caso aconteceu em Valença, cidade no Sul Fluminense Imagem: Reprodução

Tatiana Campbell

Colaboração para Universa, no Rio de Janeiro

27/11/2020 15h57Atualizada em 28/11/2020 21h07

A estudante Mayara Pereira Fernandes foi assassinada na tarde hoje em Valença, no sul do Rio de Janeiro, depois de ser mantida refém por cerca de duas horas e meia. Um policial militar do Rio, seu ex-namorado, foi preso em flagrante.

O crime aconteceu no estacionamento da Fundação Educacional Dom André Arcoverde, onde o PM mantinha a vítima sob a mira de uma arma dentro do carro.

Por volta das 10h30, a universidade informou que equipes de segurança viram os dois discutindo dentro do carro e, ao notar que o homem estava armado, chamaram a polícia. Durante o sequestro, alunos, docentes e funcionários ficaram trancados nas salas de aula.

De acordo com a Polícia Militar do estado, a jovem foi mantida refém dentro de um carro. Logo após o disparo, o agente foi imobilizado por policiais que negociavam a rendição e levado algemado para a delegacia. O PM era lotado no batalhão de Resende, município que fica na mesma região.

Além disso, todo o acesso à universidade foi bloqueado pela Polícia Militar. Os policiais militares do 10º BPM (Batalhão de Polícia Militar), de Barra do Piraí, fizeram a negociação para liberar a vítima, mas sem sucesso.

A jovem era aluna de um curso de pós-graduação da área de odontologia. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital Escola, da própria universidade, mas não resistiu. A jovem sofreu quatro paradas cardíacas depois de ser atingida por arma de fogo e morreu antes de ser levada para cirurgia.

Uma estudante da universidade, que pediu para não ter o nome divulgado, conversou com Universa e lamentou a morte de mais uma mulher.

"Ficamos apavorados com o que estava acontecendo. Ela foi vítima de feminicídio dentro da faculdade, o ex fez ela refém por horas. Tinha muitos policiais militares, depois ainda chegou mais e ninguém foi capaz de evitar que ela fosse atingida. É revoltante, inacreditável. Eu estou em choque até agora", descreveu a aluna.

"Eu e meus amigos estávamos tendo aula quando tudo aconteceu, ficamos presos lá na faculdade até o término. Todos os dias homens nos matam e depois são soltos como se nada tivesse acontecido. Eu não a conhecia, sou estudante de medicina e ela era de odontologia, mas como mulher, sinto como se tivesse perdido alguém próximo. Muito triste isso", desabafou.